FAO, FIDA e parceiros lançam manual sobre boas práticas para a recuperação da agricultura familiar na seca
- Cerca de 200 pessoas participaram do lançamento de uma publicação sobre boas práticas da agricultura familiar no semiárido brasileiro.
- O evento virtual foi realizado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido).
- A publicação Manual de Boas Práticas da Agricultura Familiar no Semiárido do Brasil - Tecnologias Sociais para Captação, Manejo, Gestão e Uso da Água foi produzida pelo FIDA.
- Ela reúne uma série de experiências exitosas e boas práticas visitadas em novembro de 2019 por uma missão internacional que conheceu exemplos de acesso, gestão e uso da água na agricultura familiar em Petrolina, Pernambuco.
- A iniciativa integra o projeto de cooperação trilateral Sul-Sul da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome 2025.
Cerca de 200 pessoas participaram do lançamento de uma publicação sobre boas práticas da agricultura familiar no semiárido brasileiro. O evento virtual foi realizado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido).
Para Ronaldo Ferraz, coordenador do projeto regional América Latina e Caribe sem Fome da Cooperação Internacional Brasil-FAO, o evento virtual, realizado em 18 de março, foi uma oportunidade para troca de experiências entre o Brasil, os países da região e das agências da ONU sobre diferentes tecnologias de enfrentamento à seca.
A publicação Manual de Boas Práticas da Agricultura Familiar no Semiárido do Brasil - Tecnologias Sociais para Captação, Manejo, Gestão e Uso da Água foi produzida pelo FIDA. Ela reúne uma série de experiências exitosas e boas práticas visitadas em novembro de 2019 por um grupo formado por representantes de países do Corredor Seco da América Central (Honduras, El Salvador e Guatemala), Argentina e Colômbia, à cidade de Petrolina, em Pernambuco. A missão conheceu exemplos de acesso, gestão e uso da água na agricultura familiar, como captação, uso, armazenamento, gestão e experiência em cisternas. A iniciativa fez parte das atividades desenvolvidas pelo projeto de cooperação trilateral Sul-Sul da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome 2025.
O manual integra um esforço conjunto e contínuo da ABC, FIDA, FAO e Embrapa Semiárido para fomentar o diálogo e a cooperação entre as regiões semiáridas da América Latina e do Caribe, a fim de melhorar a resiliência da população rural diante de desastres e crises causadas pela seca e seus efeitos na segurança alimentar e nutricional.
O especialista da ABC Plínio Pereira destacou que, no âmbito da cooperação brasileira, o desenvolvimento de capacidades e boas práticas entre países é uma ferramenta concreta de apoio a mudanças estruturais. Para ele, as experiências e técnicas apresentadas no manual podem ser aperfeiçoadas e utilizadas no futuro por outros países da região. Ele destacou a parceria com a FAO e o FIDA como estratégica.
O representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, ressaltou a importância da publicação para o fortalecimento da agricultura familiar na região porque promove o conhecimento democrático e horizontal para agricultores que enfrentam dificuldades, principalmente no semiárido. Segundo Zavala, estima-se que 60% das pessoas mais pobres do mundo sejam agricultores familiares, mas eles são responsáveis pela produção de cerca de 50% de todas as calorias consumidas diariamente, pela gestão de sistemas produtivos diversificados e pela preservação de produtos alimentares tradicionais. “Esperamos que este manual seja uma ferramenta para fortalecer a cooperação entre os países e um incentivo para a continuidade da troca de experiências”, afirmou.
O chefe da Embrapa Semiárido, Pedro Gama, lembrou que os riscos hídricos e os fenômenos das mudanças climáticas são enormes desafios para todas as instituições, sejam elas de pesquisa ou de desenvolvimento. E apontou a importância de ações acompanhadas por um conjunto de inovações técnicas, econômicas e sociais adaptadas às condições locais e que valorizem os recursos naturais produtivos nas suas diversas formas.
Publicação - O manual foi apresentado pelo consultor Claudio Lasa, que sistematizou todas as experiências visitadas ao longo de quase dez dias da missão técnica à Petrolina. O grupo participou do Semiárido Show, feira de inovação tecnológica voltada para a agricultura; de minicursos e palestras; e de visitas de campo para conhecer iniciativas socioeconômicas do Vale do São Francisco, como fruticultura, atividades de apoio à agricultura familiar e unidades de pesquisa e demonstração de tecnologia. Segundo o consultor, as boas práticas foram escolhidas segundo critérios como forte processo de mobilização, fortalecimento e organização social; empoderamento e reconhecimento das lutas das mulheres; segurança hídrica, alimentar e nutricional; cuidado com o meio ambiente e gestão sustentável do bioma caatinga; e valorização dos saberes tradicionais e governança territorial.
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