ONU: bloco regional asiático tem papel fundamental no fim da crise em Mianmar
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na segunda-feira (19) que os líderes da Ásia redobrem os esforços no sentido de encontrar uma solução pacífica para a sangrenta crise em Mianmar, desencadeada pelo golpe militar em fevereiro. A fala aconteceu durante uma reunião online do Conselho de Segurança sobre a cooperação entre a ONU e organizações regionais e sub-regionais.
- Mais de 700 pessoas morreram na resposta brutal das forças de segurança desde que os militares derrubaram o governo democraticamente eleito em 1º de fevereiro. Outros milhares ficaram feridos e mais de 3.000 pessoas estão detidas.
- De acordo com o relator especial para a situação dos direitos humanos no país, “essa é uma crise humanitária que vai explodir na região”. Por isso, ele pede que a comunidade internacional, o Conselho de Segurança da ONU e os países da região se engajem para apoiar a população do país e de seus vizinhos. Andrews vê a possibilidade de uma crise de refugiados se expandir pela região.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na segunda-feira (19) que os líderes da Ásia redobrem os esforços no sentido de encontrar uma solução pacífica para a sangrenta crise em Mianmar, desencadeada pelo golpe militar em fevereiro.
Em seu discurso durante uma reunião online do Conselho de Segurança sobre a cooperação entre a ONU e organizações regionais e sub-regionais, ele destacou o relacionamento com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), ressaltando o importante papel do bloco na diplomacia, prevenção de conflitos e construção da paz.
Papel crucial em crise urgente - “Hoje, o papel da ASEAN é mais crucial do que nunca, pois a região enfrenta uma crise urgente em Mianmar”, disse Guterres. “Tenho repetidamente convocado a comunidade internacional para trabalhar, coletivamente e por meio de canais bilaterais, para ajudar a pôr fim à violência e à repressão por parte dos militares.”
Nesse sentido, a cooperação da ONU com a ASEAN é vital, disse o secretário-geral, já que a situação requer uma resposta internacional robusta, baseada em um esforço regional unificado.
“Encorajo os atores regionais a alavancar sua influência para evitar uma maior deterioração e, em última instância, encontrar uma maneira pacífica de sair desta catástrofe”, disse o diplomata português.
Também falando ao Conselho de Segurança, o ex-secretário-geral Ban Ki-moon disse que “as Nações Unidas e seus parceiros regionais têm uma janela curta para cooperar por meio de ações firmes para deter as atrocidades em curso em Mianmar e prevenir uma nova escalada de violência.”
Recentemente Ban Ki-moon fez um pedido às autoridades locais para visitar o país e se reunir com todas as partes. Mas seu pedido não foi aceito.
Enviada da ONU - Guterres disse aos embaixadores que sua enviada especial para Mianmar, Christine Schraner Burgener, está na região e pronta para retomar o diálogo com os militares e outros atores e para contribuir para o retorno de Mianmar ao caminho democrático e à paz e estabilidade. Schraner Burgener chegou a Bangkok, na Tailândia, em 9 de abril.
Crise em Mianmar – De acordo com relatos, mais de 700 pessoas morreram na resposta brutal das forças de segurança desde que os militares derrubaram o governo democraticamente eleito em 1º de fevereiro. Outros milhares ficaram feridos e mais de 3.000 pessoas estão detidas.
“A junta militar tem feito esforços significativos, que têm aumentado, para manter a verdade dentro do país, para não permitir que o mundo veja o que está acontecendo”, afirmou o relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews.
As ações do governo para conter o fluxo de informações incluem a prisão de jornalistas e o corte de internet. “Apesar dos esforços para bloqueá-la, a verdade está se espalhando. E é uma verdade horrível”, completou Andrews em uma longa entrevista ao UN News.
O relator especial alerta que “essa é uma crise humanitária que vai explodir na região”. Por isso, ele pede que a comunidade internacional, o Conselho de Segurança da ONU e os países da região se engajem para apoiar a população do país e de seus vizinhos. Andrews vê a possibilidade de uma crise de refugiados se expandir pela região.
Multilateralismo e cooperação – A cooperação entre a ONU e organizações regionais e sub-regionais pode ajudar países a gerenciar transições políticas complexas e encontrar soluções sustentáveis para os desafios políticos. Esta tem sido uma das prioridades de Guterres desde que assumiu o cargo há quatro anos.
Entre os exemplos dessa parceria em vários continentes estão a Bósnia e Herzegovina, onde a ONU está trabalhando com a União Europeia, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, Osce, e o Conselho da Europa. No Sudão, a ONU apoiou a União Africana (UA) e a Etiópia na facilitação das negociações que levaram ao estabelecimento do governo de transição.
Segundo o secretário-geral, esse tipo de cooperação "cresceu exponencialmente" desde a fundação da ONU em 1945, abrangendo áreas que incluem diplomacia preventiva, mediação, contraterrorismo, manutenção da paz e promoção dos direitos humanos, mas também combate às mudanças climáticas e agora da pandemia da COVID-19.
“Só podemos enfrentar os desafios atuais e futuros do nosso mundo, incluindo aqueles expostos e intensificados pelo COVID-19, por meio de uma ação multilateral ambiciosa e coordenada”, afirmou Guterres, para quem o fortalecimento das parcerias é parte integrante de um "multilateralismo em rede”.