Agências da ONU pedem ações urgentes após naufrágios com barcos de migrantes

  • A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se manifestaram após dois naufrágios na semana passada causarem a morte de dezenas de migrantes. As agências da ONU lamentaram profundamente os acidentes, que ocorreram no Caribe e na costa da Líbia.
  • Em dois comunicados conjuntos, as agências pediram ações urgentes para evitar mais perdas de vidas e para garantir rotas seguras pelo mar.
  • O primeiro naufrágio, na costa da Líbia, custou a vida de 130 pessoas, apesar de pedidos de SOS por ajuda, relatou a OIM na sexta-feira (23). A tragédia foi confirmada na noite de quinta-feira (22) pelo navio de resgate voluntário Ocean Viking, que encontrou dezenas de corpos flutuando na água a nordeste de Trípoli.
  • Um segundo barco naufragou na costa da Venezuela na quinta-feira passada (22), em direção a Trinidad e Tobago. Duas mortes foram confirmadas após o naufrágio. Pelo menos 24 pessoas estavam a bordo, de acordo com as autoridades locais. Enquanto embarcações comerciais venezuelanas resgataram sete pessoas, as operações estão em andamento para encontrar sobreviventes entre os outros 15 que permanecem desaparecidos.
embarcação naufragada
Estima-se que pelo menos 130 imigrantes com destino à Europa tenham morrido depois que este barco inflável virou na costa mediterrânea da Líbia.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se manifestaram após dois naufrágios na semana passada causarem a morte de dezenas de migrantes. As agências da ONU lamentaram profundamente os acidentes, que ocorreram no Caribe e na costa da Líbia.

Em dois comunicados conjuntos, as agências pediram ações urgentes para evitar mais perdas de vidas e para garantir rotas seguras pelo mar.

“Naufrágios, mortes trágicas nos cruzamentos de fronteira e mais sofrimento são evitáveis, mas somente se uma ação internacional imediata e coordenada for mobilizada para encontrar soluções pragmáticas que coloquem salvar vidas e proteger os direitos humanos na linha de frente de qualquer resposta”, disse o representante especial conjunto do ACNUR e da OIM para Refugiados e Migrantes Venezuelanos, Eduardo Stein, ao comentar a morte de duas migrantes venezuelanas no mar do Caribe.  

Rota do mediterrâneo - O primeiro naufrágio, na costa da Líbia, custou a vida de 130 pessoas, apesar de pedidos de SOS por ajuda, relatou a OIM na sexta-feira (23). A tragédia foi confirmada na noite de quinta-feira (22) pelo navio de resgate voluntário Ocean Viking, que encontrou dezenas de corpos flutuando na água a nordeste de Trípoli.

A porta-voz da OIM, Safa Msehli, disse a jornalistas em Genebra que as vítimas estavam a bordo de um bote de borracha por dois dias antes dele afundar no Mediterrâneo central. 

“Por dois dias, o telefone de alarme da ONG, que é responsável por enviar pedidos de ajuda para os centros de resgate marítimo relevantes na região, chamou os Estados a cumprir suas responsabilidades em relação a essas pessoas e enviar navios de resgate. Infelizmente, não foi isso que aconteceu”, disse Msehli.

De acordo com dados da OIM, mais de 16.700 pessoas cruzaram a rota do Mediterrâneo desde o início do ano. Mais de 500 pessoas morreram afogadas neste ano enquanto tentavam realizar a travessia, que liga o norte da África à Europa. O número é quase três vezes mais no mesmo período do ano passado.

Em um comunicado conjunto, as agências "reiteram seu apelo à comunidade internacional para tomar medidas urgentes para acabar com as mortes evitáveis no mar".

"Isso inclui a reativação das operações de busca e resgate no Mediterrâneo, aprimoração da coordenação com todos os atores de resgate, acabando com os retornos a portos inseguros e estabelecendo um mecanismo de desembarque seguro e previsível", disse o comunicado à imprensa.

As agências também manifestaram preocupação outras embarcações que estavam desaparecidas. O Ocean Viking resgatou, nesta terça-feira (27), 236 migrantes que tentavam chegar à Europa em dois barcos infláveis.

Caribe - Um segundo barco naufragou na costa da Venezuela na quinta-feira passada (22), em direção a Trinidad e Tobago. Duas mortes foram confirmadas após o naufrágio. Pelo menos 24 pessoas estavam a bordo, de acordo com as autoridades locais. Enquanto embarcações comerciais venezuelanas resgataram sete pessoas, as operações estão em andamento para encontrar sobreviventes entre os outros 15 que permanecem desaparecidos.

“As águas do mar do Caribe continuam tirando a vida dos venezuelanos”, disse o representante especial conjunto do ACNUR e da OIM para Refugiados e Migrantes Venezuelanos. “À medida que as condições no país continuam se deteriorando - tudo piorado pela pandemia de COVID-19 - as pessoas continuam a fazer viagens com risco de vida”.

Existem mais de cinco milhões de refugiados e migrantes venezuelanos em todo o mundo e estima-se que 200 mil estejam alojados no Caribe.

Migrantes cruzam da Venezuela para Cúcuta, na Colômbia
Mais venezuelanos têm se arriscado em travessias com as condições no país se deteriorando.

A tragédia é a mais recente de vários incidentes envolvendo o tombamento de barcos que transportavam refugiados e migrantes venezuelanos para as ilhas do Caribe. O mais recente foi relatado perto da cidade venezuelana de Guiria, em dezembro de 2020. 

Com as fronteiras terrestres e marítimas ainda fechadas para limitar a transmissão do coronavírus, as agências da ONU disseram que essas viagens estão ocorrendo ao longo de rotas irregulares, aumentando assim o perigo, bem como os riscos à saúde e proteção.

“O estabelecimento de caminhos regulares e seguros, inclusive por meio de vistos humanitários e reagrupamento familiar, bem como a implementação de sistemas de entrada sensíveis à proteção e mecanismos de recepção adequados, podem prevenir o uso de rotas irregulares, contrabando e tráfico”, disse Stein.

Tanto o ACNUR quanto a OIM destacaram a disponibilidade para fornecer apoio e conhecimento técnico para estas medidas.

As agências da ONU são colíderes de uma plataforma que coordena o trabalho de pelo menos 24 parceiros e governos em todo o Caribe para atender às necessidades dos refugiados e migrantes da Venezuela na sub-região.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
OIM
Organização Mundial para as Migrações
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados