
O Secretário-Geral Ban Ki-moon
expressou hoje (31) seu choque com o ataque mortal feito por Israel a barcos carregados com suprimentos de emergência que se dirigiam a Gaza, e pediu a Israel que explicasse integralmente suas ações.
Segundo a imprensa, esta manhã, em águas internacionais, as forças israelenses atacaram de surpresa o comboio de seis navios contendo ajuda humanitária, que também transportava centenas de ativistas, com mais de dez pessoas sendo mortas.
“Condeno este tipo de violência”, declarou Ban Ki-moon em Kampala, Uganda, onde presidiu a Primeira Conferência de Revisão do Tribunal Penal Internacional (
ICC). “É vital que haja uma investigação completa para determinar exatamente como ocorreu este derramamento de sangue. Acredito que Israel deve fornecer urgentemente uma explicação completa”. O Conselho de Segurança se reunirá esta tarde para discutir o incidente. Ban Ki-moon afirmou que a Liga dos Estados Árabes também poderá realizar uma sessão emergencial sobre o assunto.
Na semana passada, o escritório do Porta-Voz do Secretário-Geral instou veementemente que “todos os envolvidos ajam com um senso de cautela e responsabilidade e trabalhem para uma solução satisfatória” sobre a questão do comboio de ajuda.
As Nações Unidas tem repetidamente se manifestado contra o bloqueio de Gaza e sobre sua preocupação sobre o fluxo insuficiente de material para a área para atender as necessidades básicas e estimular a reconstrução. Ban advertiu em um recente encontro que o bloqueio “cria um sofrimento inaceitável, fere as forças de moderação e fortalece extremistas”.

Também se manifestou contra o ataque de hoje a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Ela
salientou que “nada pode justificar o resultado terrível dessa operação”. Apelando para uma investigação sobre o incidente, ela ressaltou a necessidade da responsabilização. “Inequivocamente condeno o que parece ser o uso desproporcionado de força, resultando na morte e ferimento de tantas pessoas tentando levar a ajuda tão necessária ao povo de Gaza, que já vem enfrentando um bloqueio por mais de três anos”, declarou Pillay.
Ela apelou ao governo israelense que atenda à “visão quase unânime em nível internacional de que o contínuo bloqueio da Faixa de Gaza é desumano e ilegal”. O bloqueio, afirmou a Alta Comissária, “está no cerne de muitos dos problemas que afligem a situação entre Israel e a Palestina, assim como a impressão de que o governo israelense trata do direito internacional com perpétuo desprezo”. Sem o bloqueio, ela observou, “não haveria necessidade de frotas como esta”.

Já o Relator Especial sobre a situação dos Direitos Humanos no território ocupado da Palestina, Richard Falk,
declarou que “Israel é culpado por um comportamento chocante, usando armas letais contra civis desarmados a bordo de navios que se encontravam em alto mar, onde existe liberdade de navegação, de acordo com a lei dos mares”.
Ele repetiu os pedidos feitos pelo Secretário-Geral e pela Alta Comissária para uma investigação sobre o incidente de hoje, sublinhando que “é essencial que os israelenses responsáveis por este comportamento ilegal e assassino, incluindo líderes políticos que deram as ordens, sejam penalmente responsabilizados pelo seus atos equivocados”.
Falk caracterizou o bloqueio de Gaza como uma “forma maciça de punição coletiva”, que equivale a um crime contra a humanidade. “A menos que uma ação rápida e decisiva seja tomada para contestar a abordagem israelense de Gaza, todos nós seremos cúmplices das políticas criminosas que estão desafiando a sobrevivência de toda uma comunidade sitiada”, concluiu.