Diretora da OPAS alerta sobre aumento dos casos de COVID-19 nas Américas
- A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, comemorou a chegada de mais de 2,2 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 adquiridas por meio do COVAX nas Américas, mas advertiu que o vírus está crescendo perigosamente em muitos países da região.
- O COVAX, a aliança global para garantir o acesso equitativo às vacinas contra a COVID-19, ajudou a entregar essas doses de vacinas para a região até o momento, incluindo mais de 1 milhão que chegaram ao Brasil no domingo (21). Espera-se que mais doses cheguem esta semana ao Suriname e Belize e mais 1,2 milhão foram adquiridas por meio do COVAX.
A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, comemorou a chegada de mais de 2,2 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 adquiridas por meio do COVAX nas Américas, mas advertiu que o vírus está crescendo perigosamente em muitos países da região.
O COVAX, a aliança global para garantir o acesso equitativo às vacinas contra a COVID-19, ajudou a entregar essas doses de vacinas para a região até o momento, incluindo mais de 1 milhão que chegaram ao Brasil no domingo (21). Espera-se que mais doses cheguem esta semana ao Suriname e Belize e mais 1,2 milhão foram adquiridas por meio do COVAX.
Mas “o vírus da COVID-19 não está retrocedendo, nem a pandemia começando a desaparecer”, advertiu a diretora da OPAS na coletiva de imprensa semanal da OPAS. “As vacinas estão chegando, mas ainda faltam vários meses para a maioria das pessoas em nossa região”, afirmou, pedindo às pessoas que continuem respeitando as medidas de saúde pública – uso de máscaras, lavagem das mãos e distanciamento social - especialmente durante os próximos feriados. “As pessoas não podem baixar a guarda mantendo contato próximo com outras pessoas”.
"Embora a ampliação tenha começado, sabemos que não é o suficiente. Ainda não temos as vacinas das quais precisamos para proteger a todos. É o que acontece quando o mundo inteiro depende de poucos fabricantes. Devemos também encontrar maneiras de compartilhar vacinas de forma mais equitativa entre os países”.
Como reconhecido mecanismo de compras de vacinas na América Latina e no Caribe, o Fundo Rotatório da OPAS negocia, compra e lida com a logística de remessas em nome dos 36 países participantes do COVAX.
Na semana passada, mais de 1,2 milhão de pessoas foram infectadas com COVID-19 nas Américas, mais do que na semana anterior; 31.272 pessoas morreram em decorrência do vírus, informou a chefe da OPAS.
A pandemia é particularmente terrível na América do Sul, onde a infecção está aumentando no Chile, Paraguai e Uruguai. “No Paraguai, a maioria dos leitos de UTI está ocupada e o sistema de saúde está sofrendo com a pressão”, disse.
A diretora da OPAS afirmou que "o vírus continua a aumentar perigosamente em todo o Brasil. Os casos e mortes estão aumentando e a ocupação de leitos na UTI é muito alta em muitos estados”.
Na vizinha Venezuela, as infecções estão crescendo, principalmente nos estados fronteiriços de Bolívar e Amazonas.
A Bolívia registrou um aumento de casos no departamento de Pando, enquanto “a ocupação de leitos de UTI permanece muito alta em Loreto, Peru”.
A pandemia está acelerando em outras partes das Américas, incluindo a Guatemala, onde o aumento de casos e hospitalizações estão “sobrecarregando a capacidade de leitos hospitalares devido ao fluxo de pacientes”, disse a diretora da OPAS.
No Caribe, os casos estão aumentando em Cuba, Aruba, Curaçao e Antígua e Barbuda. Na Jamaica, os casos cresceram continuamente por várias semanas. No Canadá, o estado de Ontário relatou aumento de casos nas últimas duas semanas, enquanto os estados de Minnesota e West Virginia relataram aumento de mortes.
“O que acabei de descrever é uma emergência ativa de saúde pública”, disse Etienne. “À medida que o vírus aumenta e as hospitalizações aumentam, precisamos urgentemente aumentar a vacinação entre nossas populações mais vulneráveis”.
Mais de 155,8 milhões de doses de vacinas, incluindo as entregas do COVAX, foram direcionadas às Américas e, no Caribe e na América Latina, campanhas de imunização estão em andamento em 33 dos 35 países membros da OPAS. A Organização está ajudando Haiti e Cuba, os dois países que ainda não iniciaram a imunização.
“As doses que foram entregues estão nos ajudando a começar a proteger os profissionais de saúde e outras comunidades vulneráveis e esperamos que mais cheguem a cada semana”, disse a diretora da OPAS, ressaltando que a aceitação das vacinas tem sido alta. “Essas vacinas aprovadas pela OMS são seguras e funcionam. Quando for sua vez, não hesite. Vacine-se”.
Apontando a longa e bem-sucedida história de vacinação das Américas contra poliomielite, sarampo, gripe e febre amarela, a diretora da OPAS disse que, "uma vez que nosso suprimento aumentar, não haverá outra região no mundo melhor preparada para fornecer vacinas com rapidez e segurança". “Nossos profissionais de saúde têm experiência especial na condução de campanhas de vacinação em grande escala que cobrem diversas geografias”, complementou.
“A OPAS tem fornecido treinamento e apoio técnico aos países para que tenham maior capacidade de rastrear eventos adversos, o que será crítico à medida que novas vacinas são desenvolvidas e introduzidas na região”, destacou a diretora da OPAS. “Esta é uma conquista notável e um crédito aos países por fazerem da vacinação uma prioridade e aos profissionais de saúde por seu compromisso em manter nossa região segura”.
A chefe da OPAS também lembrou os países do dia 24 de março, Dia Mundial da Tuberculose, um marco global para aumentar a conscientização sobre o impacto devastador da doença e abraçar a meta da OMS de eliminar a TB até 2050.
“Precisamos cumprir nossos compromissos de reduzir a carga da tuberculose em nossa região e em todo o mundo”, alertou Etienne. “Se há algo que espero tirarmos desta pandemia é uma apreciação pelo poder da saúde - e como uma boa saúde é fundamental para o bem-estar das sociedades. Acesso igual à boa saúde: esse deve ser nosso foco. É assim que acabaremos com a tuberculose. É assim que vencemos a COVID-19”.