Empoderar mulheres em operações de paz continua a ser a principal prioridade, diz chefe das Forças de Paz da ONU

  • Elogiando as contribuições fundamentais das mulheres para os esforços de manutenção e construção da paz, o subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas, Jean-Pierre Lacroix, reiterou nesta quinta-feira (25) que empoderar mulheres nas forças-armadas continua sendo uma prioridade, mas para alcançar esse objetivo é necessário “o esforço de todos”.
  • Apesar de ter dado grandes passos rumo à paridade de gênero dentro dos servidores uniformizados das missões de paz, Lacroix disse que o progresso continua lento de maneira geral.
  • Em janeiro de 2021, menos de um quinto dos Peritos Militares em Missão e Oficiais de Estado-Maior eram mulheres e representavam apenas 5,4% do pessoal em unidades militares.
Mulheres da força de paz da Tanzânia na República Democrática do Congo em atividade com mulheres de Kivu do Norte.
Mulheres da força de paz da Tanzânia na República Democrática do Congo em atividade com mulheres de Kivu do Norte.

Elogiando as contribuições fundamentais das mulheres para os esforços de manutenção e construção da paz, o subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas, Jean-Pierre Lacroix, reiterou nesta quinta-feira (25) que empoderar mulheres nas forças-armadas continua sendo uma prioridade, mas para alcançar esse objetivo é necessário “o esforço de todos”.

O chefe das Forças de Paz da ONU falou em um evento paralelo focado em “Mulheres Líderes das Forças Armadas”, parte da 65ª sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW).

“Aumentar a participação integral, igualitária e significativa nas Forças de Paz da ONU tornou-se uma das principais prioridades do meu departamento”, disse Lacroix que “está ancorado” nas resoluções do Conselho de Segurança sobre mulheres, paz e segurança e na iniciativa Ação para Manutenção da Paz (A4P) do secretário-geral.

A estrutura orientadora para a manutenção da paz nos últimos três anos, a A4P, visa o crescimento no número de mulheres civis e uniformizadas em todos os níveis e posições-chave na manutenção da paz.

“Isso continuará sendo uma prioridade para a próxima fase”, ressaltou o chefe das Forças de Paz da ONU.

Progresso lento

Apesar de ter dado grandes passos rumo à paridade de gênero dentro dos servidores uniformizados das missões de paz, Lacroix disse que o progresso continua lento de maneira geral.

Em janeiro de 2021, menos de um quinto dos Peritos Militares em Missão e Oficiais de Estado-Maior eram mulheres e representavam apenas 5,4% do pessoal em unidades militares.

Entretanto, Lacroix observou que duas mulheres estão atualmente servindo no nível militar mais elevado dentro das 12 missões de campo: uma é a recém-nomeada  Comandante da Força na missão de manutenção da paz no Chipre (UNFICYP) e a outra é a Vice-Comandante de Forças em missão no Saara Ocidental, MINURSO.

“Nós ainda temos um longo caminho a percorrer, mas estamos vendo progresso”, disse.

Liderança diversa

“Lideranças e equipes diversas trazem perspectivas diversas para que nós possamos tomar decisões melhores e aprimorar nossas operações”, disse Lacroix, enfatizando que precisamos “garantir que isso seja corrigido, que barreiras sejam quebradas e que mais mulheres possam chegar a posições superiores”.

Ele passou a enfatizar a importância de reconhecer a liderança de mulheres em diferentes papéis e posições, assim como criar ambientes propícios, na Sede e nas missões, para possibilitar que as operações de paz sejam efetivas e tenham sucesso com os seus mandatos.

O chefe de manutenção de paz da ONU também destacou iniciativas com foco em paridade de gênero, como desenvolvimento profissional, redes e orientação, gestão de talentos e cultura do local de trabalho. Também existem iniciativas para combater o assédio sexual, discriminação, preconceitos inconscientes e esteriotipação.

Defensores e agentes

“O Departamento de Operações de Paz depende da colaboração com todos os países contribuintes”, disse Lacroix, enfatizando que todos, independente do gênero, precisam ser engajados como “defensores e agentes da mudança pela igualdade de gênero”.

Ele instou os países contribuintes com tropas e todos  os contribuintes para a paz para reconhecer a igualdade de gênero, mulheres, paz e segurança e paridade de gênero como uma prioridade política compartilhada e para continuar a alocar recursos e o desejo político para esta causa.

“Nós certamente não podemos fazer isso sozinhos”, disse.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UNDPO
Department of Peace Operations