Chefe das Nações Unidas fala sobre herança africana como catalisador da transformação
28 maio 2021
- Nesta quarta-feira (26), foi realizado o Africa Dialogues 2021, um fórum de três dias que convidou líderes globais a se engajar em uma discussão sobre o futuro do continente africano.
- O chefe das Nações Unidas descreveu o evento como um “o apelo certo na hora certa”, e se referiu ao rico patrimônio cultural e natural da África como um agente catalisador do crescimento e da transformação.
- Em seu discurso, Guterres pediu "solidariedade clara" ao continente africano diante das sequelas causadas pela pandemia e da desigualdade no acesso às vacinas para a COVID-19.
- O chefe das Nações Unidas também expressou preocupação com o crescimento projetado da África de 3,2%, inferior ao da economia internacional, de 6%.
Na abertura do Africa Dialogue Series 2021, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, falou sobre a importância do patrimônio cultural e natural da África. O evento, que é um fórum de três dias realizado nesta quarta-feira (26), convidou líderes globais para uma discussão sobre o futuro do continente africano.
Em seu discurso, Guterres frisou que as discussões destacam a “importância das artes, da cultura e do património na construção da África que queremos”, e pediu "solidariedade clara" ao continente diante das sequelas causadas pela pandemia e da desigualdade no acesso às vacinas para a COVID-19. O chefe das Nações Unidas também expressou preocupação com o crescimento projetado da África de 3,2%, inferior ao da economia internacional, de 6%.
Novo contrato social - Contra o pano de fundo de uma disseminação global de ódio e intolerância, o chefe da ONU enfatizou que “não devemos apenas defender a diversidade, mas investir nela”.
“As sociedades hoje são multiétnicas, multirreligiosas e multiculturais”, lembrou. “Isso é uma riqueza, não uma ameaça”.
Para garantir que cada comunidade sinta que sua cultura e identidade estão sendo respeitadas, Guterres destacou que as melhores maneiras devem ser encontradas para “reparar os males do passado que geraram desconfiança e divisão”.
O chefe da ONU afirmou, ainda, que a ênfase na cultura, no patrimônio e nos valores compartilhados pode ajudar a “construir unidade e propósito comum”, o que também pode ajudar a superar a ruptura devido à COVID e promover um desenvolvimento pacífico e sustentável.
“Precisamos avançar para um crescimento econômico sustentável que proteja o meio ambiente, promova os direitos humanos e fortaleça o contrato social ... [e] um sentido mais forte de solidariedade e cooperação multilateral para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, disse.
Busque “solidariedade” - À medida que os impactos da pandemia continuam, o secretário-geral apelou por uma “solidariedade clara” com o continente. Ele taxou de “inaceitável” o fato de as vacinas ainda não estarem totalmente disponíveis em toda a África, citando isso como a razão pela qual a África está “dramaticamente atrasada” na distribuição de imunizantes.
“Tenho insistido com os países do G20 para criar um plano global de vacinação para chegar a todos em todos os lugares e (...) uma força-tarefa de emergência (...) para garantir que possamos dobrar a produção de vacinas e, ao mesmo tempo, ter uma rede de distribuição” , explicou o chefe da ONU.
Guterres disse que também está preocupado com o crescimento projetado de 6% na economia internacional, mas apenas 3,2% na África.
“É absolutamente essencial que os países africanos recebam o apoio financeiro de que necessitam neste momento para proteger os seus cidadãos e poder relançar as suas economias”, apelando ao “alívio de dívida eficaz [para] ser colocado à disposição dos países africanos”.
Agenda transformadora - A conselheira especial para a África , Cristina Duarte, instou os participantes a “aproveitar as oportunidades” fornecidas pela COVID para “mudar a nossa mentalidade” e abordar o desenvolvimento da África com “visão de futuro”.
Ela viu isso como uma oportunidade para um renascimento cultural africano, inculcando “o espírito do pan-africanismo, explorando o poço profundo de rica herança e cultura da África para garantir que nosso destino seja construído e possuído por nós”.
Entendendo que a cultura vai além das manifestações artísticas e implica um profundo sentimento de pertencimento a uma comunidade disposta a exercer a apropriação do seu próprio desenvolvimento, a oficial da ONU chamou-a de “um gatilho do desenvolvimento sustentável”.
Preenchendo a lacuna - A consultora especial chamou a atenção para uma divisão cada vez maior entre oportunidades e marcos de desenvolvimento. “A distribuição desigual das vacinas contra a COVID-19 é mais um exemplo que segue a barreira digital e de energia, segregando países e continentes”, disse ela.
“Esta é a nossa oportunidade de pôr fim a um ciclo vicioso, promovendo transições de longo alcance que, com base no espírito de solidariedade global, permitem uma transformação em todas as áreas do desenvolvimento”.
Girar a chave - Durante uma reunião na semana passada, o presidente presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, disse que os estados-membros apresentaram as melhores práticas para alavancar as indústrias culturais e criativas em planos de recuperação para apoiar a entrega dos ODS. Bozkir descreveu tais práticas como "um impulsionador chave do desenvolvimento sustentável" com a capacidade única de mudar o comportamento humano.