PNUD implementa sistemas de irrigação movidos a energia solar em comunidades quilombolas do Piauí
31 maio 2021
- O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) implementa sistemas de irrigação movidos por energia solar em comunidades do semiárido piauiense. O projeto promove alternativas para o enfrentamento da seca e vai ao encontro da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
- Nos últimos três anos, foram instalados sistemas de irrigação em 10 comunidades em situação de vulnerabilidade, entre agricultores familiares e quilombolas. O projeto inclui, ainda, o monitoramento do desempenho dos sistemas e a capacitação das comunidades para sua manutenção.
- O Piauí foi escolhido para a implementação da iniciativa por seu elevado nível de concentração de pobreza e desigualdade. O estado possui o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio de 0,646, classificado na posição 24 entre as 27 Unidades da Federação.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) promove alternativas para o enfrentamento da seca em comunidades em situação de vulnerabilidade no semiárido piauiense. O uso da energia solar para bombeamento de água foi um dos 12 projetos selecionados pelo Innovation Challenge, iniciativa do PNUD Brasil para financiar experiências e metodologias de inovação nas cadeias de produção nos estados do Piauí e Amazonas.
A ideia foi criar redes de parcerias locais de forma a acelerar o alcance da Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Cada iniciativa selecionada recebeu financiamento de R$100 mil. Proposto pela Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (FADEX), o projeto de irrigação inclui o monitoramento do desempenho dos sistemas e a capacitação das próprias comunidades para sua manutenção.
Nos últimos três anos, foram instalados sistemas de irrigação em 10 comunidades em situação de vulnerabilidade do semiárido piauiense, entre agricultores familiares e quilombolas, explica o professor do curso de Engenharia Elétrica da UFPI e coordenador do projeto proposto pela FADEX, Marcos Lira.
Prejuízos da seca - Líder da comunidade quilombola de San Martin, em Paulistana (PI), a agricultora Milena Martins, de 35 anos, só plantava hortaliças, como alface, cebola e tomate, no período chuvoso. Quando chegava a seca, em agosto e setembro, a plantação morria, assim como as de outras 100 famílias que vivem da agricultura familiar no município do semiárido piauiense.
O cenário começou a se transformar a partir de 2020, quando foi instalado um sistema de irrigação movido por energia solar, desenvolvido por projeto de extensão da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e financiado pelo PNUD.
“É uma experiência que deu certo e precisa ser expandida para outras regiões, principalmente no semiárido, que é bem seco, onde as pessoas até têm condições financeiras para perfurar um poço artesiano, mas não têm energia elétrica e não conseguem equipá-lo para fazer a água subir”, explica Martins. “Ao final, serão 11 sistemas de energia fotovoltaica em 11 comunidades diferentes, nos municípios de Oeiras, Campo Maior, José de Freitas, Paulistana, Currais, Esperantina. Após a instalação do último sistema, aproximadamente 50 famílias serão atendidas”, declara.
Lira explica que foram três os critérios para a escolha das comunidades: elas precisavam ter um poço cacimbão (com profundidade de no máximo 15 metros), não ter acesso a energia elétrica e utilizar a irrigação para a agricultura familiar. Cada poço pode bombear 5 mil litros de água por dia. Em Oeiras, um sistema maior foi instalado, bombeando 5 mil litros por hora.
Os municípios estão localizados em um raio de 40 km a 600 km de Teresina. “A ideia não foi concentrar os sistemas em um só município, e sim difundir essa tecnologia para a maior quantidade de municípios possível”, diz Lira.
Ele explica que o projeto pretendia aproveitar duas das principais riquezas piauienses: o lençol freático e o aquífero, “o mais rico do Brasil”, e a radiação solar. “O Piauí concentra os maiores índices de radiação solar do país”, afirma. “É uma solução tecnológica com apelo socioeconômico e ambiental: levar água para pessoas que não têm, dar mais conforto de vida. Comunidades que puxavam carretel com esforço físico extremo foram beneficiadas. Algumas já estão plantando e comercializando alface.”
A líder quilombola Milena Martins ressalta que a cada dia aumenta o número de famílias utilizando o novo sistema de irrigação. “Quando acabam as águas das reservas, passa o período chuvoso, o poço favorece muito. Também utilizamos a água nos tanques de criação de peixe”, diz.
Estratégia do PNUD - O financiamento dos projetos do Innovation Challenge parte da estratégia do PNUD baseada na importância de concentrar esforços em áreas com grande concentração de população vulnerável, em particular no Norte e Nordeste do Brasil, desenvolvendo projetos que estejam alinhados com os aceleradores dos ODS mapeados para a região.
Também se encaixa no objetivo da organização desenvolver e ampliar parcerias não apenas com governos, mas com sociedade civil, setor privado, universidades e doadores internacionais como uma forma de impulsionar iniciativas alinhadas à Agenda 2030.
“Os pequenos negócios exercem papel fundamental para a geração de renda e empregabilidade no Piauí, especialmente aqueles ligados aos produtores de base familiar. Esse é um dos setores destacados no diagnóstico do PNUD como acelerador para o desenvolvimento sustentável do estado”, afirma o coordenador do PNUD no Piauí, Maurilo Cesar de Sampaio Oliveira.
“Nesse contexto, o projeto foi especialmente importante, porque proporcionou identificar e apoiar iniciativas que, por seu caráter inovador, contribuem de forma muito efetiva para a superação de gargalos que historicamente dificultam o desenvolvimento destes negócios”, completa.
O Piauí foi escolhido para a implementação da iniciativa Innovation Challenge por seu elevado nível de concentração de pobreza e desigualdade. O estado possui o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio de 0,646, classificado na posição 24 entre as 27 Unidades da Federação.