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Até 400 mil podem ser deslocados por novas erupções de vulcão na RD Congo, alerta UNICEF

31 maio 2021

  • Desde a última erupção do Monte Nyiragongo, no dia 22 de maio, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) acompanha e presta atendimento aos atingidos na região de Goma, na República Democrática do Congo (RDC).
  • Alertas de possíveis novas erupções de um dos vulcões mais ativos do mundo levaram ao temor de que, ao todo, mais até 400.000 pessoas - quase 280.000 crianças - possam ser deslocadas para fugir da lava.
  • Entre os milhares que já deixaram suas casas, quase mil crianças que haviam sido separadas de seus pais em meio ao caos após a erupção já foram identificadas e estão sendo reunidas com suas famílias. Outras 142 crianças foram colocadas em famílias adotivas transitórias, enquanto 78 estão em centros de acomodação em trânsito.
  • Em resposta à crise, o UNICEF também está auxiliando em serviços de informação e organizando a entrega de itens essenciais não alimentares - como galões e lonas, além de fornecer equipamentos de água e saneamento, de vital importância em uma área propensa a surtos de cólera.
As crianças correm risco após a erupção vulcânica em Goma, na República Democrática do Congo.
Legenda: As crianças correm risco após a erupção vulcânica em Goma, na República Democrática do Congo.
Foto: © Olivia Acland/UNICEF

Com medo de que um dos vulcões mais ativos do mundo possa entrar em erupção novamente na República Democrática do Congo (RDC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está alertando que até 400.000 pessoas - quase 280.000 crianças - podem ser deslocadas e precisam de proteção ou suporte, se o êxodo atual continuar.

A lava foi expelida da enorme cratera do Monte Nyiragongo no dia 22 de maio e se expandiu lentamente, fazendo com que milhares fugissem de Goma, uma cidade de cerca de dois milhões de habitantes. Pelo menos 32 pessoas morreram como resultado direto da erupção, incluindo três crianças, enquanto 40 pessoas foram dadas como desaparecidas, segundo o UNICEF.

A agência disse em um comunicado que apoia os "esforços dedicados" do governo da RDC para proteger as pessoas que vivem na Zona Vermelha do leste de Goma dos riscos associados a novas erupções e está alertando para o potencial de que as crianças correm maior risco de novas evacuações em massa.

“Sempre que grandes grupos de pessoas são deslocados em um curto período de tempo, os perigos para as crianças aumentam”,  advertiu o representante do UNICEF na RDC, Edouard Beigbeder. “Devemos estar alertas aos riscos imediatos para as crianças em trânsito, incluindo questões de proteção, nutrição e riscos à saúde, incluindo doenças transmitidas pela água e, especialmente, a propagação da cólera”.

Novo êxodo - Milhares dos que deixam Goma por causa da ameaça estão indo para a cidade vizinha de Sake - 25 km a noroeste da cidade - uma área sujeita a surtos de cólera, onde pelo menos 19 casos suspeitos foram registrados nas últimas duas semanas.

“Com o aumento do perigo de uma epidemia de cólera, estamos pedindo ajuda internacional urgente para evitar o que ameaça ser uma catástrofe para as crianças”, acrescentou o Beigbeder.

Muitas das milhares de pessoas fugiram de Goma após a erupção de 22 de maio foram para Sake.

Uma ordem das autoridades na quinta-feira (27) para que os moradores dos dez bairros no leste de Goma conhecidos como Zona Vermelha desocupem suas casas imediatamente gerou um novo êxodo em massa, disse o UNICEF. Essa Zona é considerada a parte da cidade que corre o maior risco de lava ser atingida pela lava.

O céu fica vermelho sobre o complexo da ONU em Goma, no leste da República Democrática do Congo, após a erupção do vulcão Monte Nyiragongo.
Legenda: O céu fica vermelho sobre o complexo da ONU em Goma, no leste da República Democrática do Congo, após a erupção do vulcão Monte Nyiragongo.
Foto: © Tsok James Bot/MONUSCO

Muitos dos que fugiram na quinta-feira (27) viajaram a pé, carregando colchões e utensílios de cozinha, enquanto outros escaparam de carro ou de motocicleta.

Famílias sendo reunidas - Quase mil crianças que foram separadas de seus pais em meio ao caos após a erupção de sábado já foram identificadas, com o UNICEF ajudando a reunir cerca de 700 crianças com as famílias.

Outras 142 crianças foram colocadas em famílias adotivas transitórias, enquanto 78 estão em centros de acomodação em trânsito. “Tragicamente, mais de 170 famílias ainda procuram crianças perdidas. O UNICEF está agora preocupado que o caos das últimas evacuações resulte em mais crianças sendo separadas de suas famílias”, disse o comunicado de imprensa.

A resposta aumenta - Em resposta à crise, o UNICEF está organizando a entrega de itens essenciais não alimentares - como galões e lonas, além de fornecer equipamentos de água e saneamento (WASH), de vital importância.

Também foram tomadas medidas para estabelecer um Centro de Informações sobre Vulcões, acessível através do sistema de SMS gratuito, que desempenhou um papel crucial no tratamento da desinformação sobre a erupção e até agora foi usado por mais de 5.200 pessoas.

Avaliações de necessidades também foram realizadas em todas as principais áreas do programa do UNICEF - incluindo WASH, proteção à criança, educação, saúde, comunidade para o desenvolvimento e nutrição - todas contribuições de ajuda vitalmente importantes na RDC que permanecem criticamente subfinanciadas.

A agência disse estar trabalhando em estreita colaboração com o Governo da RDC, especialmente nas áreas de saúde e nutrição.

Até 400 mil podem ser deslocados por novas erupções de vulcão na RD Congo, alerta UNICEF

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância

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