Refugiados usam a culinária de seus países para se integrar no Brasil

  • Todos os dias milhares de pessoas são forçadas a deixar suas casas devido a perseguições, violência e violações de direitos humanos. Uma vez em um novo país, os refugiados enfrentam diversas barreiras na hora de reconstruir suas vidas. É preciso aprender um novo idioma, uma nova cultura e se recolocar no mercado de trabalho. No último ano, a pandemia de COVID-19 tornou todo esse processo ainda mais desafiador.
  • A Agência da ONU para refugiados (ACNUR) separou histórias de pessoas que encontraram na gastronomia e no empreendedorismo a chave para uma nova vida, agora em solo brasileiro.
Refugiados empreendem na gastronomia.
Refugiados empreendem na gastronomia.

Todos os dias milhares de pessoas são forçadas a deixar suas casas devido a perseguições, violência e violações de direitos humanos. Uma vez em um novo país, os refugiados enfrentam diversas barreiras na hora de reconstruir suas vidas. É preciso aprender um novo idioma, uma nova cultura e se recolocar no mercado de trabalho. No último ano, a pandemia de COVID-19 tornou todo esse processo ainda mais desafiador.

A Agência da ONU para refugiados (ACNUR) separou histórias de pessoas que encontraram na gastronomia e no empreendedorismo a chave para uma nova vida, agora em solo brasileiro. Para conferir a história de outros empreendedores refugiados no Brasil, acesse aqui a plataforma Refugiados Empreendedores.

Sabores da América Latina

Aronny, 35 anos, natural da Venezuela, produtora de queijos em Boa Vista

Aronny é venezuelana, formada em direito na Colômbia e em administração no Brasil. Deixou seu país de origem ainda em 2012 para trabalhar com seu pai na pecuária do norte do país. Com o conhecimento que adquiriam na prática e fazendo cursos para empreendedores em Roraima, criaram com muito esforço a marca Sr. Micho.

“Meu pai me fornece o leite e eu produzo os queijos, de duas variedades, geralmente para abastecer os mercados locais. Mas também soubemos diversificar a nossa clientela para atender diretamente ao público que nos procura, fazendo assim que o queijo saia da fazenda diretamente para mesa do consumidor, fresquinho”, ressaltou a produtora. Leia a história completa de Arrony.

Hernan, 35 anos, natural da Colômbia, chef em São Paulo

Hernan teve que deixar a Colômbia, seu país de origem, devido às ameaças e violência que afetavam não somente seus negócios, mas também impactavam diretamente a vida de sua família. Logo ao chegar em São Paulo e com duas formações técnicas, em engenharia civil e gastronomia, Hernan optou por aquela que toca o seu coração para recomeçar a sua vida no país.

“Eu sempre gostei da gastronomia e tive a oportunidade de trabalhar neste segmento por onde passei: na Colômbia, no Equador e agora no Brasil. Aprendi na teoria e na prática como servir com qualidade nossos clientes, mantendo a tradição de quem somos e por onde passamos”, disse o chef. Leia a história completa de Herman.

Carlos e Marifer, 36 e 38 anos, naturais da Venezuela, chefs em São Paulo

O casal Carlos e Marifer vive atualmente em São Paulo, mas a situação da Venezuela fez com que eles tivessem que deixar o país em diferentes momentos. O jornalista e a professora de história e geografia sentiram no próprio corpo os desafios que a realidade impôs. Mas, desde a chegada em São Paulo, eles buscaram se adaptar à capital paulista e fundaram o Nossa Janela, um serviço de catering de alimentos orgânicos para eventos.

“Já não temos demandas por eventos, mas agora estamos servindo aos pedidos de famílias que nos contatam pelas redes sociais, entregando refeições e sobremesas orgânicas, com receitas típicas da Venezuela. Também participamos de ações sociais para ajudar quem não tem nem mesmo possibilidade de gerar renda neste momento”, disse Carlos, que recentemente conseguiu trazer seus pais para o Brasil. Leia a história completa de Carlos e Marifer.

Jair, 41 anos, natural da Colômbia, chef em São Paulo

Engenheiro mecatrônico de formação, o colombiano Jair chegou no Brasil há sete anos, tendo que escapar do acirramento da violência de Bogotá. Na ocasião, Jair trabalhava como subchefe em uma tradicional rede de restaurantes, tendo já se especializado em comida andina. No Brasil, Jair empreendeu seu próprio negócio ao gerenciar um foodtruck que servia um vasto cardápio de pratos típicos do seu país.

“Quando cheguei em São Paulo, fiquei impressionado com o tamanho da cidade e com a diversidade gastronômica daqui. Mesmo sendo de países vizinhos, os costumes são bem diferentes e isso traz justamente um tempero especial para quem gosta de cozinhar, como eu”, contou o chef colombiano. Leia a história completa de Jair.

Liliana, 41 anos, natural da Colômbia, chef em São Paulo

Liliana cozinha por paixão desde adolescente, quando ainda vivia na Colômbia. Ela chegou ao Brasil em 2014 para fugir da pressão que os narcotraficantes exerciam sobre moradores e comerciantes da região onde vivia. Desde sua chegada em São Paulo, Liliana viu na gastronomia a oportunidade de recomeçar a sua vida.

“Adaptei alguns ingredientes, mas mantenho o que é tradicional dos pratos colombianos. Também tivemos que adaptar nossos modelos de negócio e nossa vida como um todo, mas vamos sair mais unidos dessa crise, nossos esforços conjuntos sempre valem a pena”, comentou a talentosa e esforçada chef que supera os desafios da pandemia através das redes sociais do Arepas Urbanika, que combina o cardápio com a explicação cultural por trás de cada prato. Leia a história completa de Liliana.

Yilmary, 37 anos, natural da Venezuela

Yilmary e sua família vivem no Brasil há quatro anos, em São Caetano do Sul (SP). Ela é terapeuta ocupacional de formação e se reinventou no Brasil através da gastronomia, pois não conseguiu um trabalho que conciliasse seu interesse profissional com a atenção necessária aos filhos pequenos. A família teve que deixar a capital da Venezuela, Caracas, por ameaças e tentativas de extorsão de milícias.

Ela manteve as tradições e os temperos que aprendeu na Venezuela por também ser uma forma de conexão com suas memórias de afeto: a casa que tinha, a companhia dos familiares e amigos, a vida que tinha. “Os alimentos incorporam a intenção daquilo que fazemos. Por isso é que faço tudo com amor, atendo as demandas com o melhor de mim para entregar a comida mais saborosa que alguém já provou”. Leia a história completa de Yilmary.

Juan, natural da Venezuela, empreendedor em Manaus

O empreendedorismo está no sangue de Juan que, desde criança, via a mãe, Suhail, liderar um restaurante em Maracaibo, na Venezuela. Ele conta que a família tinha uma condição confortável, mas resolveu vir para o Brasil devido à crise que assola o país natal.

Já mais estabelecido no país, e com o apoio de Suhail, Juan abriu em outubro do ano passado a Jeito Marabino. “O cardápio foi elaborado pela minha mãe, que é chef de cozinha formada, e eu dei algumas ideias mais modernas”, explicou Juan, que tem como o carro-chefe do empreendimento o patacón, prato feito à base de banana, mas que foi adaptado ao paladar do público brasileiro. Leia a história completa de Juan.

Gresliz, Lucia, Celeste e Bladmir, naturais da Venezuela, confeiteiros em Boa Vista

Uma iniciativa que nasceu entre amigos. Assim surgiu a Migos Donuts. A ideia para o empreendimento veio depois que o casal Gresliz e Bladimir comentou com as amigas Lucia e Celeste sobre o quanto sentiam falta de encontrar o doce, bastante popular na Venezuela, na cidade de Boa Vista.

O cardápio da Migos conta com donuts tradicionais, recheados e especiais. Os clientes também podem se deliciar com miguitos, que são bolinhos de donuts, e canollis. Para Gresliz, o segredo do sucesso está no produto sempre fresquinho. “Da Migos não sai um donut feito no dia anterior, tudo é feito no mesmo dia da venda”, explicou. Os empresários começam 2021 cheios de planos, entre eles de revender os produtos em vários pontos de Boa Vista, e, quem sabe, ampliar os negócios para outras cidades da região. Leia a história completa de Gresliz, Lucia, Celeste e Bladmir.

Gabier e Alba, naturais da Venezuela, chefs em Belém

Gabier chegou ao Brasil para representar seu país. Ele veio para Belém do Pará em 2014, com a missão de ser vice-cônsul da Venezuela. Seu afastamento do cargo se deu por motivos políticos e Gabier passou a ser alvo de críticas de pessoas ligadas ao governo, se desligando do consulado em 2017 e ficando no Brasil. A dificuldade em se relocar no mercado brasileiro abriu oportunidade para que o casal revesse um sonho antigo.

"Nesse momento resolvemos pôr em prática uma ideia que tínhamos há tempo, abrir um espaço onde pudéssemos exaltar a cultura latina”, contou Gabier. Surgia, então, o Siguaraya Gastronomia e Cutlura Latina. O local oferece além da gastronomia latino caribenha, uma playlist cuidadosamente escolhida para que o cliente se sinta, de fato, no Caribe. A aceitação dos pratos típicos surpreendeu o casal, que conta que os maiores sucessos do Siguaraya são as arepas com recheios como fraldinha e queijo e o patacón, prato feito a base de banana verde, com acompanhamentos diversos. Leia a história completa de Gabier e Alba.

Alberto, natural da Venezuela, chef em Brasília

Desde quando saiu da Venezuela, em 2018, Alberto já pensava em empreender. Com experiência na área da gastronomia Alberto abriu a Gringo Hambúrguer. Além de juntar suas economias, para viabilizar o empreendimento, ele conta que pegou um empréstimo de R$ 10 mil reais para comprar alguns equipamentos e mercadorias para produzir os pratos. No começo de sua trajetória como empresário no Brasil, Alberto enfrentou alguns desafios como a falta de conhecimento das normas e legislações do país.

Além de servir deliciosos hambúrgueres, o restaurante se destaca pelas generosas porções de batata frita, servidas com acompanhamentos como carne com chilli, filé mignon e bacon. Além de serem oferecidos no restaurante, os pratos podem ser entregues aos clientes tanto por meio de um delivery próprio, em parceria com um ponto de moto táxi da região, quanto por aplicativos. Leia a história completa de Alberto.

Ledison e Dainey, naturais da Venezuela, músicos e chefs em Vitória da Conquista

O casal de músicos Ledison e Dainey chegou no Brasil há pouco mais de um ano. Foram cinco dias de viagem incessante, com todos seus pertences em duas malas, para que eles chegassem ao destino pretendido: Vitória da Conquista, na Bahia. O começo da vida no Brasil exigiu esforços para que eles alcançassem o que almejavam. Como forma de complementar a renda do casal, responsável pelo sustendo de uma família de seis pessoas, Dainey empreendeu no segmento de gastronomia.

“O tequenho é um dos quitutes mais populares da Venezuela, como se fosse o pão de queijo brasileiro. Como forma de complementar as aulas dadas pelo meu marido, abrimos nosso próprio canal pelas redes sociais para diversificar a fonte de renda”, contou Dainey, que é professora de musicalização infantil, mas não conseguiu, por enquanto, emprego na área. Leia a história completa de Ledison e Dainey.

Lilitza, natural da Venezuela, chef em Boa Vista

Lilitza chegou ao Brasil em 2017, após deixar a Venezuela com sua família. Dois anos depois ela fundou o Arepas Reina Pepeada para ter uma fonte de renda Brasil.

“Oferecemos um serviço de qualidade para satisfazer o paladar de nossos clientes, fornecendo também intercâmbio cultural. Adaptamos nossos produtos para os consumidores provarem a gastronomia venezuelana com o sabor brasileiro, uma proposta única e deliciosa”, afirmou Lilitza, que é engenheira química de formação. Leia a história completa de Lititza.

Luísa, natural da Venezuela, confeiteira em Belo Horizonte

Luísa chegou ao Brasil, com o marido e dois filhos, em 2018. A dificuldade em encontrar empregos em Boa Vista fez com que a família fosse para Belo Horizonte, por meio da estratégia de interiorização do governo federal. Luísa contou que encarou a chegada ao Brasil como um novo começo e, por isso, resolveu empreender na área de gastronomia.

O empreendimento foi uma maneira de matar as saudades do país de origem. “Um dia meu marido disse que estava com vontade de comer um quitute da Venezuela, e eu preparei golfeado para ele”, contou Luísa. O crescimento do empreendimento de Luísa foi orgânico, e contou com a propaganda de amigos, que provavam as delícias preparadas pela talentosa confeiteira, e divulgavam seus serviços para outras pessoas. Leia a história completa de Luísa.

Maria Gabriela, natural da Venezuela, chef no Rio de Janeiro

Maria Gabriela chegou ao Brasil em 2017, grávida de oito meses e junto com o marido e com dois filhos.  Foi nas lembranças cheias de afeto e saudade dos almoços de domingo que oferecia para a sua família na Venezuela, que Maria Gabriela teve a ideia de vender comida para fora e criou o Comida Chevere RJ.

O primeiro prato que ela fez para vender foi o Pabellón: feijão, arroz, carne desfiada e banana da terra frita. “Aos poucos fui ampliando o cardápio me lembrando do que cozinhava para a minha família”, contou a chef, que passou a preparar outras delícias típicas como lasanha de banana da terra, empanadas, arepas [salgado feito de milho] e patacón [discos de banana frita], tudo com um toque de tempero brasileiro. Leia a história completa de Maria Gabriela.

Vicmalia, natural da Venezuela, confeiteira em Manaus

Confeiteira de mão cheia, Vicmalia produzia e vendia doces junto com sua irmã em Ciudad Guayana, na Venezuela. Sua trajetória da Venezuela até o Brasil não foi fácil. Ela conta que deixou a Venezuela junto com a família levando apenas 50 dólares no bolso. Eles chegaram em Pacaraima e, 15 dias depois foram para Manaus. Vicmalia contou que, sem nenhum contato na capital amazonense, chegou a dormir na rua até ser levada para um abrigo, onde ficou por cerca de seis meses.

Desde outubro, ela e o esposo se dedicam integralmente a Vicmar Criações, produzindo sobremesas, bolos, bombons, tortas e outros doces – sendo o maior sucesso o bolo de chocolate com coco. Enquanto Vicmalia é responsável por preparar os produtos em sua casa, cabe ao seu marido comprar os ingredientes e fazer as entregas. Ela explicou que as redes sociais foram importantes aliadas na hora de impulsionar as vendas, mas também contou com uma rede de amigos e conhecidos em Manaus, que viraram sua clientela fiel. Leia a história completa de Vicmar.

Ruth, natural da Venezuela, confeiteira em Boa Vista

Quando veio da Venezuela para o Brasil, Ruth pensava em seguir trabalhando na sua área de formação, como cabelereira, o que acabou não dando certo pelas dificuldades de não falar o português fluentemente. Como solução, ela começou a fazer bolos para vender.

Sua primeira iniciativa foi deixar o produto em um salão de beleza de Boa Vista, para que os clientes pudessem degustar. Aos poucos, o negócio foi crescendo, e ela passou a atender clientes corporativos, festas e eventos. Atualmente Ruth conta com um cardápio amplo composto por bolos, tortas salgadas, e outros doces. Ela contou que os produtos favoritos dos clientes são os bolos de chocolate, de canela e de macaxeira com coco. “Aprendi um pouco do Brasil, misturei a cultura venezuelana e um pouquinho também da colombiana, de onde vieram meus avôs”. Leia a história completa de Ruth.

Rosalva e Lester, naturais da Venezuela, chefs em São Paulo

A situação de insegurança social e econômica na Venezuela fez com que Rosalva e seu marido, Lester, tivessem que deixar o país para buscar proteção internacional no Brasil, tornando-se refugiados em São Paulo. No país de origem, Rosalva trabalhava como engenheira elétrica e Lester era administrador, mas eles já tinham o desejo conjunto de abrir um restaurante e dar cursos de culinária típica venezuelana.

“Quando chegamos aqui, implementamos nosso sonho. Começamos com um carrinho ambulante e com o apoio de meu irmão, apresentamos nosso cardápio para os brasileiros. Depois de alguns meses compramos um food truck que agora, infelizmente, está parado. Nesse momento estamos trabalhando como um ponto fixo em casa para fazer entregas por delivery”, comentou Rosalva. Leia a história completa de Rosalva e Lester.

Carlos, 58 anos, natural da Venezuela, padeiro no Rio de Janeiro

O venezuelano Carlos chegou ao Brasil há pouco tempo, cerca de seis meses. Administrador de empresas de formação, por conta da recém-chegada ao país, Carlos já teve que adaptar seu conhecimento para a nova realidade em processo de dupla mudança: chegada a um novo país e quarentena para que todos fiquem em casa, elementos que dificultam o processo de integração.

“Ao chegar aqui ao Brasil, país que sou grato pela acolhida e oportunidades, não perdi tempo e já corri atrás de remodelar meus conhecimentos para arregaçar as mangas e trabalhar: pães, algo que eu adoro e que aprendi a fazer com amor”, disse o padeiro. Carlos se inscreveu em um curso de panificação e se especializou na produção artesanal, trabalhando com fermentação natural e biológica. Leia a história completa de Carlos.

Adriana, 33 anos, natural da Venezuela, chef em São Paulo

Natural da Venezuela, Adriana é formada em gerência e administração de recursos humanos e chegou ao Brasil em 2016, depois de ter passado pela Colômbia. Além da sua formação profissional, Adriana foi atleta regional de escalada esportiva na Venezuela, tornando-se no Brasil empreendedora de seu próprio negócio: uma loja de café e doces artesanais na região de Perdizes, em São Paulo.

“Estou muito agradecida pela acolhida que o Brasil me deu e gostaria de retribuir com a qualidade dos produtos que eu sirvo, feitos de forma artesanal, com muito carinho para que possam sentir um gostinho do que é a Venezuela, mesmo sem ter estado por lá”, concluiu Adriana. Leia a história completa de Adriana.

Miguel, natural da Venezuela, empreendedor em Boa Vista

A chegada de Miguel ao Brasil foi marcada por dificuldades. Natural da Venezuela e formado em Contabilidade, ele já não encontrava emprego na área em seu país natal no ano de 2015. Já no Brasil, Miguel lançou a Ay Que Rico, um foodtruck de arepas e pasteis que fica no estacionamento do Estádio Canarinho. Além de mandar construir o veículo, ele trouxe parte de sua família da Venezuela para trabalhar no empreendimento. Ele contou que a ideia era abrir seu próprio negócio e também viabilizar uma ajuda mais consistente para a família que ficou no país natal.

“Para mim não existe coisa ruim. As coisas acontecem e, mesmo não gostando delas, é necessário ver o que você vai aprender”, contou ele, sobre sua forma de encarar a pandemia e os outros desafios que encontra ao longo do caminho. Leia a história completa de Miguel.

Sabores árabes

Mouhammad, 32 anos, empresário em São Paulo

Empreender não é uma tarefa fácil, ainda mais quando a proposta é ter um espaço físico. O já tradicional restaurante e espaço cultural Majaz, localizado no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, já havia se tornado uma referência de gastronomia palestina pelo cardápio de ingredientes árabes tradicionais com receitas familiares.

“Nosso ambiente é todo diferenciado, em suas diversas linguagens. O cheiro advindo dos pratos que servimos, a equipe de refugiados palestinos, sírios e senegaleses que trabalham conosco, o espaço cultural ‘Ghasan Kanafani’ que temos para exposições e debates, as decorações das paredes com os nomes dos campos de refugiados palestinos… Nosso espaço está fechado, mas nosso atencioso serviço serve aberto”, disse Mouhammad, proprietário do restaurante que existe há mais de dois anos. Leia a história completa de Mouhammad.

Maria Elias, 55 anos, natural da Venezuela, Chef no Rio de Janeiro

Maria Elias é uma mulher que, por meio de seu talento na cozinha, uniu continentes. Nascida na Venezuela e filha de libaneses, chegou ao Brasil com sua família em 2015 para reconstruir sua vida no Rio de Janeiro. Antes de ser reconhecida como refugiada no Brasil, Maria Elias já havia visitado o país e se encantado com a atmosfera da capital fluminense, onde inaugurou um empreendimento de comidas libanesas.

“Eu gosto como a mistura de sabores das minhas raízes do Líbano, do meu paladar da Venezuela e dos infinitos temperos deste país maravilhoso, o Brasil, somam-se em tudo o que faço. Como sempre tive gosto pela culinária, resolvi investir neste meu talento natural. Agora, neste momento de pandemia, reforcei os contatos online para que as entregas dos pratos sem corantes ou conservantes, mas com muito sabor, sejam mantidos”, disse a orgulhosa chef. Leia a história completa de Maria Elias.

Conheça outras histórias de refugiados sírios que também encontraram na culinária um meio de vida clicando aqui.

Sabores da República Democrática do Congo (RDC)

Sylvie, 38 anos, natural da RDC, chef em São Paulo

A chegada da advogada Sylvie ao Brasil, em 2013, foi complicada. Escondeu-se por 45 dias em um navio cargueiro com seus filhos pequenos, justamente para fugir do contexto de conflito armado em seu país de origem, a República Democrática do Congo. Já em São Paulo, Sylvie apostou em seu capital cultural como meio de gerar renda.

Passou a fazer palestras, dar aulas de francês, promover encontros culturais e trabalhar com moda e gastronomia, produzindo as delícias dos pratos congoleses para eventos. “Minha história de constante superação é o que me estimula a seguir adiante, tendo como foco compartilhar meus conhecimentos e as experiências que estão em tudo o que faço. A alegria de fazer o que gosto reflete o que entrego, com muito amor e dedicação”, afirmou Sylvie. Leia a história completa de Sylvie.

Pitchou Luamba, 38 anos, natural da República Democrática do Congo

Pitchou chegou ao Brasil em 2010 em busca de proteção internacional devido aos conflitos armados no seu país de origem, a República Democrática do Congo. Formado em direito, ao chegar no Brasil Pitchou atuou como professor de francês e ator. Em 2014 começou a empreender no Brasil e fundou o Congolinária, um restaurante vegano africano referencial em São Paulo.

“Tornei-me empreendedor no segmento de gastronomia porque me identifiquei com o fato de trazer para os pratos que preparo a cultura – e os gostos variados – tão diversa que temos no Congo. Como tempero especial, posso dizer que uso as lembranças da minha terra e o fato de sempre querer servir bem a quem tem interesse em saber mais sobre minha cultura”. Leia a história completa de Pitchou.

Projeto Malewa Food, naturais da República Democrática do Congo e do Gabão, chefs em Belo Horizonte

A proposta do Malewa Food é quebrar os preconceitos e estereótipos que muitos brasileiros ainda têm sobre o continente africano. Além dela, outras cinco mulheres, da República Democrática do Congo e do Gabão fazem parte do projeto, que se reúne quinzenalmente para cozinhar pratos típicos de diversos países da África.

“As pessoas direto associam África com pobreza. Queremos mostrar que além disso o continente tem uma diversidade cultural muito grande. Queremos mostrar outro lado da África, de diversidade, de cor e de amor”, explicou Olga, uma das integrantes do grupo que é natural da República Democrática do Congo. Leia a história completa sobre o Projeto Malewa Food.

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Dar visibilidade aos negócios liderados por empresários refugiados no Brasil é o objetivo da plataforma Refugiados Empreendedores, desenvolvida pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).

Acesse a plataforma e conheça a história de outros refugiados empreendedores.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados