Guterres: 2021 deve ser ano em que o mundo volta ao caminho certo

  • Em discurso na Conferência de Segurança de Munique, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que países do G-20 criem um plano global de vacinação e se comprometam com a neutralidade de gases de efeito estufa até 2050. Ele lembrou que os “testes e desafios globais estão ficando maiores e mais complexos.” 
  • A Conferência acontece de forma virtual e contou com a participação da líderes como a chanceler da Alemanha e os presidentes da França, dos Estados Unidos e do Reino Unido.  
  • Para Guterres, “2021 deve ser o ano para voltar ao caminho certo” e a chance para isto está na recuperação da pandemia.
António Guterres participa virtualmente da Conferência de Segurança de Munique
António Guterres participa virtualmente da Conferência de Segurança de Munique

Em discurso na Conferência de Segurança de Munique, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que países do G-20 criem um plano global de vacinação e se comprometam com a neutralidade de gases de efeito estufa até 2050. Ele lembrou que os “testes e desafios globais estão ficando maiores e mais complexos.” 

A Conferência acontece de forma virtual e contou com a participação da líderes como a chanceler da Alemanha e os presidentes da França, dos Estados Unidos e do Reino Unido.  

António Guterres disse que as respostas da comunidade internacional “continuam fragmentadas e insuficientes”, apesar do aumento dos desafios. Ele lembrou que a COVID-19 expôs fissuras e fragilidades profundas, que vão muito além de pandemias e saúde pública. 

Segundo ele, a catástrofe climática está se aproximando, a desigualdade e a discriminação estão rasgando o tecido social, a corrupção está destruindo a confiança e a luta pelos direitos das mulheres enfrenta um retrocesso.  Além disso, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não estão sendo alcançados, o comportamento no ciberespaço criou novos vetores de instabilidade e até o regime de desarmamento nuclear está se desgastando. 

Para Guterres, “2021 deve ser o ano para voltar ao caminho certo” e a chance para isto está na recuperação da pandemia. 

Prioridades - O secretário-geral destacou quatro prioridades para a comunidade internacional. A primeira é um Plano Global de Vacinação. Guterres disse que o grupo das maiores economias do mundo (G-20) está bem posicionado para estabelecer uma Força-Tarefa de Emergência para preparar esse plano e colocou todo o Sistema das Nações Unidas a disposição para apoiar esse esforço. 

A segunda é a neutralidade de gases de efeito estufa até meados do século. Nesse momento, países que representam mais de 65% das emissões e mais de 70% da economia mundial já assumiram esse compromisso. Agora, Guterres lançou o desafio de expandir essa aliança para 90% até à Conferência do Clima da ONU, que acontece em novembro, em Glasgow. Ele sugeriu etapas concretas: precificar o carbono, acabar com os subsídios a combustíveis fósseis e reinvestir esses fundos em energia renovável e em uma transição justa. 

A terceira prioridade é aliviar as tensões geopolíticas. Para Guterres, não é possível resolver os maiores problemas quando as maiores potências estão em conflito. O secretário-geral afirmou que o mundo “não pode permitir um futuro em que as duas maiores economias dividam o globo em duas áreas opostas, em uma grande fratura.” Ele reiterou o apelo por um cessar-fogo global. Ele disse que existem “sinais encorajadores em alguns processos de paz teimosos”, mas que a luta continua em outros lugares. 

Por fim,o chefe da ONU disse que é hora de redefinir a governança global para o século 21. Guterres lembrou que “os acordos de segurança coletiva adotados há mais de 75 anos evitaram uma terceira guerra mundial” mas é preciso que esses princípios comuns resistam no século 21. 

Para ele, “isso significa assegurar novas maneiras de fornecer bens públicos globais, para construir uma globalização justa e resolver desafios comuns.” O secretário-geral afirmou, no entanto, que não são precisas novas burocracias. Segundo ele, a resposta é “um multilateralismo em rede que conecta organizações globais e regionais, entidades econômicas e políticas, envolvendo empresas, cidades, universidades e movimentos pela igualdade de gênero, ação climática e justiça racial.” 

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
ONU
Organização das Nações Unidas