Dez anos após desastre, mundo reflete sobre lições aprendidas com Fukushima

  • O secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou os países a investirem os fundos necessários para prevenir e administrar desastres em uma mensagem solene, nesta quarta-feira (10), em memória pelas 18.400 pessoas que morreram ou estão desaparecidas, devido ao terremoto e tsunami que atingiu o Japão há exatamente dez anos atrás.
  • O chefe da ONU também saudou conclusões de um novo relatório, que indica que o desastre na usina nuclear não está causando casos de câncer. 
Tanque danificado em Fukushima Daiichi.
Tanque danificado em Fukushima Daiichi.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou os países a investirem os fundos necessários para prevenir e administrar desastres em uma mensagem solene, nesta quarta-feira (10) em memória pelas 18.400 pessoas que morreram ou estão desaparecidas, devido ao terremoto e tsunami que atingiu Fukushima, no leste do Japão, há exatamente dez anos atrás.

O chefe da ONU também saudou conclusões de um novo relatório, que indica que desastre em usina nuclear não está causando casos de câncer. 

Guterres enviou suas condolências para todos os que continuam sofrendo com a perda de entes queridos e lembrou das pessoas que continuam deslocadas, incapazes de retornar para suas casas por causa de preocupações com a segurança em torno da usina nuclear destruída de Fukushima Daiichi. 

Sobre o desastre, Guterres saudou as conclusões do Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica. Em relatório publicado essa semana (8), o Comitê disse que a radiação libertada pelo acidente parece não estar aumentando os casos de câncer na população. 

“O Japão lidera o mundo em temas de prevenção de desastres”, afirmou o secretário-geral.  Segundo ele, “o país investiu, pesadamente, em reconstruir com mais segurança nos últimos 10 anos”. 

Prevenção 

O secretário-geral disse ainda que o país ajudou a compartilhar as lições aprendidas para o futuro, e deu exemplo do Marco de Sendai para Redução de Risco de Desastres, adotado há seis anos, dizendo que é um projeto global para um mundo mais seguro.  

Segundo ele, para prevenir e gerenciar desastres, “os países precisam planejar, investir, alertar com antecedência e instruir sobre o que fazer.” Também devem priorizar os mais vulneráveis, como as pessoas idosas e pessoas com deficiência.  

Guterres destacou ainda os muitos riscos que o mundo enfrenta hoje, como terremotos, riscos biológicos, pandemias e eventos climáticos extremos, e disse que o mundo deve ser inclusivo, para que “ninguém seja deixado para trás quando ocorre um desastre”.  

A representante Especial da ONU para Redução do Risco de Desastres e chefe do Escritório da ONU para Redução do Risco de Desastres (UNDRR, na sigla em inglês), Mami Mizutori, disse, nesta quarta-feira (10), que “toda a noção de prevenção e preparação para um tsunami nunca foi tão importante”. Segundo ela, o desastre ensinou duras lições sobre como gerenciar o risco de desastre.

No último século, os tsunamis ceifaram mais de um quarto de milhão de vidas, matando em média, cerca de 4.600 por evento, ao longo de 58 ocorrências registradas, de acordo com dados da ONU.

Ela disse que “os desastres estão se tornando muito mais violentos quando estão relacionados à emergência climática. E o número de desastres climáticos de emergência dobrou durante os últimos 20 anos em comparação com os 20 anos anteriores”. 

A Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO está “trabalho para desenvolver sistemas de alerta de tsunami”, disse o secretário-executivo do COI-UNESCO, Dr. Vladimir Ryabinin. 

“Esperamos muito que em 2030 todas as comunidades propensas ao tsunami sejam comunidades prontas para tsunamis”, afirmou o secretário-executivo do COI-UNESCO. “Eles saberão o que deve ser feito, e estarão equipados com os meios necessário para escapar de um tsunami e salvar suas vidas".

Para ele, é muito importante que as pessoas entendam o papel da ciência; estudando os oceanos, o clima e a redução de risco de desastres. "Todas as facetas do desenvolvimento sustentável - pobreza, alimentação, energia, clima e muitos outros ODS dependem da ciência do oceano".

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
ONU
Organização das Nações Unidas
UNDRR
Escritório das Nações Unidas para a Redução de Desastres