UNAIDS apoia pessoas trans durante a pandemia de COVID-19

  • O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e parceiros lançaram o Fundo Solidário para Empreendedorismo Social para Populações-Chave.
  • Em sua fase piloto, o programa apoiará oito empreendimentos sociais liderados pela comunidade trans no Brasil, Gana, Índia, Madagascar e Uganda.
  • As propostas selecionadas pelo Fundo Solidário serão divulgadas no início de abril.
O Kineer Services é uma iniciativa criada pela ativista trans Laxmi Narayan Tripathi com foco na criação de empregos para a comunidade trans na Índia
O Kineer Services é uma iniciativa criada pela ativista trans Laxmi Narayan Tripathi com foco na criação de empregos para a comunidade trans na Índia

Enquanto a pandemia de COVID-19 permanece, as contínuas crises globais de saúde e as consequências econômicas resultantes das medidas impostas para conter o vírus acentuam desigualdades que ameaçam a subsistência das pessoas mais vulneráveis. Essa situação tem acontecido especialmente para as pessoas trans em todo o mundo, que suportaram desproporcionalmente as dificuldades socioeconômicas da pandemia.

Ao reconhecer que o acesso ao financiamento é um fator crítico para a sobrevivência dessas populações vulneráveis durante a crise, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e parceiros lançaram o Fundo Solidário para Empreendedorismo Social para Populações-Chave (Solidarity Fund for Key Population Social Entrepreneurship).

“O Fundo Solidário é um pequeno passo para combater as desigualdades econômicas enfrentadas pelas comunidades trans. Precisamos construir e apoiar pessoas empreendedoras da comunidade trans para encarar a extrema discriminação e vulnerabilidade que a comunidade enfrenta”, disse o diretor de inovações do UNAIDS, Pradeep Kakkattil.

Em sua fase piloto, o programa apoiará oito propostas de empreendimentos sociais liderados pela comunidade trans no Brasil, Gana, Índia, Madagascar e Uganda. O Fundo Solidário financiará uma série propostas e o resultado será lançado no início de abril.

Piloto - Os projetos selecionados para a fase piloto mostraram como as organizações e redes da sociedade civil estão desempenhando um papel fundamental ao fornecer redes de segurança social para as comunidades vulneráveis e populações trans durante a pandemia. A variedade de iniciativas sociais recebidas na primeira chamada de propostas do Fundo é uma prova do talento das organizações lideradas pela comunidade trans diante das dificuldades.

A iniciativa tem apoio do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF). “O UNICEF reconhece a importância fundamental da prevenção do HIV entre as populações-chave jovens se quisermos acabar com a epidemia de AIDS. Acreditamos que esse objetivo pode ser melhor alcançado se capacitarmos diretamente as comunidades. Para as pessoas jovens, estes investimentos produzirão oportunidades para toda a vida”, disse o diretor associado e chefe do Programa de HIV do UNICEF, Chewe Luo.

Brasil - No Brasil, o Grupo De Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) apoia pessoas vivendo com HIV fornecendo-lhes segurança alimentar desde 2016 através do Projeto Cozinha Solidária. Percebendo uma grande e rápida queda na renda das pessoas beneficiadas no ano passado devido à pandemia e às medidas de restrição no Brasil, o GTP+ viu uma oportunidade única de combinar seus conhecimentos em confeitaria e gastronomia com empreendimentos para as pessoas beneficiadas.

Através da Confeitaria Escola/Cozinha Solidária, a organização irá criar cestas de confeitos e alimentos para ocasiões comemorativas, além de dar treinamento empresarial para todas as pessoas. Assim, será possível expandir as operações. 

“A gente criou a Confeitaria Solitária pensando em qualificar pessoas para que elas criassem outras agendas. A maior parte do nosso público é muito específico, por isso sempre tratamos as questões de HIV e AIDS, mas sempre transversalizando com outras questões, como travestilidade, transexualidade e pessoas saídas do cárcere”, diz a coordenadora do GTP+, Fernanda Falcão.

Índia - Os Serviços Kineer, uma iniciativa criada por Tripathi com foco na criação de empregos para a comunidade trans na Índia, têm como objetivo organizar e criar uma plataforma para fornecer alimentos em vários estados do país, a fim de enfrentar as dificuldades imediatas. “As pessoas não tinham dinheiro para pagar aluguel. Nem mesmo para comprar arroz. Elas podem morrer de COVID-19, mas podem morrer de fome ainda mais cedo”, explicou a ativista indiana trans Laxmi Narayan Tripathi.

Em Bihar, também na Índia, Reshma Prasad viu uma oportunidade para a comunidade trans, que desenvolveu habilidades únicas em dança, canto, arte e entretenimento dentro da cultura local e em todo o país. Através da Nachbaja, Prasad quer preencher a lacuna atual entre a comunidade trans e a mídia digital, fornecendo uma plataforma online na qual a população pode comercializar suas habilidades, permitindo que as pessoas se conectem diretamente com os e as artistas. O objetivo é colaborar para que todos e todas tenham uma oportunidade de apresentar preços justos e possam expor seus serviços de forma mais ampla. A Nachbaja.com já registrou mais de 1.000 artistas na plataforma.

Uganda - Em Uganda, a Tranz Network Uganda estabeleceu o programa piloto TREE (Transgender Resilience and Economic Empowerment, Empoderamento Econômico e Resiliência Transgênero) a fim de contribuir para a transformação econômica das pessoas trans. O projeto construirá o capital social e a resiliência das pessoas trans através de formação de grupos de poupança, promoção da inclusão financeira, empreendedorismo, desenvolvimento de habilidades vocacionais e  vínculos com outras atividades de empoderamento econômico social.

Gana - Em Gana, a Hope Alliance Foundation e a Iniciativa OHF vêm trabalhando juntos nos últimos nove anos na implementação de numerosos programas relacionados ao HIV que incluem apoio de emergência, cuidados domiciliares, capacitação e apoio de pares. Com a pandemia e as medidas de restrição de mobilidade, ainda há um forte impacto no mercado de trabalho ganense, particularmente para profissionais mais vulneráveis. As duas instituições têm como objetivo enfrentar os desafios econômicos resultantes de programas de capacitação e da implementação de atividades que geram renda.

Através do Community Economic Empowerment Program (Programa de Empoderamento Econômico Comunitário) as duas organizações trabalharão com lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, pessoas intersexo e pessoas vivendo com HIV para treinar habilidades e técnicas para revitalizar as pequenas e médias empresas afetadas pela crise econômica devido às restrições relacionadas à COVID-19.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UNAIDS
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância