OMS: infecções por COVID se aproximam do valor mais alto desde início da crise

  • As infecções por COVID-19 estão se aproximando de suas taxas mais altas desde que a pandemia começou há pouco mais de um ano, informou o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na sexta-feira (16).
  • Globalmente, o número de novos casos por semana quase dobrou nos últimos dois meses. Até sexta-feira (16), havia 138,5 milhões de casos em todo o mundo e mais de 2,9 milhões de mortes.
  • A OMS enfatizou mais uma vez a importância da distribuição igualitária da vacina entre os países para controlar a pandemia.
  • A agência também informou que segue monitorando a evolução da pandemia e o surgimentos e disseminação de novas variantes.
Profissional de saúde com EPI
Globalmente, o número de novos casos por semana quase dobrou nos últimos dois meses.

As infecções por COVID-19 estão se aproximando de suas taxas mais altas desde que a pandemia começou há pouco mais de um ano, informou o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na sexta-feira (16).

“Em todo o mundo, os casos e mortes continuam a aumentar em taxas preocupantes”, disse Tedros durante coletiva de imprensa. Globalmente, o número de novos casos por semana quase dobrou nos últimos dois meses.

Até sexta-feira (16), havia 138,5 milhões de casos em todo o mundo e mais de 2,9 milhões de mortes. A pandemia foi declarada em março de 2020.

Tedros disse que alguns países que antes evitavam a transmissão generalizada do vírus agora estão testemunhando “aumentos acentuados” nas infecções, com Papua-Nova Guiné servindo como exemplo. 

Papua Nova Guiné - A ilha do Pacífico, que tem uma população de cerca de oito milhões de habitantes, havia conseguido manter a doença sob controle. Até o início do ano, ocorreram menos de 900 casos e nove mortes.

Atualmente, mais de 9.300 casos e 82 mortes foram registrados, e todas as 22 províncias foram afetadas. O ministro da saúde do país, Jelta Wong, que também falou com os jornalistas, disse que metade de todos os casos e mortes foram relatados apenas no último mês, e os profissionais de saúde estão cada vez mais entre os infectados.

“Nosso maior desafio é aparentemente a adaptação ou aceitação tardia do‘ novo normal ’e a descrença na própria doença”, afirmou Wong. “Isso se sobrepõe a uma infodemia, com conspirações e desinformação sobre a segurança e a eficiência das vacinas.”

A situação no país é preocupante, disse Tedros, pois poderia levar a uma epidemia muito maior. No final do mês passado, a Austrália doou cerca de 8.000 doses da vacina AstraZeneca para seu vizinho, e outras 132.000 doses foram entregues esta semana por meio do mecanismo COVAX.

Vacina para todos - Tedros disse que a nação no Pacífico é um exemplo perfeito de por que a equidade da vacina é tão importante, uma questão que o chefe da OMS e outros altos funcionários da ONU têm enfatizado repetidamente.

No início desta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ao Fórum de Financiamento para o Desenvolvimento que “para acabar com a pandemia para sempre, precisamos de acesso equitativo às vacinas para todos, em todos os lugares”.

A OMS continua avaliando a evolução da pandemia. Seu Comitê de Emergência para a COVID-19 se reuniu esta semana e Tedros disse que receberá seu últimas recomendações na segunda-feira.

Monitoramento de variantes - O monitoramento da variante do vírus COVID-19 detectada pela primeira vez na Índia continua, informou a OMS.

A variante B.1.617, que tem duas mutações, surgiu no final do ano passado e casos foram relatados em outros países da Ásia e da América do Norte.

“Esta é uma variante de interesse que estamos seguindo”, disse a líder técnica da agência para COVID-19, Maria Van Kerkhove.

“Ter duas dessas mutações, que já foram vistas em outras variantes ao redor do mundo, é preocupante porque há uma semelhança nessas mutações que conferem maior transmissibilidade, por exemplo. Algumas dessas mutações resultam em neutralização reduzida, o que pode ter um impacto em nossas medidas contra a pandemia, incluindo as vacinas. ”

Fortalecimento da vigilância - Variantes do COVID-19 foram relatadas no Reino Unido e na África do Sul, enquanto uma terceira, detectada pela primeira vez no Japão, está circulando no Brasil e em outros lugares.

Van Kerkhove disse que a OMS e seus parceiros têm reunido países, pesquisadores e diferentes redes para fortalecer o monitoramento global e a avaliação do novo coronavírus.

“É realmente importante que essa avaliação seja robusta para que entendamos o que cada variante de interesse e variante de preocupação significa para a transmissão, para a gravidade e para os impactos no diagnóstico, terapêutica e vacinas”, disse ela. As vacinas COVID-19 desenvolvidas até agora têm sido eficazes contra as variantes, acrescentou ela, “mas queremos ter um sistema pronto, caso seja necessário alterar algumas das nossas medidas no futuro”.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
OMS
Organização Mundial da Saúde