Jovens da Maré produzem pesquisa e podcast para promover a saúde mental em tempos de pandemia

  • Um grupo de 30 jovens mobilizadores se engajaram numa série de atividades, no segundo semestre de 2020, com intuito de mitigar os danos causados pela pandemia e para fortalecer a rede de proteção para crianças, jovens e suas famílias das comunidades da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
  • Um dos temas fortemente trabalhados foi a promoção da saúde mental entre os jovens, incluindo a realização de uma enquete e a produção de um podcast, o MOBcastque foi lançado no final do mês de abril.
  • A iniciativa faz parte do projeto “CRIAndo Redes”, uma realização do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com a Luta pela Paz, Observatório de Favelas e Redes da Maré. 
Os principais desafios apontados na pesquisa são a preocupação e a ansiedade (22%), seguidos da situação financeira (21%).
Os principais desafios apontados na pesquisa são a preocupação e a ansiedade (22%), seguidos da situação financeira (21%).

No segundo semestre de 2020, um grupo de 30 jovens mobilizadores se engajaram numa série de atividades com intuito de mitigar os danos causados pela pandemia e fortalecer a rede de proteção para crianças, jovens e suas famílias das comunidades da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Um dos temas fortemente trabalhados foi a promoção da saúde mental entre os jovens, incluindo a realização de uma enquete e a produção de um podcast, o MOBcastque está sendo lançado neste mês de abril.

A iniciativa faz parte do projeto “CRIAndo Redes”, uma realização do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com a Luta pela Paz, Observatório de Favelas e Redes da Maré. Ainda como resultado do projeto, está sendo divulgada a sistematização da metodologia desenhada pela Luta Pela Paz como resposta aos impactos da pandemia na vida de crianças, adolescentes e jovens, apresentada no e-book Guia Metodológico em Saúde Mental.

Clique aqui e acesse o podcast MOBcast.

Enquete sobre saúde mental 

Entre setembro e novembro de 2020, jovens participantes do projeto realizaram uma enquete com 323 moradores, identificando que, no período da pandemia, os principais desafios eram a preocupação e a ansiedade (22%), seguidos da situação financeira (21%). Outros temas apontados foram: tempo demais na internet; ficar longe de quem se gosta, e brigas em casa. Entre as alternativas encontradas para superá-los, estão as atividades físicas, seguidas de ajuda profissional de um(a) psicólogo(a).

A enquete, que utilizou a plataforma U-Report, desenvolvida pelo UNICEF, foi compartilhada remotamente com os jovens e respondida por autopreenchimento por meio do aplicativo de mensagem WhatsApp. A gerente de monitoramento e avaliação da Luta pela Paz, Camila Garroux, destacou que os resultados do U-Report trouxeram uma perspectiva importante sobre gênero. “Há uma diferença dos impactos da pandemia na saúde mental das mulheres, por exemplo. Quando perguntadas sobre a sua relação com as redes sociais, 52% das jovens responderam que se sentem muito mal e que as notícias ruins aumentam sua ansiedade, enquanto esse percentual é de 24% para os homens. Enquanto 22% das mulheres afirmaram "Tenho sentido muita ansiedade", esse percentual é de 8% entre os homens. Além disso, os homens se apresentaram três vezes mais positivos do que as mulheres diante da pandemia, já que 9% dos homens declararam "Tô feliz e tenho aprendido bastante", sendo esse percentual de apenas 3% entre as mulheres”.

MOBcast, de jovem para jovem 

Para dar mais visibilidade e “amplificar” o debate, os mobilizadores criaram o MOBcast, um podcast em que medos, inseguranças, negligência do poder público, machismo, racismo e outras questões sensíveis foram abordados por jovens dispostos a conversar e pensar juntos estratégias de autocuidado. Para ouvir o podcast, clique aqui.

“Tivemos muita autonomia para discutir, pesquisar e produzir a partir desse tema. Nós decidimos o que queríamos fazer e logo depois colocamos a mão na massa”, comentou uma das mobilizadoras do primeiro ciclo, Juliane Silva.

Por mais que o tema da saúde mental esteja em alta na internet, falar no assunto em alguns ambientes ainda é tabu, principalmente em comunidades atingidas por diversos tipos de violência que atravessam diariamente corpos e mentes favelados.

Os impactos diretos e indiretos da pandemia da COVID-19 aprofundaram situações de desemprego, insegurança alimentar, fragilização de vínculos familiares, levando ao aumento de fatores que afetam a saúde mental. A pandemia também produziu consequências específicas na população de crianças, adolescentes e jovens das favelas, que tiveram suas dinâmicas de vida extremamente modificadas pela suspensão das aulas presenciais e restrição de acesso a equipamentos de lazer do território. Essas situações intensificam as vulnerabilidades psicossociais, e foi esse o foco da ação dos mobilizadores, que realizaram pesquisa e produção de conteúdos em áudio e vídeo.

Guia da metodologia de atenção psicossocial 

A metodologia desenhada pela Luta pela Paz como resposta aos impactos da pandemia de COVID-19 na vida de crianças, adolescentes e jovens foi sistematizada e apresentada no e-book Guia Metodológico em Saúde Mental, que foi lançado junto com o MOBcast. O documento traz estratégias detalhadas e diversas dicas para outras instituições que desejam trabalhar no âmbito da atenção psicossocial.

Sob a ótica da atenção psicossocial, a proposta metodológica segue os princípios da integralidade do cuidado e atuação territorializada em rede para a oferta de espaços de cuidado. O fluxo envolve acolhimento de demanda, avaliação multidimensional e elaboração de plano de cuidado, que pode sugerir atendimento individual ou em grupo.

Contato para a imprensa:

Immaculada Prieto / Especialista em Comunicação do UNICEF Brasil / Telefone: (21) 98237 0856

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância