ONU apela para que países do G7 financiem vacinação global contra COVID-19

  • O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu na segunda-feira (3) que as nações mais ricas do mundo garantam a vacinação contra a COVID-19 nos países mais pobres, destacando a necessidade de arrecadar cerca de 60 bilhões de dólares nos próximos dois anos. 
  • “Por nossa falha em estendermos a vacinação a todos os países mais rapidamente, estamos escolhendo quem vive e quem morre”, alertou Brown. 
  • O diretor da OMS pediu mais financiamento para a vacinação global. "Nós enfrentamos uma ameaça compartilhada que só podemos superar com soluções compartilhadas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Trabalhadora de saúde indiana prepara seringa para vacinação
Mais de 45 bilhões de dólares serão necessários no próximo ano para imunizar a maioria dos adultos. 

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu na segunda-feira (3) que as nações mais ricas do mundo garantam a vacinação contra a COVID-19 nos países mais pobres, destacando a necessidade de arrecadar cerca de 60 bilhões de dólares nos próximos dois anos. 

Falando durante a reunião regular da Organização Mundial da Saúde (OMS) e antes da cúpula do G7 no próximo mês, Brown, que é o enviado especial da ONU para a Educação Global, disse que a inércia só levará a uma divisão global maior.

Uma escolha de vida ou morte - “Por nossa falha em estendermos a vacinação a todos os países mais rapidamente, estamos escolhendo quem vive e quem morre”, alertou Brown. 

“Digo que o mundo já está profundamente dividido entre ricos e pobres para permitir que uma nova divisão irreversível se enraíze entre os vacinados que vivem e os não-vacinados que correm o risco de morrer”, completou.

Como primeiro-ministro, Brown sediou a cúpula do G20 em 2009, onde as principais economias do mundo comprometeram um adicional de 1,1 trilhão de dólares para lidar com as consequências da crise financeira global. Ele agora está em uma campanha para obter apoio para exigir que o G7 “utilize sua riqueza para acabar com a doença”.

Mais casos de COVID-19 foram relatados nas últimas duas semanas do que nos primeiros seis meses da pandemia, com Índia e Brasil respondendo pela metade das notificações, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a jornalistas.

“Os países do G7 são os líderes econômicos e políticos do mundo. Eles também são o lar de muitos dos produtores mundiais de vacinas. Só vamos resolver a crise das vacinas com os líderes desses países”, disse Tedros. 

Ameaça compartilhada, soluções compartilhadas - O chefe da OMS relatou que a colaboração global marcante para o desenvolvimento e distribuição de vacinas contra a COVID-19 para países em todo o mundo, conhecida como Acelerador ACT, continua com subfinanciamento de 19 bilhões de dólares.

Mais de 45 bilhões de dólares serão necessários no próximo ano para imunizar a maioria dos adultos. 

“Nós enfrentamos uma ameaça compartilhada que só podemos superar com soluções compartilhadas”, disse ele. “Compartilhando recursos financeiros, doses de vacinas, capacidade de produção, tecnologia e conhecimento, e renunciando à propriedade intelectual.”

Fórmula para “divisão de encargos” - Para Brown, a vacinação global em massa não é um ato de caridade, mas “a melhor apólice de seguro do mundo”. Embora custe bilhões agora, o resultado será “trilhões em produção econômica adicional, possibilitada quando o comércio retornar em um mundo livre da COVID-19”. 

Os 60 bilhões de dólares em financiamento são necessários não apenas para vacinas, mas também para suprimentos médicos vitais, diagnósticos e oxigênio médico “atualmente e vergonhosamente em falta na Índia e em outros lugares”. 

Ele forneceu uma fórmula para os países ricos arcarem com os custos, com base na renda nacional, na riqueza atual e nos benefícios da retomada do comércio. 

A repartição veria os Estados Unidos cobrindo 27%, a Europa 23%, o Japão 6% e o Reino Unido 5%. Austrália, Canadá e Coréia do Sul pagariam 2% cada.

“Eu digo ao G7, vocês têm o poder e a capacidade de pagar por quase dois terços do custo e garantir um avanço histórico ao concordar com uma fórmula de divisão equitativa de encargos que possa cobrir a medida global de saúde”, disse ele. 

Brown acrescentou que as maiores economias do mundo, o G20, podem cobrir mais de 80% do custo e doar as doses de vacina necessárias com urgência, enquanto os 30 países mais ricos do mundo podem pagar por mais de 90%. 

“A mesma fórmula de divisão de encargos também poderia ser aplicada para que, ao invés do familiar ciclo da pandemia de pânico agora e negligência depois, o mundo invista agora quando há um déficit de caixa e para o futuro na preparação de emergências para garantir que, se acontecerem futuros surtos, as pandemias se tornarem evitáveis”, disse o ex-primeiro-ministro.

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
OMS
Organização Mundial da Saúde