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ARTIGO: O solo é a solução

17 maio 2021

  • Todos os anos, mais de 12 milhões de hectares de terra são perdidos devido à desertificação, à degradação da terra e à seca. Esta perda atinge mais de 3 bilhões de pessoas, principalmente nas comunidades pobres e rurais dos países em desenvolvimento. E esta situação só vai piorar, a menos que atuemos agora.
  • Em 20 de maio, a Assembleia-Geral das Nações Unidas vai organizar uma reunião de alto nível sobre desertificação, degradação da terra e seca. É a primeira deste tipo em mais de uma década.
  • O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Volkan Bozkir, explica em artigo a importância de um solo saudável para um planeta saudável.
  • Leia a íntegra do artigo a seguir
     
Solo ressecado próximo ao Nilo Branco, na capital do Sudão, Cartum.
Legenda: Solo ressecado próximo ao Nilo Branco, na capital do Sudão, Cartum.
Foto: © Arne Hoel/Banco Mundial

O que você pensa quando ouve a palavra “desertificação”? Dunas de areia que invadem lentamente abundantes terras agrícolas? O Saara e o Gobi conquistando a África e a Ásia? Rios e riachos que secam? Estes fenômenos contribuem certamente para a desertificação. Porém, o principal impacto da desertificação é na degradação da terra – de tal forma que o solo fica tão danificado que se torna incapaz de gerar vida.

 

O solo é muito mais do que terra e pó. Um solo saudável é essencial para um planeta saudável. O solo que pisamos está repleto de um mundo oculto de plantas, animais e micróbios - muitos pequenos demais para serem vistos a olho nu mas essenciais para a nossa sobrevivência. Esta reserva negligenciada alimenta a nossa agricultura e indústrias alimentares, ajuda a regular as emissões de gases de efeito estufa e mantém as plantas, animais e seres humanos fortes.

 

Contudo, hoje, mais de um quinto das terras do planeta - incluindo mais de metade das nossas terras agrícolas - está sofrendo. Todos os anos, mais de 12 milhões de hectares de terra são perdidos devido à desertificação, à degradação da terra e à seca. Esta perda atinge mais de 3 bilhões de pessoas, principalmente nas comunidades pobres e rurais dos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, quando a terra é convertida, apressadamente, em terreno agrícola, sem considerar a saúde do nosso meio ambiente, o carbono e o óxido nitroso são liberados para a atmosfera. As mudanças climáticas aceleram, a biodiversidade diminui e as doenças infeciosas propagam-se. Tudo isto coloca em risco o abastecimento de água, os meios de subsistência e a nossa capacidade de enfrentar desastres naturais e eventos climáticos extremos.

 

A menos que atuemos agora, esta situação só vai piorar. Nos próximos 25 anos, a degradação da terra pode reduzir a produtividade global de alimentos até 12%, levando a um aumento de 30% dos preços mundiais dos alimentos. Nunca alcançaremos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se permanecermos complacentes.
Mas há muitos motivos para ter esperança - e muita coisa que podemos alcançar juntos. Como vimos com o rápido desenvolvimento das vacinas da COVID-19, quando a vontade existe e os recursos são disponibilizados, a humanidade pode realizar feitos realmente surpreendentes.

 

Quer estejamos falando de pessoas da cidade que precisam de acesso a frutas e vegetais, ou hoteleiros em ilhas que contam com praias protegidas e palmeiras ondulantes para atrair turistas, ou pacientes de hospitais, cujas vidas dependem de medicamentos derivados da natureza, uma coisa é certa: não há uma pessoa no planeta - ou qualquer ser - cuja existência não esteja ligada à terra.

 

Então, o que é podemos fazer para ajudar a proteger a nossa terra e o nosso solo? Um passo simples é não desperdiçar alimentos - porque quando os agricultores trabalham a terra para os produzir e não os consumimos, estamos a esgotar os nossos solos desnecessariamente. E se você mora na cidade, pode trabalhar com as autoridades locais para tornar a sua cidade mais verde - através de métodos inovadores como jardins no telhado e florestas verticais.

 

Aqui nas Nações Unidas, promover a regeneração de terras é uma parte crítica do nosso trabalho. Nos próximos meses, as principais conferências de acompanhamento das três Convenções do Rio - a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), a Convenção Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC) e a Convenção sobre a Biodiversidade (CDB) – acontecerão, pela primeira vez, no mesmo ano. Esta é uma oportunidade única para refletir sobre a saúde do nosso planeta - e sobre o que podemos fazer para melhorá-la e proteger a nossa própria existência.

 

Da minha parte, em 20 de maio, irei organizar uma reunião de alto nível sobre desertificação, degradação da terra e seca, na icônica sala da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Esta reunião - a primeira deste tipo em mais de uma década, terá como base os avanços já alcançados, destacará as lacunas nos nossos esforços coletivos e estimulará a ação. O evento nos lembrará que a degradação da terra é real e precisa de ser combatida. Mostrará como três questões aparentemente diferentes - clima, biodiversidade e desertificação - estão na verdade intrinsecamente ligadas e aumentará a ambição de uma ação mundial.

 

A Assembleia-Geral é o único órgão onde todos os 193 Estados-membros das Nações Unidas se sentam como iguais. Portanto, não há lugar melhor para enfrentar os problemas que transcendem fronteiras e nos afetam a todos. Quando se trata da própria terra em que estamos - o solo que nos sustenta - não há tempo a perder. As conferências de alto nível podem não melhorar a situação da noite para o dia mas ao nos certificar de que estamos todos na mesmo barco, partilhando as melhores práticas e dando passos reais juntos, podemos mudar a trajetória da desertificação. Iremos reverter a desertificação, a degradação dos solos e a seca - porque não temos outra escolha.

 

No entanto, precisaremos trabalhar juntos. Precisamos mudar algumas das nossas práticas. E espero que as Nações Unidas possam contar com o seu apoio.

Saiba mais sobre a reunião de alto nível sobre desertificação, degradação da terra e seca aqui.

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