ONU condena ataque a parceiro humanitário no Afeganistão

  • Após condenar veementemente o ataque mortal no norte do Afeganistão contra o HALO Trust, a ONU pediu uma investigação completa sobre o caso.
  • Na terça-feira (8), dez pessoas da organização humanitária morreram e 16 ficaram feridas quando homens armados invadiram um campo de desminagem no distrito de Baghlan-e-Markazi e abriram fogo. O grupo humanitário trabalha para livrar o país das minas terrestres.
  • O ataque é mais uma interferência nas atividades humanitárias no Afeganistão, os incidentes relatados têm aumentado desde o último ano. De acordo com o porta-voz da ONU, 11 trabalhadores de auxílio foram mortos, 27 feridos e 36 sequestrados, entre janeiro e abril de 2021.
Um especialista em explosivos conduz operações de remoção de minas
Um especialista em explosivos conduz operações de remoção de minas após detectar um pedaço de metal no Afeganistão, onde 2.300 vítimas, como resultado de minas terrestres, foram relatadas somente em 2017

Na quarta-feira (9), a ONU pediu uma investigação sobre o ataque mortal no norte do Afeganistão contra o HALO Trust, um grupo humanitário que trabalha para livrar o país das minas terrestres.

Dez pessoas morreram e 16 ficaram feridas quando homens armados invadiram um campo de desminagem no distrito de Baghlan-e-Markazi e abriram fogo.

A HALO Trust disse que o ataque ocorreu por volta das 21h50 de terça-feira, horário local, quando cerca de 110 homens, de comunidades locais no norte do Afeganistão, estavam no acampamento após terminar seu trabalho em campos minados próximos.

Traga os agressores à justiça - Ao condenar veementemente o ataque, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, disse que a HALO Trust é um parceiro global em operações para limpar minas terrestres e outros dispositivos explosivos e para melhorar a vida de pessoas vulneráveis.

“Enviamos sinceras condolências aos familiares dos falecidos e desejamos uma recuperação rápida e total dos feridos”, afirmou o porta-voz durante sua última coletiva de imprensa em Nova Iorque.

“Também pedimos uma investigação completa para garantir que os responsáveis ​​por este horrendo ataque sejam responsabilizados e levados à justiça", completou.

Indignação e condenação - O residente da ONU e coordenador humanitário no Afeganistão, Ramiz Alakbarov, ecoou o apelo por uma investigação.

“É repugnante que uma organização que trabalha para limpar minas terrestres e outros explosivos e melhorar a vida de pessoas vulneráveis ​​possa ser um alvo”, disse em um comunicado.

Desde 1989, mais de 40.000 afegãos foram mortos por minas terrestres e outros explosivos remanescentes de guerra, de acordo com dados do Serviço de Ação contra Minas da ONU (UNMAS). No ano passado, a organização ajudou o país a limpar cerca de 14 quilômetros quadrados de terra.

“A UNMAS está indignada e condena veementemente o ataque a grupos humanitários que trabalham na desminagem no Afeganistão”, disse a agência em uma publicação no Twitter.

“Estamos consternados e tristes pelas vítimas, suas famílias e pelo terror infligido aos sobreviventes”, afirmou a agência.

Alvos humanos - A missão da ONU no país, UNAMA, também recorreu ao Twitter para condenar o ataque, descrevendo-o como “profundamente chocante”.

A UNAMA afirmou que as partes em conflito “têm uma responsabilidade fundamental de proteger os agentes humanitários nas áreas que eles controlam. No entanto, está claro que certos partidos e pessoas dentro de seus postos estão mirando deliberadamente estes grupos”.

A missão acrescentou que “todas as partes que afirmam desejar a paz para o povo afegão precisam demonstrar ações concretas para apoiar suas reivindicações e pôr fim aos crimes terríveis como os testemunhados em Baghlan”.

A ONU destacou seu compromisso de permanecer no Afeganistão, onde trabalhadores de auxílio, especialmente mulheres, estão enfrentando ataques e perseguições cada vez maiores.

Dujarric relatou que 11 pessoas foram mortas, 27 feridas e 36 sequestradas, entre janeiro e abril deste ano.

“Nossos colegas humanitários alertam que a interferência em suas atividades aumentou em 2020, com um aumento de 140% nos incidentes em comparação com 2019. Essa tendência de escalada continua em 2021”, disse.

Ele instou as partes em conflito a proteger os civis, trabalhadores de assistência e estruturas civis, como escolas e hospitais, de acordo com o direito internacional humanitário.

O Conselho de Segurança também condenou o atentado, que foi reivindicado pelo Estado Islâmico na Província de Khorasan (ISKP), uma entidade afiliada ao Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIL/Da'esh). Os membros do Conselho de Segurança reafirmaram que o terrorismo em todas as suas formas e manifestações constitui uma das mais graves ameaças à paz e segurança internacionais. "Visar deliberadamente os trabalhadores humanitários é especialmente abominável e deve ser condenado", afirmaram os membros do Conselho, ao pedir que os responsáveis sejam levados à justiça, em nota publicada nesta sexta-feira (11).

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
ONU
Organização das Nações Unidas
UNAMA
United Nations Assistance Mission in Afghanistan
UNMAS
United Nations Mine Action Service