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Afeganistão sofre com déficit de financiamento em meio ao aprofundamento da crise humanitária

22 julho 2021


Foto: © Mais de 1.000 “interferências”, ameaças e impedimentos de acesso foram reportados até agora neste ano, o que equivale ao total de 2020

Na última quinta-feira (15), um alto funcionário das Nações Unidas pediu que os doadores aumentem o apoio ao Afeganistão, onde a seca contínua e o aumento das operações militares em meio à retirada de tropas estrangeiras estão deslocando muitos civis, aprofundando a crise humanitária. 

O residente da ONU e coordenador humanitário para o Afeganistão, Ramiz Alakbarov, revelou que um pedido de 1,3 bilhões de dólares para ajuda humanitária no país, lançado no início deste ano, conta com menos de 40% de financiamento. 

Cerca de 18 milhões de afegãos, ou metade da população, precisam de ajuda. Um terço do país está desnutrido, enquanto metade de todas as crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição aguda. Os 450 milhões de dólares recebidos até agora, metade dos quais vieram dos Estados Unidos, estão muito abaixo do que é necessário. 

“Nosso plano é prestar assistência a pelo menos 15,7 milhões de pessoas e, no momento, isso não será possível sem essas contribuições adicionais”, disse Alakbarov, falando por videoconferência a jornalistas em Nova York. 

Fronteiras fechadas - A crise humanitária é escalonada à medida que se aproxima o prazo para as tropas estrangeiras se retirarem totalmente do país. A seca, a segunda em três anos, e a resposta militar em curso após uma “ofensiva de primavera” do Talibã, deslocaram cerca de 270 mil pessoas, que fugiram das áreas rurais para os centros urbanos. 

Na cidade de Kunduz, no norte do país, por exemplo, cerca de 35 mil deslocados estão sendo alojados em escolas e prédios públicos. Eles precisam de alimentos, água e saneamento. Os fundamentalistas do Talibã, que há anos lutam contra o governo central reconhecido internacionalmente, assumiram o controle de todos os distritos ao redor da cidade. 

Enquanto isso, países vizinhos, como o Irã, deportaram refugiados afegãos de seus territórios. Os humanitários também estão testemunhando movimentos populacionais “muito intensos” em áreas próximas às fronteiras com o Irã e o Paquistão, que agora estão praticamente fechadas. Tais restrições de passagem ainda não afetaram os agentes humanitários, uma vez que os estoques de ajuda humanitária são suficientes para durar até o final de agosto. 

Meninas e mulheres afetadas - Alakbarov visitou cinco regiões do Afeganistão nas últimas semanas. O funcionário da ONU estava particularmente preocupado com a situação das mulheres e meninas, que enfrentam “condições muito difíceis”. Ele se lembra de ter falado com o chefe de uma família em Kandahar, localizada no sul, para onde as famílias estão se mudando em grupos de 50 a 60 parentes. 

“Eu perguntei quantas mulheres estavam grávidas e deram à luz nos últimos três meses enquanto elas estavam se mudando”, disse ele. “Nessa família alargada, quatro mulheres deram à luz. Três delas morreram.”

Embora organizações humanitárias continuem operando na maioria dos 405 distritos do Afeganistão, Alakbarov relatou um aumento nas dificuldades de acesso e na violência. Vinte e cinco trabalhadores humanitários foram mortos desde o início do ano e 63 ficaram feridos, um aumento de 30% em relação a 2020. Entre as vítimas estão mulheres trabalhadoras de saúde e desarmadores de bombas. 

Mais de mil “interferências”, ameaças e impedimentos de acesso foram reportados até agora neste ano, o que equivale ao total de 2020.

Afeganistão sofre com déficit de financiamento em meio ao aprofundamento da crise humanitária

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU
Organização das Nações Unidas
UNAMA
United Nations Assistance Mission in Afghanistan

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