Notícias

Agências da ONU lamentam o falecimento de Miriam Blos, defensora dos direitos humanos

27 julho 2021

  • O ACNUR e o Fundo de População da ONU (UNFPA) lamentam o falecimento da musicista e maestrina Miriam Blos, de 58 anos, parceira das duas agências no Brasil.
  • Defensora dos direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes refugiadas e migrantes, Miriam foi mais uma vítima de complicações causadas pela COVID-19.
  • Ela presidia uma entidade que ensina música para jovens e promove a integração de refugiados e migrantes em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela.
  • Com o coral “Canarinhos da Amazônia”, Miriam promoveu o encontro de crianças e jovens venezuelanos (e suas famílias) com os brasileiros por meio da educação musical. 
Legenda: Em meio ao coral “Canarinhos da Amazônia”, Miriam Blos celebra o Natal de 2018 em um abrigo para refugiados e migrantes venezuelanos em Boa Vista (Roraima)

Foto: © Allana Ferreira/ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) lamentam profundamente o falecimento da musicista e maestrina Miriam Blos, de 58 anos, ocorrida na segunda-feira (26), em Boa Vista. Defensora dos direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes refugiadas e migrantes, Miriam foi mais uma vítima de complicações causadas pela COVID-19.

Nascida em Manaus, capital do Amazonas, Miriam cresceu no Pará e há mais de 30 anos vivia em Boa Vista, Roraima. Cantora, compositora e musicista, era presidente e maestrina da Associação Internacional Canarinhos da Amazônia Embaixadores da Paz (Aiecap). Ela estava internada no Hospital Geral de Roraima desde o dia 16 de julho e não resistiu às complicações da doença.

“Miriam foi uma mulher inspiradora, que dedicou seu trabalho a aproximar brasileiros e venezuelanos por meio da música e outros serviços prestados pela AICAEP. Graças ao seu trabalho, os ‘Canarinhos da Amazônia’ encantam plateias no Brasil e em diferentes partes do mundo, mostrando a possibilidade de uma relação construtiva entre pessoas forçadas a deixar seus países e as comunidades que as acolhem”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas.

Música que transforma - Um dos principais projetos da Aicaep é o coral “Canarinhos da Amazônia”, que reúne crianças e jovens venezuelanos e brasileiros residentes em Pacaraima, cidade roraimense localizada na fronteira entre os dois países. Por meio da música, o projeto tem proporcionado um ambiente de acolhimento e educação para várias crianças e adolescentes no estado de Roraima.

Com o coral, Miriam promoveu o encontro de crianças e jovens venezuelanos (e suas famílias) com a população de Pacaraima por meio da educação musical. O coral faz apresentações regulares na cidade e em Boa Vista (capital de Roraima), tendo seu trabalho difundido pelo ACNUR em diferentes fóruns internacionais sobre a proteção de pessoas refugiadas.

Parceria com o ACNUR - Com mais de 30 anos de atividade, a Associação Cultural Canarinhos da Amazônia Embaixadores da Paz sempre atuou no atendimento a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Desde 2016, com o aumento do fluxo de venezuelanos para o Brasil, Miriam se mudou para Pacaraima, voltando à associação para o acolhimento desta população. A parceria com o ACNUR se iniciou em 2017.

Nascida em Manaus, Miriam recebeu em 2015 o título de cidadã honorária de Boa Vista, em reconhecimento ao seu trabalho social. Em 2019, no marco do Fórum Global sobre Refugiados, o ACNUR promoveu a viagem de Miriam a Genebra, onde o trabalho dos “Canarinhos da Amazônia” foi exibido para os participantes do evento. Em 2020, o coral se apresentou no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença do presidente Jair Bolsonaro e de vários ministros.

“De maneira decidida e incansável, Miriam aproximou brasileiros e venezuelanos por meio de soluções inovadoras e promoveu a integração de quem busca proteção e assistência no Brasil, atuando em um cenário complexo e delicado que é a fronteira deste país com a Venezuela. Seu trabalho é reconhecido e sempre será lembrado como um esforço em prol da convivência pacífica entre pessoas refugiadas, migrantes e comunidades de acolhida”, ressalta Jose Egas, representante do ACNUR no Brasil.

Para o ACNUR, o trabalho da Associação Canarinhos da Amazônia tem uma importância estratégica especial, pois atua em um cenário desafiador que inclui a presença de crianças desacompanhadas, violência sexual e exploração de mulheres, meninas e população LGBTI.

“Miriam perseguiu seus sonhos e os compartilhou com centenas de crianças e adolescentes, mostrando o poder da música como ferramenta de convivência pacífica e integração. Sua trajetória é uma marca na história da proteção de pessoas refugiadas no Brasil”, completa Jose Egas.

Parceria com o UNFPA - Parceira contumaz do UNFPA desde 2018, Miriam realizou diversas ações conjuntas, facilitando doações e promovendo atividades culturais, além de ceder o espaço para sessões informativas voltadas à promoção de direitos de pessoas refugiadas e migrantes. Em maio de 2020, no início da pandemia de Covid 19, o Projeto Canarinho intermediou a entrega de Kits Dignidade para mulheres grávidas de Pacaraima.

Em janeiro de 2019, um coral de 50 crianças do Projeto Canarinho se apresentou em seis dos dez abrigos de Boa Vista que acolhem refugiados e migrantes em situação de vulnerabilidade. Em maio do mesmo ano, uma apresentação das crianças do projeto também marcou a visita do embaixador britânico no Brasil, Vijay Rangarajan. “Orgulho em ver a sociedade civil e organizações internacionais somando esforços. Assim vamos atingir excelentes resultados”, afirmou Rangarajan na ocasião.

Agências da ONU lamentam o falecimento de Miriam Blos, defensora dos direitos humanos

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNFPA
Fundo das Nações Unidas para a População
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa