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Sudão do Sul: Escassez de dinheiro provoca suspensão de alimentos para cem mil deslocados

14 setembro 2021

  • A escassez de fundos forçará o WFP a suspender a assistência alimentar para mais de cem mil pessoas deslocadas em partes do Sudão do Sul até o início de 2022.
  • Isso significa que, a partir de outubro, 106 mil pessoas deslocadas nos campos de Wau, Juba e Bor South não irão receber as rações alimentares mensais pelo resto do ano.
  • Nos últimos anos, a insegurança alimentar continuou a aumentar no país, afetando atualmente mais de 60% do Sudão do Sul, de acordo com o WFP. 
  • O conflito em curso e as piores enchentes em 60 anos deixaram mais de 8 milhões de pessoas necessitando de assistência.
  • A suspensão do auxílio alimentar é parte de uma redução mais ampla da assistência em todos os campos anunciada em abril, onde 700 mil refugiados e deslocados internos atualmente recebem apenas metade do conteúdo calórico de uma ração alimentar do WFP.
Legenda: Além de ser a nação mais jovem do mundo, o Sudão do Sul continua sendo um dos países menos desenvolvidos
Foto: © UNMISS

O Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP) disse, na segunda-feira (13), que a partir do próximo mês, a escassez de fundos o forçará a suspender a assistência alimentar para mais de cem mil pessoas deslocadas em partes do Sudão do Sul até o início de 2022.

“Tempos drásticos exigem medidas drásticas. Somos forçados a tomar essas decisões dolorosas e esticar nossos recursos limitados para atender às necessidades críticas de pessoas que estavam à beira da fome e agora correm o risco de escorregar de volta para a catástrofe, se seu acesso aos alimentos diminuir”, disse o representante e diretor de país do WFP no Sudão do Sul, Matthew Hollingworth.

Ultrapassando os recursos - Embora generosas contribuições de doadores tenham permitido ao WFP ajudar milhões, muitas pessoas vulneráveis ​​em áreas de crise continuam a sofrer os mais altos níveis de insegurança alimentar e não podem sobreviver sem assistência alimentar sustentada.

A partir de outubro, 106 mil pessoas deslocadas nos campos de Wau, Juba e Bor South não receberão rações alimentares mensais pelo resto do ano.

Para os próximos quatro meses, o WFP requer um adicional de 154 milhões de dólares para fornecer quantidades suficientes de assistência alimentar.

“Se os níveis de financiamento continuarem a cair, podemos não ter escolha a não ser fazer mais cortes, pois as necessidades das comunidades vulneráveis ​​continuam a ultrapassar os recursos disponíveis”, disse Hollingworth.

Espiral descendente - Nos últimos anos, a insegurança alimentar continuou a aumentar, afetando atualmente mais de 60% do Sudão do Sul, de acordo com o WFP.

A suspensão de três meses é parte de uma redução mais ampla da assistência alimentar em todos os campos anunciada em abril, onde 700 mil refugiados e deslocados internos atualmente recebem apenas metade do conteúdo calórico de uma ração alimentar do WFP.

Antes de implementar os cortes, o WFP e seus parceiros realizaram uma campanha para preparar as comunidades afetadas.

Lutando pela paz - A nação mais jovem do mundo está atolada em instabilidade e conflito desde que conquistou a independência do Sudão, há 10 anos.

Em 2018, o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente e rival político de longa data Riek Machar assinaram um acordo de paz na esperança de acabar com a crise e melhorar a vida e a segurança de milhões de sul-sudaneses.

No entanto, três anos depois, a implementação continua estagnada com questões-chave ainda não resolvidas, incluindo o envio de forças unificadas e uma reforma mais ampla do setor de segurança.

Durante uma visita de quatro dias que terminou no domingo, para aumentar o impulso na execução do acordo de paz, o chefe das forças de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, reiterou à emissora Rádio Miraya, administrada pela ONU, que todas as partes devem trabalhar juntas para demonstrar vontade política por um período duradouro de paz.

“Estamos empenhados em apoiar os esforços atuais para a paz e estabilidade no Sudão do Sul”, disse ele. “Apoiaremos cada passo positivo que for dado e acreditamos que alcançar o objetivo final de paz e estabilidade requer uma parceria muito forte e de confiança entre o governo e os parceiros internacionais”.

Ouvindo atentamente - O conflito em curso e as piores enchentes em 60 anos deixaram mais de 8 milhões de pessoas necessitando de assistência.

Em meio à escassez de recursos, o chefe das forças de paz da ONU ouviu em primeira mão os desafios que as agências humanitárias enfrentam ao tentar ajudar as comunidades em todo o Sudão do Sul.

Os agentes humanitários dizem que a insegurança alimentar este ano é a pior em uma década, com 7,2 milhões de pessoas com insegurança alimentar severa. Houve três anos de enchentes sem precedentes. As inundações do ano passado foram as piores em 60 anos, afetando 480.000 pessoas.

“Também estamos vendo conflitos subnacionais em todo o país em um momento em que, na verdade, queremos ver os ganhos políticos que aconteceram desde que o governo de unidade entrou em vigor no ano passado de maneira fortalecida”, disse Hollingworth do WFP.

Estratégia política - Lacroix destacou a necessidade da sociedade civil e a mídia operarem com segurança, especialmente durante as preparações para as eleições. “É muito simples”, disse. “A ONU defende a liberdade de expressão. Defendemos um amplo espaço cívico”.

O subsecretário-geral também reiterou a importância de cumprir a meta do acordo de paz de pelo menos 35% de representação das mulheres em todas as estruturas de governança, dizendo que seu papel e empoderamento são “absolutamente essenciais para alcançar a paz”.

Apesar de reconhecer a dificuldade da situação no país, Lacroix assegurou que o compromisso da ONU é “muito, muito forte”.

“Vamos continuar, fazendo o nosso melhor para ajudar a apoiar o povo sul-sudanês no futuro ”, concluiu.

Sudão do Sul: Escassez de dinheiro provoca suspensão de alimentos para cem mil deslocados

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

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