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Para ONU, promessa de US$ 1 bilhão pode ser 'salto quântico' na ajuda ao Afeganistão

14 setembro 2021

  • Novo compromisso de cerca de 1,2 bilhão de dólares da comunidade internacional para ajuda ao Afeganistão supera valor do apelo humanitário original e é aclamado pelo secretário-geral da ONU.
  • O compromisso é destinado a ajuda humanitária e apoio ao desenvolvimento no país e beneficiará 11 milhões de pessoas, entre elas crianças à beira da desnutrição aguda, mulheres e meninas com saúde reprodutiva em risco, e muitos outros. 
  • O Talibã demonstrou apoio às ações da ONU através de dois comunicados oficiais que apoiam as atividades da organização no país e ofereceram segurança e escolta quando necessário.
  • Recentemente, o país restabeleceu os voos do Serviço Aéreo Humanitário da ONU e novos aviões estão previstos para pousar levando ajuda aos afegãos. 
  • Esses esforços são apenas um ponto inicial para evitar uma grande crise humanitária no país, o problema só será resolvido se a economia do Afeganistão for reestabelecida. 
Legenda: Distribuição de comida pelo WFP em Herat, no oeste do Afeganistão, em agosto de 2021
Foto: © WFP

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou na segunda-feira (13) o significativo apoio financeiro internacional prometido ao povo afegão após uma reunião em Genebra, que quase dobrou o pedido inicial de 606 milhões de dólares para o país. 

“Hoje recebemos mais de 1 bilhão de dólares em promessas. Isso representa um salto quântico em relação ao compromisso financeiro da comunidade internacional para com o povo afegão”, afirmou Guterres.

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e coordenador de Ajuda de Emergência  da ONU, Martin Griffiths, confirmou em sua fala final durante a reunião que mais de 1,2 bilhão de dólares no total foram prometidos em ajuda humanitária e apoio ao desenvolvimento, incorporando tanto o apelo de segunda-feira (13) quanto a resposta regional.

Uma 'tábua de salvação' para os afegãos - “O fundo será uma tábua de salvação para os afegãos que carecem desses serviços; especialmente as crianças mencionadas pela diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, que correm o risco de sofrer de desnutrição aguda; as muitas mulheres e meninas que podem perder o acesso aos serviços de saúde reprodutiva e muitos outros”, disse o coordenador de Ajuda de Emergência e chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Em um encontro com jornalistas nos bastidores da reunião ministerial de alto nível, o secretário-geral ressaltou o fato de quase 100 Estados membros terem participado - além de mais de 30 organizações regionais e internacionais. Para Guterres, isto reafirma que a crise no Afeganistão permanece uma questão crucial para a comunidade global.

Ponto inicial para engajamento - O chefe da ONU reiterou a importância de garantir que a assistência não venha à custa dos ganhos significativos conquistados pelas mulheres e minorias no Afeganistão nos últimos 20 anos.

“Obviamente estamos muito preocupados em garantir que a assistência humanitária seja um ponto de entrada para um envolvimento efetivo com o Talibã em todos os outros aspectos de interesse da comunidade internacional”, disse ele, após apelar por 606 milhões de dólares para fornecer assistência urgente a 11 milhões de pessoas nos próximos quatro meses.

Embora as preocupações imediatas tenham se concentrado no fornecimento de ajuda de emergência para evitar uma grande crise humanitária no país, Guterres alertou que essa assistência não resolverá o problema se a economia do Afeganistão entrar em colapso. "E sabemos que o risco é enorme e que existe uma dramática falta de dinheiro”, acrescentou. 

'Atitude de apoio' do Talibã - Pressionado sobre a natureza das garantias escritas que o Talibã entregou em uma carta às Nações Unidas no fim de semana passado sobre assistência humanitária, o secretário-geral explicou que havia na verdade dois documentos. 

“Um garante o trabalho humanitário integral da ONU e o respeito do Talibã a esse trabalho humanitário de modo integral; e o segundo, oferece segurança e até escolta quando houver situações de insegurança que a justifiquem ”, afirmou. “Portanto, não só existe uma atitude de aceitação do trabalho da ONU, mas também uma atitude de apoio por parte do Talibã”, relatou.

Guterres acrescentou ainda que o comunicado do Talibã também pediu apoio internacional para o desenvolvimento, para combater o tráfico de drogas e para a segurança.

“Há um claro interesse do Talibã em se envolver com a comunidade internacional e acho que isso permite alguma influência”, opinou.

Voo de auxílio é marco importante - Enquanto isso, o primeiro voo do Serviço Aéreo Humanitário da ONU (UNHAS) para a capital do Afeganistão, Cabul, desde a tomada do Talibã há um mês, foi considerado como um “marco”, com outros voos programados para acontecer em seguida. O Programa Mundial de Alimentos (WFP), que administra o UNHAS, informou que o voo decolou de Islamabad, no Paquistão, no domingo (12) e foi um sucesso.

Legenda: O Serviço Aéreo Humanitário da ONU (UNHAS) deixou Islamabad, no Paquistão, para fazer seu primeiro voo para Cabul desde que o Talibã assumiu o governo
Foto: © UNHAS/WFP

A agência disse que o plano é ter voos cinco dias por semana, de domingo a quinta-feira, viajando de Islamabad para o Afeganistão.  Os aviões voarão para Cabul, depois para as cidades de Kandahar, Mazar-i-Sharif e Herat, retornando a Islamabad pela capital. 

Anteriormente, o UNHAS já havia retomado seus voos para as cidades afegãs de Mazar-i-Sharif, Kandahar e Herat, em 29 de agosto. Segundo o WFP, que opera os voos em nome da ONU, adicionar Cabul à rota “é um marco”.

Para ONU, promessa de US$ 1 bilhão pode ser 'salto quântico' na ajuda ao Afeganistão

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Organização das Nações Unidas
WFP
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