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Planeta perdeu 14% de seus corais em uma década, revela estudo

06 outubro 2021

  • De 2009 a 2018, o mundo perdeu 14% de seus corais devido ao aumento da temperatura da superfície do mar. A área perdida é maior do que todo o coral vivo na Austrália. A tendência deve seguir, à medida que o aquecimento persistir.
  • As conclusões são da mais detalhada análise sobre o tema até o momento, o relatório "Estado dos Recifes de Coral do Mundo: 2020", publicado pela Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN) com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
  • Apesar da degradação sofrida, o estudo indica que alguns recifes têm mostrado uma notável capacidade de recuperação, o que oferece esperança para o resgate futuro. Se as pressões sobre estes ecossistemas críticos diminuírem, os recifes degradados têm podem se recuperar dentro de uma década.
Legenda: O complexo habitat dos recifes de corais é essencial para abrigar altos níveis de biodiversidade
Foto: © Q.U.I. / Unsplash

O relatório Estado dos Recifes de Coral do Mundo: 2020, divulgado na terça-feira (5), documenta a perda de aproximadamente 14% dos corais desde 2009. A sexta edição do relatório produzido pela Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN), com apoio o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), fornece o quadro mais detalhado já existente sobre o impacto das temperaturas elevadas nos recifes de coral do planeta.

O documento, que é a maior análise da saúde global dos recifes de coral já realizada, se baseia em dados coletados por mais de 300 cientistas a partir de 2 milhões de observações individuais de 12.000 locais de 73 países abrangendo um período de 40 anos.

Os recifes de coral em todo o mundo estão sob o implacável estresse do aquecimento causado pelas mudanças climáticas e outras pressões locais, como a pesca excessiva, o desenvolvimento costeiro insustentável e o declínio da qualidade da água. A perda irrevogável dos recifes de coral seria catastrófica.

Embora os recifes cubram apenas 0,2% do fundo do oceano, eles abrigam pelo menos um quarto de todas as espécies marinhas, proporcionando um habitat crítico e uma fonte fundamental de proteína, bem como de medicamentos que salvam vidas. Estima-se que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo dependem deles para alimentação, emprego e proteção contra tempestades e erosão.

Entre 2009 e 2018, o mundo perdeu cerca de 11.700 quilômetros quadrados de coral, mais do que todo o coral vivo na Austrália.

"Estamos ficando sem tempo: podemos reverter as perdas, mas temos que agir agora", disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.

"Na próxima conferência climática em Glasgow e na conferência sobre biodiversidade em Kunming, os tomadores de decisão têm a oportunidade de mostrar liderança e salvar nossos recifes, mas somente se eles estiverem dispostos a tomar medidas ousadas. Não devemos deixar que as gerações futuras herdem um mundo sem corais", complementou.

O relatório também concluiu que muitos dos recifes de coral do mundo permanecem resilientes e podem se recuperar se as condições permitirem, proporcionando uma esperança para a saúde dos recifes de coral a longo prazo se medidas imediatas forem tomadas para estabilizar as emissões a fim de conter o aquecimento futuro.

"Este estudo é a análise mais detalhada até o momento sobre o estado dos recifes de coral do mundo, e as notícias são mistas. Há tendências claramente inquietantes para a perda de corais, e podemos esperar que elas continuem à medida que o aquecimento persistir". Apesar disso, alguns recifes têm mostrado uma notável capacidade de recuperação, o que oferece esperança para o resgate futuro dos recifes degradados. Uma mensagem clara do estudo é que a mudança climática é a maior ameaça para os recifes do mundo, e todos nós devemos urgentemente fazer nossa parte reduzindo as emissões globais de gases de efeito estufa e mitigando as pressões locais", disse o CEO do Instituto Australiano de Ciências Marinhas, Paul Hardisty.

A análise que examinou 10 regiões de recifes de coral ao redor do mundo, mostrou que os eventos de branqueamento dos corais causados pelas altas temperaturas da superfície do mar foram o principal fator da perda de corais, incluindo um evento agudo em 1998 que se estima ter matado 8% dos corais do mundo - mais do que todos os corais que vivem atualmente em regiões do Caribe ou do Mar Vermelho e do Golfo de Aden. A diminuição a longo prazo vista durante a última década coincidiu com um aumento persistente de temperaturas da superfície do mar.

"Os recifes de coral, tão frágeis e de tamanha importância, estão atualmente sob uma grave ameaça. Acidificação oceânica, aquecimento global, poluição: as causas dessas ameaças são muitas e particularmente difíceis de serem enfrentadas, na medida em que são extremamente difusas, e resultam de todo o nosso paradigma de desenvolvimento. Sabemos que existem soluções que nos ajudarão a proteger os corais com mais eficácia, a mitigar as ameaças que pairam sobre eles e, mediante o desenvolvimento da pesquisa científica, a compreender melhor como podemos salvá-los", afirmou o príncipe de Mônaco, Albert II.

A análise investiga mudanças na cobertura tanto de corais duros vivos quanto de algas. A cobertura de corais duros vivos é um indicador da saúde dos recifes de coral fundamentado na ciência, enquanto o aumento das algas é um sinal amplamente aceito de estresse para os recifes. Desde 1978, quando os primeiros dados utilizados no relatório foram coletados, houve um declínio de 9% na quantidade de corais duros em todo o mundo. Entre 2010 e 2019, a quantidade de algas aumentou em 20%, correspondendo a declínios na cobertura de corais duros. Esta transição progressiva de corais para comunidades de recife dominadas por algas reduz o complexo habitat que é essencial para abrigar altos níveis de biodiversidade.

O relatório também destacou que, embora durante a última década o intervalo entre os eventos de branqueamento de corais em massa tenha sido insuficiente para permitir a recuperação total dos recifes de coral, em 2019 foi observada certa recuperação, com os recifes de coral recuperando 2% da cobertura de coral. Isto indica que os recifes de coral ainda são resilientes e, se as pressões sobre estes ecossistemas críticos diminuírem, então eles têm a capacidade de se recuperar, potencialmente dentro de uma década, para os recifes saudáveis e florescentes que eram predominantes antes de 1998.

Destaques do relatório:

  • Os eventos de branqueamento de corais em larga escala são as maiores peturbações para os recifes de coral do mundo. Somente o evento de 1998 matou 8% dos corais do mundo, o equivalente a cerca de 6.500 quilômetros quadrados de coral. Os maiores impactos deste evento de branqueamento em massa foram observados no Oceano Índico, Japão e Caribe, com impactos menores observados no Mar Vermelho, Golfo, Pacífico Norte no Havaí e Ilhas Carolinas, e Pacífico Sul em Samoa e Nova Caledônia.
  • Entre 2009 e 2018, o mundo perdeu cerca de 14% do coral em seus recifes, o que equivale a cerca de 11.700 quilômetros quadrados de coral, mais do que todo o coral vivo na Austrália.
  • As algas dos recifes, que crescem durante períodos de estresse, aumentaram em 20% na última década.
  • Antes disso, em média, havia duas vezes mais corais do que algas nos recifes do mundo.
  • Os recifes de coral no Triângulo de Coral da Ásia Oriental, que é o centro da biodiversidade dos recifes de coral e representa mais de 30% dos recifes do mundo, foram menos afetados pelo aumento da temperatura da superfície do mar. Apesar da diminuição de corais duros durante a última década, em média, estes recifes têm mais corais hoje do que em 1983, quando os primeiros dados desta região foram coletados.
  • Quase invariavelmente, as quedas bruscas na cobertura de corais corresponderam a aumentos rápidos nas temperaturas da superfície do mar, indicando sua vulnerabilidade a picos, o que é um fenômeno que provavelmente acontecerá com maior frequência à medida que o planeta continuar aquecendo.

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