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Debate da Assembleia Geral da ONU ressalta a necessidade de investimentos em ação climática

27 outubro 2021

Poucos dias antes da conferência de mudança climática (COP26), a Assembleia Geral da ONU se reuniu para debater exclusivamente as ações necessárias para atingir as metas contra o aquecimento global.

O secretário-geral declarou que a COP26, em Glasgow, vai ser um "momento da verdade", uma vez que, apesar da urgência, as ações dos governos até agora “não estão acrescentando em nada no que realmente precisa ser feito”.

António Guterres reforçou, mais uma vez, a necessidade de solidariedade. Segundo ele, os países mais ricos precisam cumprir seus compromissos de financiamento de 100 bilhões de dólares anuais para as nações em desenvolvimento. Os doadores e bancos de desenvolvimento devem direcionar ao menos 50% de seu suporte climático para a adaptação nestes países.

O chefe da ONU também pediu que a China, atualmente a maior fonte mundial dos gases de efeito estufa, revise suas metas nacionais para um plano mais ambicioso rumo à neutralidade de carbono.

Inundações em Bangladesh
Legenda: Eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes em todo mundo. Inundações em Bangladesh submergiram mais de 25% do país em 2020
Foto: © Moniruzzaman Sazal Floods/Climate Visuals Countdown

A Assembleia Geral das Nações Unidas se reuniu na terça-feira (26) para abordar a superação das lacunas financeiras e técnicas que vão auxiliar na limitação do aquecimento global. O encontro aconteceu poucos dias antes da conferência de mudança climática, COP 26, e permitiu que os países debatessem as ações necessárias para atingir as metas contra o aquecimento global.

O debate foi convocado pelo presidente da Assembleia, Abdulla Shahid. Ele destacou a realidade severa que o clima causa por meio da elevação dos níveis dos oceanos, que ameaça nações insulares como seu país de origem, as Malvinas.

Agir como um - Shahid frisou que é possível superar esses impactos se os Estados trabalharem juntos. “O evento de hoje não vai resolver as mudanças climáticas, somente ações irão. O encontro de hoje é um lembrete para as pessoas do que nós somos capazes de fazer se agirmos em conjunto, confiarmos na ciência e mobilizarmos sabiamente os diversos recursos que temos disponíveis”, declarou.

Cientistas estão certos sobre as causas da emergência climática. Valérie Masson-Delmotte, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), afirmou que as ações humanas aqueceram a atmosfera, os oceanos e a terra, levando ao derretimento do gelo e a mudanças imprevisíveis e rápidas. O IPCC é a entidade da ONU que publicou uma série de relatórios revolucionários e alarmantes sobre o clima.

presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid
Legenda: O presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid. Seu país de origem, as Maldivas, é um dos mais ameaçados pela elevação dos oceanos
Foto: © Manuel Elias/UN Photo

“A mudança climática, causada pelo homem, já está afetando todas as partes do planeta de diversas maneiras, aumentando a frequência e a intensidade de eventos extremos como as ondas de calor, chuvas fortes, secas e queimadas. As mudanças que já estamos experimentando vão aumentar diante de mais aquecimento”, declarou a cientista.

Momento da verdade da Cop 26 - O secretário-geral, António Guterres, apontou que a ONU e a Assembleia Geral, com 193 Estados-membros representados, foram criadas para que os países pudessem se unir a fim de resolver crises comuns, como é o caso das mudanças climáticas.

Para ele, a COP 26, em Glasgow, vai ser um "momento de verdade", porque, apesar da urgência, as ações dos governos até agora “não estão acrescentando em nada no que realmente precisa ser feito”.

O mundo atualmente continua na faixa de aumento da temperatura global de 2,7ºC, longe da meta de 1,5º do Acordo de Paris, o que o chefe da ONU declarou ser “o único meio de vida futura para a humanidade”.

Sem ‘delicadezas diplomáticas’ - O secretário-geral apontou que a situação só pode ser revertida através da redução da emissão de gases de efeito estufa em até 45% nesta década, quando comparado aos níveis de 2010, e com a eliminação de todas as emissões até a metade do século. Os líderes devem chegar na COP 26 com objetivos ousados e novas políticas concretas.

“O tempo passou para delicadezas diplomáticas. Se os governos - em especial os do G20 - não tomarem posição e liderarem esse esforço, vamos caminhar para um sofrimento humano terrível”, assinalou Guterres.

Enquanto as pessoas esperam pela liderança dos governantes, o chefe da ONU frisou que todos têm um papel para que se alcance um futuro no qual os combustíveis fósseis, que geram os gases de efeito estufa, sejam trocados por recursos de energia mais limpos. Isto inclui empresários, investidores e cidadãos.

“Os indivíduos, em cada sociedade, precisam tomar decisões melhores e mais responsáveis em relação ao que comem, como se locomovem e naquilo que consomem. Os jovens - e os ativistas do clima - precisam continuar a fazer aquilo que já fazem: demandar ações dos líderes”, indicou Guterres.

Ação e solidariedade - O secretário-geral também ressaltou que a solidariedade é necessária e pediu aos países mais ricos que cumpram seus compromissos de financiamento de até 100 bilhões de dólares anuais para as nações em desenvolvimento. Ele também solicitou que os doadores e bancos de desenvolvimento direcionem ao menos 50% de seu suporte climático para a adaptação e resiliência nos países em desenvolvimento.

Não deixar ninguém para trás - O presidente do Conselho Econômico e Social da ONU, Collen Kelapile, acredita que a ação climática e o desenvolvimento sustentável devem andar juntos. Ele destacou que todos devem fazer parte da construção de um futuro sem emissões de gases poluentes.

“A transformação global para enfrentar a mudança climática deve ser justa, inclusiva e equitativa a fim de garantir que ninguém seja deixado para trás, especialmente, as mulheres, crianças, jovens, nativos e deslocados”, afirmou Kelapile.

Ele completou dizendo que os países precisam investir na requalificação de seus trabalhadores, e na diversificação econômica das comunidades. Assim como o secretário-geral, o presidente do Conselho também pediu mais suporte para os países em desenvolvimento na busca por um caminho mais verde.

China precisa de metas mais ambiciosas - Um dia antes, na segunda-feira (26), o secretário geral das Nações Unidas havia pedido à China que apresente uma Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) mais ambiciosa. Com a maior população do mundo, o país é também a maior fonte mundial dos gases de efeito estufa, em termos absolutos.

Guterres elogiou a decisão chinesa de interromper o financiamento de usinas termelétricas a carvão no exterior e de apoiar diretamente a produção energética verde e de baixo carbono, mas destacou que o mundo “precisa fazer tudo ao seu alcance para manter a meta da temperatura global em 1,5ºC do Acordo de Paris viva”.

O chefe da ONU também falou que a Organização vai apoiar o governo da China na Conferência da Biodiversidade, COP 15, que acontece na cidade chinesa de Kunming de 25 de abril a 8 de maio do ano que vem. Para ele, “a ambição na biodiversidade e no clima se fortalecem mutuamente. Tanto em Glasgow quanto em Kunming, nós devemos fazer nossa parte para alcançarmos a paz com a natureza e para protegermos o planeta para as futuras gerações”.

Resolução - Os comentários foram feitos durante uma cerimônia de celebração do 50º aniversário da decisão sobre os direitos legais chineses na ONU (resolução 2758) na Assembleia Geral. O decreto, assinado em 25 de outubro de 1971, substituiu a República da China pela República Popular da China como membro permanente do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral.

Para o secretário geral, nas décadas seguintes, o país “se tornou um contribuidor cada vez mais importante para o trabalho da organização e um pilar central na cooperação internacional”.

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