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Economistas da OMS pedem 'redirecionamento radical' com foco na saúde

27 outubro 2021

O Conselho Econômico da OMS lançou um relatório sobre financiamento em saúde em busca de universalizar o acesso a esse direito. Ao apresentar os gastos com saúde enquanto investimentos, os autores do trabalho indicam como criar espaço fiscal, capitalizar investimentos diretos e administrar finanças públicas e privadas. 

O relatório também coloca os investimentos para garantir a igualdade de acesso à saúde para todos como objetivo central da atividade econômica. Indica, ainda, a desigualdade vacinal como um exemplo do paradigma econômico que possui um pensamento desatualizado sobre o desenvolvimento econômico.

O novo documento servirá para discussões na Cúpula do G20 com os principais países industrializados. Para os economistas da OMS, o encontro é uma janela de oportunidade para um “redirecionamento radical” necessário para desviar o mundo de políticas macroeconômicas que não promovem a Saúde Para Todos.

Legenda: Uma mulher mais velha recebe a vacina contra COVID-19 em um hospital em Kathmandu, Nepal
Foto: © OMS/Blink Media/Uma Bista

O órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que promove a saúde pública universal está pedindo investimentos ambiciosos em gastos com saúde, reformulando-os como um investimento de longo prazo, e não um custo de retorno imediato. Lançado na terça-feira (26), o novo relatório do Conselho Econômico da OMS,  intitulado "Financiando a Saúde para Todos", aponta três ações principais: criar espaço fiscal, investimentos diretos e administração de finanças públicas e privadas.  

De acordo com o documento, os investimentos para garantir a igualdade de acesso à saúde para todos devem se tornar o objetivo central da atividade econômica. A liderança pública deve trabalhar para criar políticas regulatórias, tributárias e industriais positivas e aumentar o investimento nessa área. 

Sobre os gastos públicos, os especialistas dizem que aliviar as restrições impostas por premissas econômicas desatualizadas e reverter as reformas que levaram a grandes cortes no sistema de saúde permitiria que os gastos aumentassem significativamente. 

Por fim, as finanças públicas e privadas devem ser regidas por uma maior regulamentação dos mercados privados de saúde, por meio de medidas que melhorem os resultados globalmente e de forma equitativa. 

Desigualdade - pandemia COVID-19  destacou grandes e crescentes desigualdades em todo o mundo no acesso à saúde. Para cada 100 pessoas em países de alta renda, 133 doses da vacina foram administradas, enquanto em países de baixa renda esse número é de apenas 4 doses. 

De acordo com os especialistas da OMS, o mundo “continua a seguir o mesmo paradigma econômico que não muda a estrutura financeira subjacente e aplica um pensamento desatualizado sobre o desenvolvimento econômico”. 

Janela de oportunidade - De 29 a 31 de outubro, em Roma, os líderes nacionais, juntamente com os ministros da saúde e das finanças, se reunirão para a Cúpula do G20 dos principais países industrializados. Para os economistas da OMS, o encontro é uma janela de oportunidade para um “redirecionamento radical”.

O Conselho acredita que um novo paradigma é necessário para evitar políticas macroeconômicas que afastem o mundo da visão de Saúde para Todos, objetivo da OMS.  

Apresentando o novo relatório, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a pandemia COVID-19 “demonstrou que o financiamento dos sistemas de saúde precisa mudar radicalmente para proteger e promover a saúde de todas as pessoas”.

Para ele, o documento “deixa um argumento claro e convincente para a necessidade de um financiamento sustentado direcionado para a saúde de todas as pessoas e para que os investimentos sejam entendidos como ganhos de longo prazo para o desenvolvimento nacional e global”.  

Além do financiamento - A presidente do Conselho da OMS, professora Mariana Mazzucato, observou que os sistemas de saúde em geral não têm recursos suficientes, mas alertou que “mais financiamento não é a única solução”. 

“O trabalho do Conselho reforça a necessidade de reformar e redirecionar o financiamento de forma radical para que o objetivo Saúde para Todos se enquadre nas estruturas financeiras, nas condicionalidades e nas parcerias entre o empresariado e o Estado”, explicou.   

Objetivo ambicioso - O Conselho de Economia da Saúde para Todos da OMS foi estabelecido em novembro passado para repensar como o valor em saúde e bem-estar é medido, produzido e distribuído entre as economias. 

Composto por dez dos mais eminentes economistas e especialistas em saúde do mundo, o Conselho atua em quatro áreas. Resumos em cada uma dessas áreas, e um relatório final, a ser produzido em 2023, serão usados ​​para impulsionar a mudança na estrutura da atividade econômica, em favor da concretização do objetivo ambicioso. 

Os membros do Conselho são: professora Mariana Mazzucato (Presidente), professora Senait Fisseha, professora Jayati Ghosh, Vanessa Huang, professora Stephanie Kelton, professora Ilona Kickbusch, Zélia Maria Profeta da Luz, Kate Raworth, Dra. Vera Songwe e Dame Marilyn Waring.

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