Notícias

Gargalos do transporte marítimo só serão resolvidos com vacinação global

19 novembro 2021

Desafios de logísticas na cadeia de fornecimento de transporte marítimo induzidos pela pandemia, como falta de equipamentos e contêineres, serviços menos confiáveis, portos congestionados e valores de frete mais caros, ainda são um entrave para a recuperação econômica global.

Um novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revela que a pandemia expôs e aumentou os desafios existentes no transporte naval. Ele estima que os efeitos indiretos da crise terão um longo alcance e podem transformar o setor.

De acordo com o documento, o comércio marítimo contraiu 3,8% em 2020, mas se recuperou e tem uma estimativa de crescimento de 4,3% para este ano

Para a agência da ONU, a recuperação socioeconômica global vai depender de um transporte marítimo inteligente, resiliente e sustentável e um esforço global de vacinação contra a COVID-19.

Legenda: Sobretaxas, tarifas e taxas aumentaram temporariamente ainda mais após o encalhe do Ever Given, que bloqueou o Canal de Suez em março, interrompendo o comércio global
Foto: © Suez Canal Authority

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) afirmou, em relatório publicado na quinta-feira (18), que, apesar do impacto da pandemia da COVID-19 no comércio marítimo ter sido menos severo que o esperado no ano passado, os efeitos indiretos terão um longo alcance e podem transformar o setor.

O comércio marítimo contraiu 3,8% em 2020, mas depois se recuperou e tem uma estimativa de crescimento de 4,3% para este ano, segundo o Relatório de Transporte Marítimo de 2021 da UNCTAD.

O estudo revelou que o cenário geral se mantém positivo, mas está sujeito a um crescente risco e incerteza, como pressões sem precedentes nas cadeias de abastecimentos globais, picos dramáticos em rotas de fretes e aumento dos preços afetando os consumidores e os importadores.

Desenrolar crítico da vacina - A agência declarou que a recuperação socioeconômica global vai depender de um transporte marítimo inteligente, resiliente e sustentável e um esforço mundial de vacinação contra a COVID-19, a fim de levar as doses para os países em desenvolvimento.

“Uma última recuperação vai depender da trajetória da pandemia, da capacidade de mitigação das situações adversas e do desenrolar da vacinação global. Os efeitos da crise da COVID-19 vão impactar, de forma mais severa, as pequenas ilhas em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos”, afirmou a secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan.

Desafios prévios expostos - A UNCTAD anunciou que a pandemia também expôs e ampliou os desafios existentes na indústria naval, principalmente, a escassez de mão de obra e as necessidades de infraestrutura.

A agência pediu uma ação urgente a fim de resolver a situação de milhares de navegadores que permanecem isolados no oceano devido à pandemia, às restrições de movimento, ao fechamento de fronteiras e à falta de voos internacionais, que afetaram a substituição de tripulantes e as repatriações.

O relatório defende que a indústria, os governos e as organizações internacionais devem garantir que os navegadores sejam designados como trabalhadores essenciais e vacinados de maneira prioritária.

Desafios de logística e taxas - A recuperação do comércio marítimo foi marcada pelos desafios de logísticas induzidos pela pandemia, como falta de equipamentos e contêineres, serviços menos confiáveis e portos congestionados. Os gargalos resultantes da cadeia de fornecimento têm impedido a recuperação econômica.

Desafios também existem no lado do abastecimento. Apesar de pedidos por novas embarcações de contêineres terem diminuído em 16% ano passado, companhias navais aumentaram os pedidos de novos navios para este ano em meio às limitações atuais de capacidade.

Sobretaxas, tarifas e taxas aumentaram temporariamente ainda mais após o encalhe do Ever Given, o enorme navio de contêineres que bloqueou o Canal de Suez em março, interrompendo o comércio global. 

Segundo o relatório, as empresas marítimas se beneficiaram com o aumento das taxas de frete. A UNCTAD alertou que importações e preços aumentarão se o crescimento nas taxas de fretes de contêineres continuar.

Monitorando o mercado - A análise mostrou que os níveis do preço de importação global subiram por volta de 11%. Nos  países insulares, que dependem do transporte marítimo para importação, essa elevação foi de até 24%.

Se a situação persistir, os preços vão crescer cerca de 1,5% em 2023. O aumento esperado nos países insulares é de 7,5%, enquanto que, nos países menos desenvolvidos, a estimativa é de 2,2%.

A UNCTAD destacou a necessidade de monitorar o comportamento do mercado e de garantir a transparência na definição de taxas, tarifas e sobretaxas.

O relatório também examinou como a pandemia acelerou as megatendências que podem transformar o transporte marítimo, como a digitalização e automação, as quais poderiam levar a mais eficiência e a uma redução dos custos.

Construindo resiliência climática - A indústria naval também está lidando com a adaptação e a resiliência climáticas, ainda que a necessidade urgente de descarbonização e a busca de combustíveis alternativos para reduzir as emissões venham a aumentar os custos.

A diretora de tecnologia e logística da UNCTAD, Shamika N. Sirimanne, disse que “ao expor as vulnerabilidades existentes nas cadeias de suprimentos, a pandemia definiu as necessidades de construção de resiliência e reacendeu o debate sobre globalização e cadeias de fornecimento futuras”.

 

Gargalos do transporte marítimo só serão resolvidos com vacinação global

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNCTAD
Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa