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ACNUR e parceiros fazem mutirão de atendimento a refugiados e migrantes em SP

19 novembro 2021

Agentes comunitários e instituições parceiras da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizaram o atendimento de mais de 150 pessoas refugiadas que vivem na zona sul de São Paulo.

Os serviços ofertados contemplaram encaminhamentos para a regularização documental, cadastro de currículos e encaminhamentos para vagas de emprego, assistência social e de saúde, inscrição para aulas de português e rodas de conversas sobre dúvidas de integração desta população.

Ação responde às principais demandas apontadas em levantamento feito este ano junto à população venezuelana residente na zona sul da capital.

Pessoas refugiadas e migrantes da zona sul de São Paulo são atendidas no mutirão de serviços realizado com apoio do ACNUR
Legenda: Pessoas refugiadas e migrantes da zona sul de São Paulo são atendidas no mutirão de serviços realizado com apoio do ACNUR
Foto: © Silvia Sander/ACNUR

No último sábado (13), 150 pessoas refugiadas que vivem na zona sul de São Paulo foram atendidas por um mutirão de serviços prestados por agentes comunitários e instituições parceiras da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Além do ACNUR, estiveram presentes no mutirão as organizações Caritas São Paulo, Cruz Vermelha Brasileira, Educação Sem Fronteiras, Estou Refugiado, PARR e Visão Mundial, assim como a Aldeias InfantisSOS, o CRAI Móvel da Prefeitura de São Paulo e a Rede Interação.

Os serviços ofertados contemplaram encaminhamentos para a regularização documental, cadastro de currículos e encaminhamentos para vagas de emprego, assistência social e de saúde, inscrição para aulas de português e rodas de conversas sobre dúvidas de integração desta população. No total, 156 pessoas compareceram no evento.

“Esta ação conjunta de atendimento comunitário às pessoas refugiadas e migrantes busca responder às demandas de maior interesse e urgência desta população, conforme identificado em mapeamento feito por agentes comunitários da própria comunidade. A intenção é promover o acesso a serviços e a oportunidades de apoio de forma descentralizada na cidade, garantindo que aquelas pessoas mais distantes do centro expandido de São Paulo também possam ser apoiadas”, afirmou a associada de Proteção do ACNUR Silvia Sander.

Em busca de oportunidades - Durante o mutirão, uma das beneficiadas foi Verônica Barra. Ela conseguiu se inscrever em três programas voltados para recolocar pessoas refugiadas no mercado de trabalho.

A vida de Verônica se transformou desde agosto de 2020, quando foi forçada a deixar a Venezuela em razão do agravamento da situação econômica e social do país, assim como pela discriminação pelo fato de ser uma mulher trans. Ela chegou até a fronteira com o Brasil caminhando e pegando carona, pois os recursos eram escassos. Para piorar, a pandemia de COVID-19 dificultou ainda mais conseguir proteção e acessar direitos.

“Tive que dormir na rua, em Santa Helena, na Venezuela. Pelas circunstâncias, atravessei a fronteira pelas ‘trochas’ (entradas irregulares entre os dois países)”, conta Verônica.

Legenda: A ação promoveu, entre outras ações, encaminhamentos para a regularização de documentos
Foto: © Miguel Pachioni/ACNUR

Desde que chegou ao Brasil, ela tem buscado trabalho de acordo com sua experiência prévia. Mas ainda não teve a oportunidade de implementar seus planos.

“Estou com minha documentação regularizada, quero trabalhar para poder abrir meu próprio restaurante em São Paulo”, afirmou Verônica. “Acabo de cadastrar meu currículo e estarei atenta ao meu celular para que possa atender a pedidos de entrevista, pois o que queremos é uma oportunidade para mostrar que chegamos para contribuir”, completa a venezuelana.

Ela chegou até São Paulo por meio da estratégia de interiorização voluntária, promovido pela Operação Acolhida (resposta do governo federal ao fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela para o Brasil) e apoiado pelo ACNUR, outras agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil.

Censo população refugiada - Em fevereiro deste ano, o ACNUR iniciou, em parceria com a Rede Interação e o SOS Aldeias Infantis, um projeto de empoderamento da comunidade venezuelana residente em Interlagos, no extremo da zona sul de SP. Uma das etapas do projeto incluiu a formação e preparação de agentes comunitários para a realização de um levantamento censitário da população venezuelana, ocorrido em agosto deste ano, sobre perfil, principais desafios enfrentados e serviços acessados.

O estudo abrangeu 79 famílias, atingindo 261 pessoas, em sua maioria homens (53%), entre 18 e 59 anos (57%), cujas famílias são compostas por quatro membros ou mais (81%). Dentre os principais temas de interesse levantados, estão emprego e meios de geração de renda, acesso à moradia e documentação.

Dessa forma, o mutirão realizado buscou cobrir e ampliar os assuntos de maior interesse destas pessoas que, mesmo tendo uma formação de qualidade (cerca de 50% tem ensino superior, técnico ou médio concluídos) e experiência prévia em inúmeros trabalhos, enfrentam dificuldades na recolocação no mercado de trabalho para dar continuidade ao seu processo de integração e também contribuir para o desenvolvimento de suas comunidades de acolhida.

Como próximos passos, os agentes comunitários seguirão, com o apoio do ACNUR, da Rede Interação e do Aldeias Infantis SOS, elaborando Plano de Ação Comunitária para seguir buscando estratégias coletivas de resposta às demandas mapeadas na comunidade.

ACNUR e parceiros fazem mutirão de atendimento a refugiados e migrantes em SP

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa