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38 milhões de pessoas viviam com HIV em 2020

02 dezembro 2021

Em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, diversas autoridades da ONU se pronunciaram sobre a urgência e gravidade da doença. Para o secretário-geral, António Guterres, o caminho para erradicar desigualdades e acabar com a AIDS até 2030 está resumido na Declaração Política para o tema, adotada pela Assembleia Geral em junho deste ano. 

Desde a histórica Sessão Especial da Assembleia Geral sobre HIV/AIDS, há duas décadas, a doença tornou-se evitável e tratável. O presidente da Assembleia, Abdulla Shahid, atestou a importância de aprender com os erros cometidos no passado, como ocultar diagnósticos devido ao estigma social, desinformação sobre prevenção ou tratamento e legislação que atrasaram a ação. Ele também destacou uma conexão entre COVID-19 e HIV/AIDS, apontando que ambas exacerbam as desigualdades. 

Em 2020, estima-se que 38 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo. Cerca de 310 mil crianças e adolescentes foram infectados pelo vírus, pelo menos 120 mil menores morreram de causas relacionadas à doença. Além disso, a ONU calcula que pelo menos 2,78 milhões de soropositivos são crianças e adolescentes de até 19 anos.

Legenda: A data marca também o 25º aniversário do UNAIDS
Foto: © PNUD Zimbabwe

No Dia Mundial de Luta contra a AIDS, 1º de dezembro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressalta que ainda é possível acabar com a doença até 2030. Para que isso aconteça, no entanto, seria preciso promover ações mais assertivas. A fala de Guterres faz referência à Declaração Política visionária sobre HIV e AIDS adotada pela Assembleia Geral, e delineia um caminho ambicioso para acabar com as desigualdades e entrar no caminho para acabar com a AIDS até 2030.

O chefe da ONU destacou que este ano o foco é combater desigualdades que impulsionam o HIV/AIDS. Ele defende ação coletiva contra a doença e que seja criada resiliência a futuras pandemias. Esse tipo de atuação envolve aproveitar a liderança das comunidades para impulsionar a mudança, combatendo o estigma e eliminando leis, políticas e práticas discriminatórias e punitivas.

O secretário-geral pede ainda o fim de barreiras financeiras aos cuidados de saúde e mais investimento em serviços públicos para alcançar a cobertura universal com garantia de igualdade no acesso à prevenção, aos testes, ao tratamento e aos cuidados, incluindo vacinas e serviços contra a COVID-19.

Reunião histórica - 40 anos depois que os primeiros casos foram relatados, uma reunião comemorativa realizada na terça-feira (30) sob o tema “Acabar com as desigualdades, acabar com a AIDS e acabar com pandemias” voltou os olhos do mundo para o flagelo da doença. Na ocasião, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Abdulla Shahid, destacou uma conexão entre COVID-19 e HIV/AIDS, apontando que ambos exacerbam as desigualdades. Em 2020, estima-se que 38 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo.

'Responsabilidade de agir' - Desde a histórica Sessão Especial da Assembleia Geral sobre HIV/AIDS, há duas décadas, a doença tornou-se evitável e tratável. O presidente da Assembleia atestou a importância de aprender com os erros cometidos no passado, como ocultar diagnósticos devido ao estigma social, desinformação sobre prevenção ou tratamento e legislação que atrasaram a ação. Também acrescentou que, assim como a desinformação antes atrapalhava o tratamento e diagnóstico de HIV/AIDS, hoje ela ameaça o progresso no combate à COVID-19.

“Temos a responsabilidade de agir”, Shahid argumentou. “Apelo a todas as partes interessadas para proteger os direitos humanos de todos e garantir o acesso aos serviços de saúde sem estigma e discriminação”.

Legenda: Em Ndjamena, Chad, um rapaz sorri ao descobrir que é HIV negativo
Foto: © UNICEF/Frank Dejong

ODS trilham o caminho - Para o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, a resposta global à AIDS deixou uma incrível lição sobre como o “progresso é possível com ambição, vontade política e solidariedade”.

Em sua fala, Steiner explicou que o plano estabelecido na Declaração emblemática tem como guias os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o compromisso de não deixar ninguém para trás. E que só com o foco no fim das desigualdades e nas pessoas, bem como em financiamentos e investimentos, será possível eliminar a doença.

“A Declaração Política de 2021 sobre HIV e AIDS também pede mais investimento no avanço dos direitos humanos, igualdade de gênero e respostas lideradas pela comunidade. Para recuperar o terreno perdido com o HIV e acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública, precisamos expandir as abordagens centradas nas pessoas, abordagens essas que eliminam as desigualdades e promovem a equidade, a não-discriminação e os direitos humanos,” concluiu Steiner em um comunicado em comemoração à data. 

Programa conjunto - A data marca também o 25º aniversário do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), que atua sob o mandato do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) e uniu entidades em todo o sistema das Nações Unidas para mobilizar países e comunidades em todo o mundo A tomar medidas no combate ao HIV/AIDS.

“Por quatro décadas, o programa forneceu liderança global, promoveu consenso político, fortaleceu a capacidade dos governos nacionais de desenvolver estratégias nacionais abrangentes de HIV/AIDS e do sistema das Nações Unidas para monitorar a implementação”, disse o presidente do ECOSOC, Collen Kelapile.

O agente do ECOSOC também pontuou que a luta contra o HIV/AIDS serve como um exemplo de sucesso de liderança política e compromisso, ação conjunta em face de uma crise global e a importância de um multilateralismo efetivo.

É preciso maior empenho - A chefe do UNAIDS, Winnie Byanyima, lembrou que a AIDS continua a ser uma pandemia, dizendo: “a luz vermelha está piscando e só agindo rapidamente para acabar com as desigualdades que impulsionam a pandemia poderemos superá-la”.

Byanyima observou que em meio à crise violenta do COVID-19, o progresso no combate à AIDS está sob pressão ainda maior - interrompendo os serviços de prevenção e tratamento do HIV, como projetos informativos e educativos, programas de prevenção da violência e muito mais.

Ela também pediu mais ímpeto em ações concretas entre pelos Estados-membros para lidar com as desigualdades que estão impulsionando o HIV para evitar o risco de uma pandemia de AIDS que dure décadas. Ao enfrentar as desigualdades que impedem o progresso, ela afirmou que “podemos cumprir a promessa de acabar com a AIDS até 2030”.

Muitas infecções - Menores de 15 anos representam 5% de todas as pessoas soropositivas, um décimo de novas infecções e 15% das mortes relacionadas à AIDS em todo o mundo. 

Mais de 160 mil crianças foram infectadas no ano passado, um total que está mais de oito vezes acima do limite de 20 mil novas infecções que eram esperadas para essa faixa etária.

Com a pandemia, vários países sofreram interrupções em serviços de prevenção, teste e tratamento. O acesso limitado à saúde materno-infantil e cuidados de acompanhamento foram afetados e falharam os estoques de insumos essenciais. 

Em 2020 houve cerca de 310 mil crianças e adolescentes infectados pelo vírus. Pelo menos 120 mil menores morreram de causas relacionadas à doença causada pelo HIV. A organização estima que pelo menos 2,78 milhões de soropositivos são crianças e adolescentes de até 19 anos. 

38 milhões de pessoas viviam com HIV em 2020

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU
Organização das Nações Unidas
UNAIDS
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA
PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa