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ONU e Pacto Global lançam 7ª edição do Empoderando Refugiadas

04 maio 2022

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a ONU Mulheres e o Pacto Global anunciam o lançamento da 7ª edição do Empoderando Refugiadas, projeto que fomenta o acesso de mulheres em situação de refúgio ao mercado de trabalho brasileiro por meio de capacitação, sensibilização do setor privado e interiorização voluntária para outras cidades.

Em evento realizado nesta terça-feira (3), foram apresentados os resultados da edição anterior, as novidades para 2022 e reforçado o convite para que as empresas se engajem à causa. Nesta edição, o projeto pretende capacitar 80 mulheres.

Capacitar as participantes para o mercado de trabalho brasileiro, facilitar adaptação cultural e laboral no país e promover a contratação formal de refugiadas são alguns dos objetivos do projeto.
Legenda: Capacitar as participantes para o mercado de trabalho brasileiro, facilitar adaptação cultural e laboral no país e promover a contratação formal de refugiadas são alguns dos objetivos do projeto.
Foto: © Fellipe Abreu

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a ONU Mulheres e o Pacto Global anunciam o lançamento da 7ª edição do Empoderando Refugiadas, projeto que fomenta o acesso de mulheres em situação de refúgio ao mercado de trabalho brasileiro por meio de capacitação, sensibilização do setor privado e interiorização voluntária para outras cidades.

Em evento realizado nesta terça-feira (3), foram apresentados os resultados da edição anterior, as novidades para 2022 e reforçado o convite para que as empresas se engajem à causa. Nesta edição, o projeto pretende capacitar 80 mulheres.

A edição de 2021 do Empoderando Refugiadas formou 70 refugiadas em Boa Vista (RR). Entre participantes e familiares, 40 pessoas refugiadas foram contratadas por empresas dos mais diversos setores: têxtil, naval, turismo, varejo e shopping centers. E as famílias foram interiorizadas para diferentes cidades do Brasil pela Operação Acolhida, resposta humanitária do governo brasileiro ao fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela para o país.

A 7ª edição do Empoderando Refugiadas deve durar de maio a dezembro de 2022 e contará com apoio do Youtube e Iguatemi. Será executada em parceria com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil) e Operação Acolhida. A metodologia utilizada será do Senac Roraima.

A venezuelana Roxana Millan participou do projeto em 2021, se formou no curso oferecido e conquistou uma oportunidade de trabalho na empresa Realize, instituição financeira das Lojas Renner SA. Ela foi interiorizada com o esposo e a filha adolescente para a cidade de Itajaí (SC) e, depois de seis meses da mudança, Roxana está adptada a nova vida no Brasil.

“Tenho aprendido muito na Realize e tenho muito orgulho de ser a primeira mulher refugiada contratada pela empresa. Meus gestores me acompanham e me ajudam muito. Meu esposo ama seu trabalho também e minha filha já está na escola. Estamos ainda mais felizes por poder ajudar nossas famílias na Venezuela”, contou.

Os resultados do projeto são ainda mais relevantes quando se considera o perfil das mulheres que participaram do programa. O Empoderando Refugiadas em 2021 formou uma turma dedicada a refugiadas com deficiências, doenças crônicas e/ou com necessidades especiais, além de outras interseccionalidades, como mulheres com mais de 50 anos e LGBTQIA+. O projeto acolheu ainda mulheres que possuíam familiares com deficiências e eram as únicas provedoras de renda da família.

“O Empoderando Refugiadas reúne todo o interesse das mulheres refugiadas em buscar novos conhecimentos para sua reinserção no mercado de trabalho brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento das empresas e da sociedade que passa a acolhê-las”, afirmou a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira.

O sucesso do Empoderando Refugiadas deve-se também ao setor privado, que investe na formação das participantes e oferece oportunidades de trabalho. Na edição de 2021, dez empresas contrataram as refugiadas formadas pelo projeto para atuarem em diferentes áreas. A Iguatemi, empresa que desde 2020 apoia a iniciativa, contratou nesta última edição mulheres para atuarem também nos negócios digitais da empresa, conhecido como Iguatemi 365. É o caso de Yusmaly Borjas, interiorizada para São Paulo com o esposo e quatro filhos em dezembro para trabalhar na empresa.

“Gosto muito do meu trabalho. O que não sei, pergunto. As pessoas aqui são muito pacientes e ajudam sempre. Tento me envolver em todas as atividades, estou praticando o português e aprendendo cada dia mais”, conta Yusmaly que foi elogiada pela gestora por seu comprometimento e envolvimento com a empresa.

Além das atividades oferecidas às participantes, o projeto Empoderando Refugiadas também prepara o setor privado para o processo de inclusão destas pessoas em seus quadros de colaboradores. As empresas que decidem contratar mulheres refugiadas recebem workshops, mentorias e acompanhamentos das agências da ONU para que possam não somente contratar a pessoa, mas acolher, incluir e desenvolver a refugiada. Esse processo de preparação e amadurecimento das companhias se dá em parceria com o Fórum Empresas com Refugiados.

“Da mesma forma que preparamos a refugiada para atuar no mercado de trabalho brasileiro, fazemos com a empresa. Diretoria, lideranças e colaboradores precisam entender o contexto de vida destas pessoas para, então, apoiá-las. Quando a diversidade passa a ser valor e cultura da empresa, os resultados impactam o ambiente de trabalho e o negócio: as pessoas trabalham mais engajadas, permanecem mais tempo na empresa, levam diversidade e novos ativos ao mercado”, destacou o CEO do Pacto Global, Carlo Pereira.

A iniciativa está comprometida e alinhada com a Agenda 2030, em especial ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, voltado à igualdade de gênero. Depois de se formar e conquistar um trabalho, a mulher refugiada conduz sua família a uma nova cidade, matrícula seus filhos nas escolas, passa a frequentar espaços sociais e culturais e vai, pouco a pouco, fazendo parte e transformando também os contextos socioeconômicos em que se insere. Ela é a protagonista e líder deste processo profundo de mudanças.

“Acolher e incluir social e economicamente mulheres refugiadas e migrantes é um processo de desenvolvimento que gera frutos por muito tempo e a toda a sociedade. Quando as mulheres estão economicamente empoderadas, quando elas alcançam a autonomia financeira, elas também se fortalecem contra a violência e o preconceito, além de fazerem girar a economia por meio de emprego e renda. É dever do estado e de toda a sociedade oferecer oportunidades igualitárias para homens e mulheres, considerando as demandas específicas das refugiadas e migrantes, para que elas também tenham oportunidade para se desenvolverem cada vez mais. É isso que temos buscado e alcançado por meio do Empoderando Refugiadas”, afirmou a representante da ONU Mulheres, Anastasia Divinskaya. 

Para mais informações sobre o projeto, acesse: acnur.org/portugues/empoderando-refugiadas 

As empresas e organizações interessadas em apoiar podem entrar em contato com empoderandorefugiadas@pactoglobal.org.br

ONU e Pacto Global lançam 7ª edição do Empoderando Refugiadas

ACNUR

Luiz Fernando Godinho e Miguel Pachioni

ACNUR

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU Mulheres
Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento da Mulher
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa