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ONU lança plano de ação para enfrentar crise de deslocamento interno

24 junho 2022

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou nesta sexta-feira (24) a Agenda de Ação sobre Deslocamento Interno. O documento descreve 31 compromissos do sistema da ONU para melhor resolver, prevenir e abordar situações onde a população é forçada a deixar suas casas. 

No ano passado, um recorde de 59,1 milhões de pessoas foram deslocadas dentro de seus países, segundo dados da  Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Os três objetivos principais listados no novo documento são ajudar as pessoas deslocadas internamente a encontrar soluções duradouras, prevenir futuras crises de deslocamento e  garantir proteção e assistência mais fortes para aqueles que atualmente estão em situação de deslocamento.

 

 

Andrii, Oksana e suas três filhas moram em dois quartos em uma unidade habitacional de uma reserva natural na Ucrânia, que foi transformada em um centro de acomodação para deslocados internos.
Legenda: Andrii, Oksana e suas três filhas moram em dois quartos em uma unidade habitacional de uma reserva natural na Ucrânia, que foi transformada em um centro de acomodação para deslocados internos.
Foto: © Ivan Riznyk/OIM

Nesta sexta-feira (24), as Nações Unidas lançaram a Agenda de Ação sobre Deslocamento Interno, uma resposta ao número recorde de pessoas deslocadas devido a conflitos, desastres, emergência climática e outras tragédias. O plano descreve 31 compromissos do sistema da ONU para melhor resolver, prevenir e abordar o deslocamento interno, e pede ação de países, instituições financeiras internacionais, setor privado e outros. 

No lançamento do documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que mais deve ser feito para acabar com a crise de deslocamento. “Deixe-me ser claro: o dever de acabar com o deslocamento cabe, em primeiro lugar, aos governos. No entanto, todos nós temos a responsabilidade de agir ”, disse Guterres em uma mensagem de vídeo

A nova agenda se baseia em um relatório de 2021 feito por um painel de alto nível convocado pelo secretário-geral para identificar e recomendar ações concretas capazes de resolver a crise de deslocamento interno. 

No ano passado, um recorde de 59,1 milhões de pessoas foram deslocadas dentro de seus países, segundo dados da  Organização Internacional para as Migrações (OIM). O número divulgado em maio, através do Relatório Global sobre Deslocamento Interno (GRID), representa quatro milhões a mais do que em 2020.

Muitos estão longe de casa há anos ou mesmo décadas, e muitas passaram pelo processo de deslocamento várias vezes. Outros foram forçados a fugir mais recentemente.  “Em apenas três meses, a guerra na Ucrânia expulsou 13 milhões de pessoas de suas casas e comunidades, sendo que aproximadamente dois terços deles permanecem dentro do país”, disse o chefe da ONU.  

Mudanças - A Agenda de Ação pede que a ONU e seus parceiros façam mudanças fundamentais na forma como trabalham juntos para que seja feito um o progresso real. O chefe da ONU deixou claro no relatório que “mais do mesmo não é bom o suficiente”. 

Os três objetivos principais são ajudar as pessoas deslocadas internamente a encontrar soluções duradouras, prevenir futuras crises de deslocamento e  garantir proteção e assistência mais fortes para aqueles que atualmente estão em situação de deslocamento.

Alguns dos compromissos da ONU incluem intensificar os esforços para garantir que deslocados internos e membros de comunidades locais participem mais ativamente da tomada de decisões e soluções.  

A ONU também colocará o deslocamento de forma mais sistemática em seu trabalho relacionado às mudanças climáticas, trabalhando com autoridades nacionais e locais para garantir que o deslocamento seja considerado nas políticas e planos de redução de risco de desastres. 

Questões interligadas - Os três objetivos estão interligados, conforme explicado no relatório. Nenhuma solução é sustentável se outra crise estiver se aproximando. Nenhuma assistência será suficiente se os fatores subjacentes permanecerem sem solução, e a prevenção não poderá ser bem-sucedida se as crises anteriores não tiverem sido abordadas. 

“A situação dos deslocados internos é mais do que uma questão humanitária”, disse o secretário-geral. “É preciso uma abordagem integrada – combinando desenvolvimento, construção da paz, direitos humanos, ação climática e esforços de redução de risco de desastres.” 

Ele pediu aos parceiros que apoiem a ONU na promoção de mudanças, dizendo que “juntos, podemos aliviar o sofrimento humano e proporcionar um futuro melhor para os deslocados internos em todo o mundo”.

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