Discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na cerimônia de abertura da exposição sobre os 80 anos das Nações Unidas, em 23 de junho de 2025.
80 anos da Carta da ONU: uma promessa renovada de paz, dignidade e cooperação
Legenda: O secretário-geral António Guterres (à direita) e Philemon Yang (à esquerda), presidente da 79ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, participam da inauguração da exposição “Revitalizando o Espírito de São Francisco” na sede da ONU, em 23 de junho de 2025.
Ela é mais do que pergaminho e tinta; é uma promessa — de paz, dignidade e cooperação entre as nações.
Ao abrirmos esta exposição que celebra nossos primeiros dias, lembramos que a Carta foi apenas o começo.
Os ideais nela consagrados precisavam ser colocados em prática — por pessoas, por processos e, às vezes, por algo tão simples quanto uma caixa de madeira.
Na primavera de 1946, no Hunter College, aqui na cidade de Nova Iorque, a primeira urna de votação do Conselho de Segurança foi aberta para uma inspeção rotineira antes da primeira votação.
Para surpresa de todos, já havia um pedaço de papel dentro.
Era uma mensagem do fabricante da urna — um mecânico chamado Paul Antonio. Aparentemente, os "Antonios" sempre estiveram por aqui.
Ele escreveu:
“Posso eu, que tive o privilégio de fabricar esta urna de votação, lançar o primeiro voto? Que Deus esteja com cada membro da Organização das Nações Unidas e, por meio de seus nobres esforços, traga paz duradoura para todos nós — em todo o mundo.”
Essa mensagem — humilde, esperançosa e sincera — capta o espírito das Nações Unidas em sua fundação.
E nos lembra por que estamos aqui hoje.
Oitenta anos é um piscar de olhos na história.
E, ainda assim, até a criação da ONU, a humanidade nunca teve um lugar único onde todos os governos e todos os povos pudessem se unir para consertar o mundo e construir algo melhor.
As Nações Unidas são um milagre vivo — e as mulheres e os homens da ONU dão vida a esse milagre todos os dias e em todos os lugares:
Promovendo a paz,
Combatendo a pobreza, a fome e as doenças,
Avançando os direitos humanos,
Prestando ajuda humanitária vital,
E trabalhando para fortalecer nossa organização.
Hoje, o mundo enfrenta desafios antigos — e também novas ameaças, como a crise climática e a tecnologia descontrolada, sem mencionar os terríveis conflitos que estamos testemunhando.
Mas temos as ferramentas e as normas do direito internacional para nos guiar — a começar pela Carta das Nações Unidas.
Ao refletirmos sobre os artefatos da nossa fundação — os documentos, os símbolos, as memórias — continuo pensando naquela nota dentro da urna de votação.
Paul Antonio nunca se sentou em um assento da Assembleia Geral.
Nunca fez um discurso ou assinou um tratado.
Mas ele acreditava no que esta Organização poderia se tornar.
Ele acreditava em nós.
Oitenta anos depois, espero que todos nós possamos carregar esse mesmo espírito — de convicção silenciosa, de esperança e de fé na paz — para o futuro que estamos construindo juntos.
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