Em reconhecimento à contribuição do ex-presidente sul-africano para a cultura de paz e a liberdade de todos os povos, a Assembleia Geral da ONU declarou 18 de julho - data de seu nascimento - “Dia Internacional Nelson Mandela”.
A ONU celebra a vida e o legado de Nelson Mandela em 18 de julho - data do aniversário de Madiba, como é carinhosamente conhecido na África do Sul.
Proclamado pela Assembleia Geral da ONU em 2009, através da resolução A/RES/64/13, o Dia Internacional Nelson Mandela é uma homenagem global a um dos maiores símbolos da luta pela liberdade, democracia e justiça.
Legenda: Nelson Mandela, Presidente da África do Sul, discursa na reunião comemorativa da Assembleia Geral que assinalou o 50º aniversário das Nações Unidas, em 23 de outubro de 1995.
O legado de Mandela: inspiração para tempos difíceis
Nelson Mandela dedicou mais de seis décadas ao ativismo contra regime segregacionista do apartheid, à reconciliação nacional na África do Sul e à defesa intransigente da dignidade humana. Seu exemplo transcende fronteiras, gerações e contextos.
Madiba nos lembra de que a transformação social é possível, mesmo diante de opressões históricas. E que a mudança começa nas comunidades, nos atos cotidianos e na coragem de defender o que é certo.
Legenda: Nelson Mandela, vice-presidente do Congresso Nacional Africano da África do Sul, discursa para o Comitê Especial contra o Apartheid no salão da Assembleia Geral da ONU, em 22 de junho de 1990.
Com 299 milhões de pessoas necessitando de assistência humanitária em 2025, segundo o Panorama Humanitário Global, o apelo é claro: é preciso agir com poder, coragem e solidariedade, inspirados no legado de Mandela. O Relatório da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2025, lançado nesta segunda (14) em Nova Iorque, mostra que quase metade das metas dos 17 ODS avança num ritmo insuficiente para serem cumpridas até 2030, enquanto 18% das metas registraram retrocesso em relação a 2015.
“A vida extraordinária de Nelson Mandela mostrou como uma única pessoa pode transformar a opressão, a luta e a subjugação em reconciliação, justiça social e unidade. Mandela acreditava na força da ação coletiva e de base. Ele sabia que pessoas comuns podiam mudar o curso da história — e que mudanças duradouras começam não nas capitais ou nas salas de reunião, mas nos bairros e nas comunidades.” — António Guterres, secretário-geral da ONU, 18 de julho de 2025
Descubra mais e faça sua parte neste #MandelaDay:
O #MandelaDay convoca todas as pessoas a dedicarem 67 minutos de suas vidas a ações de solidariedade, em alusão aos 67 anos de serviço público de Mandela.
Confira 10 coisas que você pode fazer na sua comunidade para inspirar mudanças:
Faça um novo amigo. Conheça alguém de uma origem cultural diferente. Somente por meio da compreensão mútua poderemos livrar nossas comunidades da intolerância e da xenofobia.
Leia para alguém que não pode ler.
Visite um asilo local para cegos e abra um novo mundo para outra pessoa.
Ajude alguém a conseguir um emprego. Elabore e imprima um currículo para ela ou a ajude com suas habilidades de entrevista.
Muitas pessoas com doenças terminais não têm ninguém com quem conversar. Reserve um pouco de tempo para conversar e trazer um pouco de luz solar para a vida delas.
Compre alguns cobertores ou pegue os que você não precisa mais em casa e os doe a alguém em uma situação de vulnerabilidade.
Faça o teste de HIV e incentive seu parceiro(a) a fazer o mesmo.
Leve alguém que você conhece e que não tem condições de pagar para fazer um exame dentário ou oftalmológico.
Doe uma cadeira de rodas ou um cão-guia para alguém que esteja precisando.
Ajude no abrigo de animais local. Os cães sem lar ainda precisam de um passeio e um pouco de amor.
Compartilhe sua ação nas redes sociais com a hashtag #MandelaDay e incentive outras pessoas a fazerem o mesmo.
Legenda: O então secretário-geral Kofi Annan (à direita) se reúne com o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela em Houghton, Joanesburgo, África do Sul, em 15 de março de 2006.
“Eu prezo o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Esse é um ideal pelo qual espero viver e alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”
— Declaração do banco dos réus na abertura do caso de defesa no Julgamento de Rivonia. Pretória, África do Sul, 20 de abril de 1964.
“Não podemos mais esperar. Agora é o momento de intensificar a luta em todas as frentes. Relaxar nossos esforços agora seria um erro que as gerações futuras não conseguirão perdoar. A visão da liberdade que se aproxima no horizonte deve nos incentivar a redobrar nossos esforços.”
— Ao sair da prisão. Cidade do Cabo, África do Sul, 11 de fevereiro de 1990.
“E, por mais difícil que seja a batalha, não nos renderemos. Seja qual for o tempo que levaremos, não nos cansaremos.”
— Discurso na Assembleia Geral da ONU, 22 de junho de 1990.
“Nunca esqueceremos como milhões de pessoas em todo o mundo se uniram a nós em solidariedade para lutar contra a injustiça de nossa opressão enquanto estávamos presos.”
— Show Live 8. Joanesburgo, África do Sul, 2 de julho de 2005.
Sobre discriminação racial
“O fato de o crime do apartheid ter ocorrido permanecerá para sempre como uma mancha indelével na história da humanidade. As gerações futuras certamente perguntarão: Que erro foi cometido para que esse sistema se estabelecesse na esteira da adoção de uma Declaração Universal de Direitos Humanos? Permanecerá para sempre como uma acusação e um desafio a todos os homens e mulheres de consciência o fato de ter levado tanto tempo até que todos nós nos levantássemos para dizer 'basta'...”
— Discurso ao Comitê Especial das Nações Unidas contra o Apartheid. 22 de junho de 1990.
Legenda: Nelson Mandela, presidente da África do Sul, participa de coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas em 3 de outubro de 1994.
“E, no entanto, por mais difícil que seja a batalha, não nos renderemos. Seja qual for o tempo que levaremos, não nos cansaremos. O próprio fato de o racismo degradar tanto o agressor quanto a vítima exige que, se formos fiéis ao nosso compromisso de proteger a dignidade humana, continuemos lutando até que a vitória seja alcançada.”
— Discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, Nova Iorque, Estados Unidos, 3 de outubro de 1994.
Sobre reconciliação
“Mas vamos reafirmar uma coisa aqui hoje: não é a nossa diversidade que nos divide, não é a nossa etnia, religião ou cultura que nos divide. Como conquistamos nossa liberdade, só pode haver uma divisão entre nós: entre aqueles que prezam a democracia e aqueles que não a prezam!
Nossa liberdade nunca poderá ser completa ou nossa democracia estável a menos que as necessidades básicas de nosso povo sejam atendidas.
Todos nós devemos nos perguntar o seguinte: Fiz tudo o que estava ao meu alcance para gerar paz e prosperidade duradouras em minha cidade e em meu país?”
— Durban, África do Sul, 16 de abril de 1999.
Sobre direitos humanos
“Nascida após a derrota do crime nazista e fascista contra a humanidade, a Declaração Universal dos Direitos Humanos alimentou a esperança de que todas as nossas sociedades seriam, no futuro, construídas sobre os alicerces da gloriosa visão explicitada em cada uma de suas cláusulas.”
— Discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, 21 de setembro de 1998.
“O sistema do apartheid acabou caindo devido à unidade daqueles que tiveram seus direitos negados e porque todos os setores da sociedade reconheceram que tinham mais a ganhar trabalhando juntos do que lutando uns contra os outros.
Essencialmente, nossa tarefa era criar as condições para que todos os sul-africanos tivessem a oportunidade de criar uma vida melhor para si mesmos. Mas o governo não pode enfrentar esses desafios sozinho. É necessário que todos nós nos unamos, em uma parceria, para realizar as mudanças necessárias.”
— Bothaville, África do Sul, 14 de outubro de 1998.
“Enquanto a pobreza, a injustiça e a grande desigualdade persistirem em nosso mundo, nenhum de nós poderá realmente descansar.
A pobreza maciça e a desigualdade obscena são flagelos terríveis de nossos tempos - tempos em que o mundo se vangloria de avanços impressionantes em ciência, tecnologia, indústria e acumulação de riqueza.
É um mundo de grandes promessas e esperanças. É também um mundo de desespero, doenças e fome.
Superar a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça. É a proteção de um direito humano fundamental, o direito à dignidade e a uma vida decente. Enquanto a pobreza persistir, não haverá verdadeira liberdade.
As medidas necessárias por parte das nações desenvolvidas são claras:
A primeira é garantir a justiça comercial. A segunda é acabar com a crise da dívida dos países pobres. A terceira é fornecer muito mais ajuda e garantir que ela seja da mais alta qualidade.”
— Show do Live 8. Joanesburgo, África do Sul, 2 de julho de 2005.
“A paz não é apenas a ausência de conflito; a paz é a criação de um ambiente em que todos possam prosperar, independentemente de raça, cor, credo, religião, gênero, classe, casta ou qualquer outro marcador social de diferença.
Religião, etnia, idioma, práticas sociais e culturais são elementos que enriquecem a civilização humana, aumentando a riqueza de nossa diversidade. Por que se deve permitir que eles se tornem causa de divisão e violência? Ao permitir que isso aconteça, rebaixamos nossa humanidade comum.”
— Nova Délhi, Índia, 31 de janeiro de 2004.
“É tão fácil quebrar e destruir. Os heróis são aqueles que fazem a paz e constroem.”
— Soweto, África do Sul, 12 de julho de 2008.
Criado pela Assembleia Geral da ONU em 2014, o Prêmio Nelson Mandela reconhece, a cada cinco anos, indivíduos que dedicam suas vidas à promoção dos direitos humanos, da justiça social e dos princípios da Carta da ONU.
Em sua edição de 2025, o prêmio homenageia duas lideranças notáveis:
Brenda Reynolds, indígena Saulteaux da Nação Fishing Lake (Canadá), transformou sua luta contra os crimes mais hediondos contra crianças indígenas em uma força nacional de mudança. Como assistente social, apoia sobreviventes e famílias afetadas pelo sistema de escolas residenciais, desenvolvendo respostas para traumas.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o Prêmio Nelson Rolihlahla Mandela 2025 das Nações Unidas a Brenda Reynolds, da Saulteaux First Nation e do Canadá, durante sessão da Assembleia Geral em comemoração ao Dia Internacional de Nelson Mandela, em 18 de julho de 2025.
Kennedy Odede, nascido e criado na favela de Kibera, no Quênia, é um ativista comunitário de longa data. Sua organização reúne grupos locais de todo o país e hoje alcança mais de 2,4 milhões de pessoas por ano, oferecendo serviços essenciais como educação e acesso à água.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (à esquerda) entrega o Prêmio Nelson Rolihlahla Mandela 2025 das Nações Unidas a Kennedy Odede, do Quênia, durante sessão da Assembleia Geral em comemoração ao Dia Internacional de Nelson Mandela, em 18 de julho de 2025.
“Neste ano em que as Nações Unidas celebram seus 80 anos, o legado de reconciliação e transformação de Nelson Mandela continua a nos inspirar e orientar. Ao redor do mundo, os direitos humanos e a dignidade estão sob ameaça — não apenas por conflitos e instabilidade, mas também por desigualdades sistêmicas, exclusão, desastres climáticos e o retrocesso de liberdades duramente conquistadas. Este é o momento de renovar nosso compromisso global com os princípios que definem nossa Organização — e que definiram a vida extraordinária de Nelson Mandela: Liberdade. Justiça. Igualdade de direitos. Solidariedade. Reconciliação. Paz.” — António Guterres, secretário-geral da ONU, 18 de julho de 2025
Para marcar os 10 anos do Prêmio Nelson Mandela, a ONU lança a exposição “Construindo a partir do legado de Mandela”, em formato presencial e digital, celebrando os impactos concretos da ação de pessoas premiadas desde 2015.
A mostra reúne imagens, testemunhos e histórias inspiradoras de quem segue os passos de Mandela — lutando contra a desigualdade, promovendo educação, saúde, equidade de gênero e justiça para todos.
Legenda: Uma foto do bolo da mobilização "Faça Sua Parte e Inspire a Mudança" realizada no Central Park, em Nova Iorque, para marcar o segundo Dia Internacional de Nelson Mandela, em 18 de julho de 2011. No Dia Internacional Nelson Mandela, as Nações Unidas incentivam as pessoas em todo o mundo a realizar 67 minutos de serviço público - um minuto para cada ano de serviço do líder sul-africano à humanidade.
Estamos atualizando a plataforma do site das Nações Unidas para torná-la mais clara, rápida e acessível.
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