80 anos de Hiroshima: “Lembrar o passado é proteger e construir a paz no presente — e para o futuro”
06 agosto 2025
Mensagem do secretário-geral da ONU para os 80 anos do bombardeio atômico em Hiroshima, lida pela alta representante para Desarmamento, Izumi Nakamitsu.
Há oitenta anos, o mundo mudou para sempre.
Em um único instante, Hiroshima foi consumida pelas chamas. Dezenas de milhares de vidas foram perdidas. Uma cidade inteira foi reduzida a ruínas. E a humanidade cruzou um limite do qual não há retorno.
Neste 80º aniversário, lembramos as pessoas que pereceram. Nos solidarizamos com as famílias que carregam essa memória. E honramos as corajosas hibakusha, as pessoas sobreviventes, cujas vozes se tornaram uma força moral pela paz. Embora seu número diminua a cada ano, seus testemunhos e sua eterna mensagem de paz jamais nos abandonarão.
Após o bombardeio atômico, muitos acreditaram que Hiroshima jamais se reergueria, que nada voltaria a crescer ali. Mas o povo desta cidade provou o contrário.
Vocês, povo de Hiroshima, não apenas reconstruíram uma cidade. Vocês reconstruíram a esperança. Nutriram uma visão de um mundo livre de armas nucleares, e compartilharam essa visão com o mundo.
Em maio, mudas cultivadas a partir de sementes de árvores que sobreviveram à bomba atômica foram plantadas na sede das Nações Unidas em Nova Iorque Elas são mais que símbolos de sobrevivência. São testemunhos vivos da força do espírito humano, e do nosso dever comum de proteger as futuras gerações dos horrores da aniquilação nuclear.
Legenda: O presidente da 79ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Philemon Yang, planta uma Hibakujumoku (árvore cuja semente sobreviveu ao bombardeio atômico de 1945 no Japão) durante cerimônia para comemorar o 80º aniversário da fundação das Nações Unidas e relembrar os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki, em 5 de maio de 2025. À direita, está a alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu.
Este ano marca também os 80 anos das Nações Unidas, e somos lembrados do motivo pelo qual a ONU foi criada: prevenir guerras, defender a dignidade humana e garantir que as tragédias do passado nunca se repitam.
No entanto, hoje, o risco de conflito nuclear cresce. A confiança se deteriora. As divisões geopolíticas se aprofundam. E as mesmas armas que causaram tamanha devastação em Hiroshima e Nagasaki voltam a ser tratadas como instrumentos de coerção.
Ainda assim, há sinais de esperança.
No ano passado, a organização japonesa Nihon Hidankyo — que representa os sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki — foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2024, por seu incansável trabalho de conscientização sobre este tema crucial.
E, no Pacto para o Futuro, adotado também no último ano, os países reafirmaram o compromisso com um mundo livre de armas nucleares.
Estamos atualizando a plataforma do site das Nações Unidas para torná-la mais clara, rápida e acessível.
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