80 anos de Nagasaki: “Recordar o passado catastrófico deve nos mover a proteger e construir um presente e um futuro pacíficos”
09 agosto 2025
Mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, para o Memorial da Paz de Nagasaki no 80º aniversário do bombardeio atômico, em 9 de agosto de 2025.
Neste dia solene, recordamos os 80 anos desde que Nagasaki foi devastada por uma bomba atômica.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (à direita) encontra-se com sobreviventes da bomba atômica de Nagasaki, as "Hibakusha", em Nagasaki, Japão, em 8 de agosto de 2018.
Lembramos as dezenas de milhares de pessoas que pereceram em um instante e nos solidarizamos com aquelas que perderam entes queridos.
Também homenageamos as pessoas sobreviventes, as hibakusha. Embora seu número diminua a cada ano, sua coragem e seu testemunho se tornaram uma bússola moral eterna para o nosso mundo, sempre apontando o caminho para a paz.
Prestamos igualmente tributo ao povo de Nagasaki que, em meio a uma destruição inimaginável, demonstrou força e resiliência extraordinárias, reconstruindo uma cidade de paz, cultura e conexão global.
Nagasaki é um farol de esperança para o mundo.
Este ano também marca o 80º aniversário das Nações Unidas — nascidas das cinzas de um conflito global, com a missão de salvar as gerações futuras do flagelo da guerra. Não é coincidência que o desarmamento nuclear tenha sido o tema da primeira resolução da Assembleia Geral.
Oito décadas depois, continua sendo a nossa mais alta prioridade em matéria de desarmamento.
No entanto, hoje, a sombra das armas nucleares paira novamente. Elas voltaram ao centro das estratégias de segurança nacional e estão sendo usadas como instrumentos de coerção. Enquanto isso, os gastos militares atingem níveis recordes, e os investimentos em paz e desenvolvimento sustentável enfraquecem.
Ainda assim, há sinais de esperança de que o mundo começa a despertar para a necessidade de mudar de rumo.
No ano passado, a organização japonesa Nihon Hidankyo — que representa sobreviventes dos bombardeios de Nagasaki e Hiroshima — recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2024 por seu incansável trabalho de conscientização sobre essa questão vital.
E, no Pacto para o Futuro, adotado no último ano, os países renovaram o compromisso com um mundo livre de armas nucleares.
Paz e segurança não podem ser alcançadas por meio de uma corrida armamentista. Devemos reafirmar nosso compromisso com as ferramentas comprovadas do desarmamento — diálogo, diplomacia, criação de confiança, transparência e controle e redução de armamentos.
Os países precisam passar das palavras à ação, fortalecendo o regime global de desarmamento, com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares no centro, complementado pelo impulso gerado pelo Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Honremos a memória das vítimas de Nagasaki não apenas com lembrança, mas com determinação. Recordar o passado catastrófico deve nos mover a proteger e construir um presente e um futuro pacíficos.
Trabalhemos juntos, com urgência, por um mundo livre de armas nucleares.