“Uma fome que irá e deve assombrar a todas e todos nós”
22 agosto 2025
Declaração do subsecretário-geral da ONU e Coordenador de Ajuda Emergencial, Tom Fletcher, sobre fome em Gaza, em 22 de agosto de 2025.
Por favor, leiam o relatório do IPC, do início ao fim. Leiam-o com tristeza e raiva. Não como palavras e números, mas como nomes e vidas. Não tenham dúvidas de que este é um testemunho irrefutável.
Legenda: O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e coordenador de Ajuda Emergencial, Tom Fletcher, discursa em reunião do Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio, incluindo a questão palestina, em 16 de julho de 2025.
É uma fome que poderíamos ter evitado, se tivéssemos sido autorizados. No entanto, os alimentos acumulam-se nas fronteiras devido à obstrução sistemática por parte de Israel.
É uma fome a poucos metros de alimentos, numa terra fértil.
É uma fome que atinge primeiro as pessoas mais vulneráveis. Cada um com um nome, cada um com uma história. Que tira a dignidade das pessoas antes de lhes tirar a vida. Que obriga os pais a escolher qual dos filhos alimentar. Que obriga as pessoas a arriscarem a vida para procurar comida.
É uma fome sobre a qual alertamos repetidamente. Mas que a mídia internacional não teve permissão para cobrir. Para testemunhar.
É uma fome em 2025. Uma fome do século 21 vigiada por drones e pela tecnologia militar mais avançada da história.
É uma fome promovida abertamente por alguns líderes israelenses como arma de guerra.
É uma fome sob a responsabilidade de todos nós. Todos são responsáveis por isso. A fome em Gaza é a fome do mundo. É uma fome que nos questiona: “Mas o que você fez?”
Uma fome que irá e deve assombrar a todas e todos nós.
É uma fome previsível e evitável.
Uma fome causada pela crueldade, justificada pela vingança, possibilitada pela indiferença e sustentada pela cumplicidade.
É uma fome que deve estimular o mundo a agir com mais urgência. Que deve envergonhar o mundo a fazer melhor. É uma fome que, portanto, também pergunta: “... e o que você vai fazer agora?”
Meu pedido, meu apelo, minha exigência ao primeiro-ministro Netanyahu e a qualquer pessoa que possa chegar até ele:
Chega. Cessar-fogo.
Abram as passagens, norte e sul, todas elas. Deixem-nos entrar alimentos e outros suprimentos, sem impedimentos e na escala massiva necessária. Acabem com a retaliação. É tarde demais para muitas pessoas. Mas não para todos em Gaza.