Com ONU-Habitat, mulheres orientam melhorias urbanas em São Gonçalo
02 setembro 2025
Duas oficinas realizadas no bairro Jardim Catarina coletaram a percepção de mais de 30 mulheres sobre a sua experiência urbana em áreas como mobilidade, infraestrutura e segurança.
A metodologia Cidade Mulher promove o protagonismo feminino no planejamento urbano, contribuindo para o desenho de uma cidade mais segura, sustentável e acolhedora.
As atividades foram realizadas pelo ONU-Habitat em parceria com a Prefeitura de São Gonçalo, por meio do programa Periferia Viva, do Ministério das Cidades.
As experiências urbanas das mulheres do bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo (RJ), foram o centro de uma nova etapa do diagnóstico que vai embasar recomendações de melhorias para a comunidade. Nos dias 18 e 20 de agosto, a Prefeitura de São Gonçalo e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) promoveram oficinas que colocaram as percepções de mais de 30 moradoras da região como ponto de partida para pensar uma cidade mais segura, acolhedora e inclusiva.
Baseada nas Auditorias de Segurança das Mulheres, metodologia adaptada do Programa Global Cidades Mais Seguras do ONU-Habitat, as oficinas Cidade Mulher reconhecem que a insegurança urbana afeta de forma desproporcional as mulheres e que a escuta ativa de suas vivências é essencial para que as cidades sejam mais seguras para todas as pessoas. Nesse contexto, as oficinas promoveram rodas de conversa e cartografia coletiva, criando um espaço de confiança para as participantes compartilharem suas experiências em temas como mobilidade, segurança, infraestrutura e lazer, propondo melhorias concretas para seu território.
As atividades integram a leitura técnico-comunitária do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades. A etapa combina o olhar técnico com a percepção de quem vive no bairro, compreendendo o cotidiano dos moradores e quais as possíveis soluções a partir da própria comunidade. Assim, a avaliação construída de forma participativa valoriza o conhecimento local, apoiando a identificação de vulnerabilidades e potencialidades que existem no território, além de empoderar as pessoas a participarem ativamente das tomadas de decisão.
As atividades proporcionaram a escuta de mulheres de diferentes idades, como adolescentes, jovens, adultas e idosas, valorizando também a diversidade racial e territorial da comunidade. Esses relatos serão reunidos em um diagnóstico com enfoque de gênero, que valoriza a vivência das moradoras e evidencia as especificidades da experiência feminina no espaço público. Esse diagnóstico servirá de insumo para as recomendações que vão orientar políticas públicas e melhorias urbanas previstas no programa Periferia Viva.
“Para nós, mulheres, a questão de segurança é de suma importância. E isso envolve inúmeras questões do nosso dia a dia, como lazer, esporte, iluminação pública, saneamento básico”, aponta a participante da oficina Thaís Santos.
A moradora Monique Maria Vaz complementa:
“A gente fica muito dentro da nossa caixinha, e acaba não conseguindo ver que o outro também passa pelo mesmo problema às vezes reage de outra forma e tem uma experiência diferente para compartilhar”.
Ao incentivar o protagonismo de mulheres no planejamento urbano, as oficinas contribuem para o desenho de cidades mais seguras, sustentáveis e acolhedoras. O objetivo da metodologia é escutá-las, entender como percebem suas comunidades e auxiliar na compreensão das propostas que podem oferecer, representando seus sonhos, desejos e necessidades.
“Mulheres experimentam a cidade de forma muito diferente dos outros gêneros, então é fundamental a gente entender o tipo de preocupação que elas têm consigo, com filhos, parentes e outras pessoas que estão circulando por ali”, disse a consultora do ONU-Habitat Fernanda Pernasetti.
“Temos a oportunidade de construir soluções coletivamente e fazer com que elas atendam à necessidade da comunidade. Foi muito importante fazer oficinas só com mulheres, porque são diferentes realidades – mas todas nós, independentemente do contexto de vida, sofremos dificuldades por sermos mulheres. E isso nos dá a oportunidade de construir algo maior para nós e para nossas famílias”, destacou a Diretora de Projetos Especiais da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, Karina Nunes.
Nova Ipuca
Por meio da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais da Prefeitura de São Gonçalo, o projeto Nova Ipuca foi desenvolvido e selecionado para receber recursos federais do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades.
A iniciativa vai contribuir para oferecer serviços públicos e promover uma infraestrutura urbana adequada, incluindo saneamento básico, construção de equipamentos públicos, pavimentação, iluminação pública, áreas de lazer, regularização fundiária e melhorias habitacionais. As ações serão apoiadas pelo ONU-Habitat, por meio da parceria Fortalece São Gonçalo, que vai fortalecer a escuta ativa e o envolvimento comunitário para avaliar, imaginar e projetar melhorias para a comunidade.
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Contato para a imprensa:
- Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
- David Morais, ONU-Habitat Brasil: david.moraisdasilva@un.org