Guterres: “Gastos militares excessivos não garantem a paz”
09 setembro 2025
Coletiva de imprensa sobre o lançamento do relatório “A segurança de que precisamos: reequilibrando os gastos militares para um futuro sustentável e pacífico”.
Caros membros da mídia, bom dia.
Acabamos de tomar conhecimento dos ataques israelenses ao Catar, um país que tem desempenhado um papel muito positivo para alcançar um cessar-fogo e a libertação de todos os reféns.
Condeno essa violação flagrante da soberania e integridade territorial do Catar.
Todas as partes devem trabalhar para alcançar um cessar-fogo permanente, e não para destruí-lo.
Legenda: Relatório da ONU alerta: mundo gastou US$ 2,7 trilhões em 2024 em armas; cerca de 4% do valor seria suficiente para acabar com fome global. Foto: Escultura “Não-Violência” do artista sueco Carl Fredrik Reuterswärd em exposição na Praça dos Visitantes da ONU, em Nova Iorque.
Isso revela uma dura realidade: o mundo está gastando muito mais em guerras do que na construção da paz.
Em 2024, os gastos militares globais atingiram um recorde de US$ 2,7 trilhões — o equivalente a US$ 334 para cada pessoa na Terra.
Isso é quase treze vezes o valor da ajuda oficial ao desenvolvimento das nações mais ricas do mundo — e 750 vezes o orçamento regular das Nações Unidas.
Ao mesmo tempo, nossa promessa comum de desenvolvimento sustentável está em risco.
Apenas uma em cada cinco metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável está no caminho certo. O déficit de financiamento está aumentando, assim como o custo da inação.
Os governos têm responsabilidades legítimas em matéria de segurança – proteger a população civil, salvaguardar infraestruturas críticas e enfrentar ameaças imediatas. Mas a segurança duradoura não pode ser alcançada apenas com gastos militares.
Meu relatório – solicitado no âmbito do Pacto para o Futuro – é um apelo à ação. Um apelo para repensar as prioridades. Um apelo para reequilibrar os investimentos globais em direção à segurança de que o mundo realmente precisa.
Ele transmite três mensagens urgentes:
Primeiro, a trajetória atual é insustentável. Em todo o mundo, os gastos militares crescentes estão aumentando a pressão sobre um contexto financeiro já difícil, prejudicando investimentos essenciais em saúde, educação, criação de empregos, proteção das pessoas contra secas e inundações e ampliação de oportunidades para mulheres e jovens.
Investir nas pessoas é investir na primeira linha de defesa contra a violência em qualquer sociedade.
Segundo, um caminho melhor está ao nosso alcance. Orçamentos são escolhas.Redirecionar mesmo que seja uma fração dos gastos militares atuais poderia preencher lacunas vitais – matricular crianças na escola, fortalecer a atenção primária à saúde, expandir a energia limpa e a infraestrutura resiliente e proteger as pessoas mais vulneráveis.
Em terceiro lugar, precisamos de medidas práticas para restabelecer o equilíbrio.Colocando a diplomacia em primeiro lugar.E garantindo transparência e responsabilidade nos orçamentos de defesa, ao mesmo tempo que se aumenta o financiamento para o desenvolvimento.
As evidências são claras: gastos militares excessivos não garantem a paz.
Muitas vezes, eles a prejudicam – alimentando corridas armamentistas, aprofundando a desconfiança e desviando recursos dos próprios alicerces da estabilidade.
Um mundo mais seguro começa quando investimos pelo menos tanto na luta contra a pobreza quanto investimos na luta contra as guerras.