Guterres: “Sejamos claros: direitos e oportunidades iguais não são questões partidárias”
22 setembro 2025
Discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na reunião de alto nível sobre o 30° Aniversário da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres.
Senhora presidente da Assembleia Geral,
Excelências, queridas e queridos amigos,
Há trinta anos, o mundo se uniu para afirmar que os direitos das mulheres e das meninas não são separados, secundários ou negociáveis — eles são direitos humanos.
E ajudou a impulsionar avanços em algumas áreas críticas — proteção legal, participação política, educação, mortalidade materna, reconhecimento da necessidade de combater a violência contra as mulheres como uma prioridade global e muito mais.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (no pódio) discursa na reunião de alto nível da Assembleia Geral sobre o 30º Aniversário da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres.
Atrás dele, no estrado, estão a presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Annalena Baerbock (à esquerda), e o subsecretário-geral da ONU para Gestão da Assembleia Geral e Conferências, Movses Abelian.
Conquistas obtidas com muito esforço estão agora sob ataque.
Enquanto isso, conflitos e desastres climáticos estão se multiplicando. Os direitos humanos das mulheres e meninas são vítimas de ambos.
As barreiras culturais e estruturais permanecem enraizadas.
A tecnologia está espalhando o ódio como um vírus.
E uma onda de misoginia está se espalhando pelo mundo.
Sejamos claros: direitos e oportunidades iguais não são questões partidárias.
São imperativos globais – e a base da paz, da prosperidade e do progresso.
Excelências, caros amigos,
Em todas as regiões, todos os países, todas as comunidades, mulheres e meninas estão lutando pelos seus direitos.
Exigindo liberdades.
Combatendo práticas abusivas.
Mobilizando-se por proteções legais.
E organizando-se para ocupar seu lugar de direito nas mesas de decisão e nos processos de paz.
As Nações Unidas estão ao lado delas.
Todos os líderes devem fazer o mesmo.
Defendendo os direitos das mulheres e meninas.
Deixando claro que a tradição não pode servir de desculpa para a opressão.
E fazendo todo o possível para concretizar a visão da Declaração de Pequim.
Excelências, queridos amigos,
No início deste ano, os países deram um importante passo em frente.
A Comissão sobre o Status da Mulher adotou uma nova Declaração Política, comprometendo-se a implementar a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim – de forma rápida e completa.
Portanto, agora, todos os países devem cumprir essa responsabilidade.
Legenda: A presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Annalena Baerbock (no pódio e nas telas), discursa na reunião de alto nível da Assembleia Geral sobre o 30º aniversário da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres, em 22 de setembro de 2025.
E para enfrentar um desafio que era quase inimaginável há três décadas.
A inteligência artificial está remodelando nosso mundo.
Mas essa transformação está ocorrendo em um setor dominado por homens, moldado por dados tendenciosos e impulsionado por algoritmos que frequentemente reforçam a discriminação.
Devemos enfrentar a violência e o ódio online e garantir que a tecnologia sirva à igualdade, não à exclusão.
Isso inclui investir na educação de mulheres e meninas em ciências, tecnologia, engenharia e matemática.
Porque a participação das mulheres na tomada de decisões — nesta questão e em todas as outras — não é um presente, é um direito.
Ela fortalece as sociedades, enriquece o debate e promove a igualdade em todos os aspectos.
Devemos remover os obstáculos sistemáticos à igualdade para mulheres e meninas.
Desde a discriminação até a desigualdade salarial e a desigualdade perante a lei.