As Nações Unidas aos 80 anos: Discurso aos ministros das Relações Exteriores do G20
“As Nações Unidas aos 80 anos: reafirmando a paz como caminho para o desenvolvimento sustentável” - Discurso aos ministros das Relações Exteriores do G20.
Agradeço ao Governo da África do Sul por nos reunir – e por sua atenção às interligações entre a paz e o desenvolvimento econômico sustentável.
Sabemos que, quando a violência eclode, o capital foge, os serviços colapsam e a pobreza se agrava.
Quando o desenvolvimento patina, os contratos sociais se desgastam, as instituições enfraquecem e a instabilidade se instala.
E a mudança climática intensifica a pressão a cada passo.
O calor, a seca, as inundações e as tempestades são testes de resistência para os Estados frágeis – e um obstáculo ao crescimento em todo lugar.
Os choques climáticos alimentam a fome, inflamam as tensões e forçam os deslocamentos.
A dívida insustentável está aprisionando as nações e hipotecando os seus futuros.
Enquanto isso, acabamos de publicar um relatório que concluiu que as despesas militares globais dispararam para 2,7 trilhões de dólares americanos no ano passado – quase 13 vezes mais do que toda a ajuda oficial ao desenvolvimento.
Em comparação, o orçamento regular da ONU – 750 vezes menor – é um erro de arredondamento.
Ao mesmo tempo, apenas uma em cada cinco metas dos ODS está no caminho certo – e o déficit de financiamento está aumentando.
Temos que escolher um caminho diferente.
A Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizada em Sevilha, transmitiu uma mensagem clara:
Precisamos de justiça financeira.
Isso significa uma revisão da arquitetura financeira internacional – para torná-la mais justa e adequada às realidades atuais;
Significa apoiar os países em situação de endividamento, ajudando-os a se recuperar e prevenindo futuras crises;
Triplicar a capacidade de empréstimo dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e expandir o seu papel na redução do risco do investimento privado;
E aumentar a participação dos países em desenvolvimento nas instituições globais e nos processos de tomada de decisão.
E temos de ir mais longe.
O Pacto para o Futuro, adotado no ano passado, é o nosso projeto para um sistema multilateral mais inclusivo, responsável e eficaz.
Excelências,
Sob a presidência da África do Sul, o G20 estabeleceu uma bússola clara: Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade.
Juntos, os seus países representam dois terços da humanidade e mais de quatro quintos da economia mundial.
Suas escolhas enviam sinais aos mercados, instituições e governos em todos os lugares.
Neste momento crucial, vejo quatro prioridades imediatas.
Primeira, reconstruir a confiança na cooperação internacional.
Ao comemorarmos os 80 anos das Nações Unidas, devemos nos comprometer novamente com as obrigações da Carta – moderação, resolução pacífica de controvérsias e proteção de civis.
As tecnologias emergentes na guerra devem permanecer sob controle humano significativo.
E as regras devem ser definidas por todos — especialmente pelos países em desenvolvimento e pelas comunidades afetadas.
Segunda, investir na prevenção de conflitos e na consolidação da paz.
A diplomacia, a mediação e a governança inclusiva continuam sendo nossas ferramentas mais poderosas — mas exigem recursos e vontade política.
Ao apoiar mediadores, capacitar os promotores locais da paz e fomentar processos inclusivos, podemos achar as raízes dos conflitos – antes que a violência se instale.
Terceira, enfrentar a crise climática.
Integrar o risco climático nas estratégias de paz e desenvolvimento evita que os choques se transformem em colapsos.
A cooperação regional – em matéria de água, alimentos, alerta precoce – reduz a tensão e limita as deslocações.
A adaptação climática cria empregos e traz estabilidade, protegendo as populações.
E quarta, fazer com que as finanças proporcionem a paz e a prosperidade.
Da prevenção à ação climática, o progresso depende do acesso a financiamento acessível, oportuno e de longo prazo e da redução do custo do capital.
Quando os custos dos empréstimos caem e o espaço fiscal se amplia, os governos podem investir em desenvolvimento e resiliência – e prevenir crises.
Isso deixa todos nós mais seguros.
Excelências,
A paz não é um benefício do desenvolvimento.
É a sua base — e o investimento de maior retorno.
A justiça financeira não é uma aspiração.
É um requisito para a estabilidade global.
Vamos trabalhar juntos e juntas para reafirmar a paz como o caminho mais seguro para o desenvolvimento econômico sustentável;
E o multilateralismo como a âncora de um futuro mais seguro e justo para todas as pessoas.
Obrigado.
Para saber mais, acompanhe a cobertura especial da ONU News sobre a 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas: https://news.un.org/pt/events/unga80