São Gonçalo e ONU-Habitat fortalecem vozes da comunidade da Ipuca pelo programa Periferia Viva
10 outubro 2025
Oficina com moradoras e moradores da comunidade da Ipuca marca a devolutiva do diagnóstico do território após realização de atividades participativas.
O encontro encerra a etapa da leitura técnico-comunitária, que combina a análise de profissionais com a experiência de quem vive no território.
As atividades foram realizadas pela Prefeitura de São Gonçalo em parceria com o ONU-Habitat, por meio do programa Periferia Viva, do Ministério das Cidades.
A Prefeitura de São Gonçalo, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), realizou a devolutiva da leitura técnico-comunitária com moradoras e moradores da comunidade da Ipuca, no bairro Jardim Catarina, localizado no município de São Gonçalo.
O diagnóstico foi realizado a partir de atividades participativas entre os meses de maio e outubro e apresenta características do território em áreas como moradia, saúde, educação, trabalho e renda, mobilidade, abastecimento de água, esgotamento, drenagem, descarte de lixo, entre outras.
A iniciativa é uma das etapas do programa Periferia Viva, do Ministério das Cidades, que busca promover a integração de políticas públicas para garantir infraestrutura adequada e qualidade de vida nas periferias urbanas.
A leitura técnico-comunitária combina a análise técnica de profissionais da arquitetura, urbanismo, geografia e assistência social com a experiência cotidiana de quem vive no território. Nesse processo, a população aponta o que precisa melhorar, o que já funciona e quais são as prioridades locais, participando ativamente da definição de soluções para a região. A iniciativa Fortalece São Gonçalo está apoiando a escuta ativa e o envolvimento comunitário para garantir que a urbanização da região fortaleça a comunidade e contribua para a redução de desigualdades.
A participação da população continua sendo fundamental para assegurar que as obras possam atender às reais necessidades locais. Para dar continuidade a esse processo, a equipe do ONU-Habitat está diariamente no posto territorial, ponto de encontro com a comunidade, para ouvir moradoras e moradores sobre seus anseios e desejos para o território.
“Achei muito importante essa iniciativa e isso reacendeu minhas esperanças de ver o bairro se tornar um lugar ainda mais importante para os moradores e para as futuras gerações. A mensagem que eu quero deixar para a minha comunidade é que não percam as esperanças. A participação de quem está aqui é importante, pois nós sabemos e vivemos essa realidade há muitos anos. A gente tem que colocar a mão na massa, se é que queremos uma Ipuca com uma maior qualidade de vida, para transformar o nosso bairro em um lugar melhor de se viver”, afirma a Diretora da Unidade Municipal de Ensino Infantil da Ipuca, Miriam Vervloet.
O líder comunitário e ex-vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Catarina, José Policarpo comenta:
“A Nova Ipuca é muito interessante porque tem como dialogar e participar. Acho que a população tem que ser mais participativa, ter o conhecimento das obras e da localidade onde está morando, para poder estar discutindo o que é melhor para aquela rua, aquela área, para estar atendendo melhor a qualidade de vida deles próprios.”
“A gente está aqui para mudar o significado de uma obra pública e fazer isso de forma participativa. Temos a oportunidade de construir soluções coletivamente e fazer com que elas atendam à necessidade da comunidade. Para isso, é importante que a população se envolva ativamente na definição das intervenções”, ressalta a diretora de Projetos Especiais da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, Karina Nunes.
“Um projeto para o território só tem sentido real quando é construído junto com quem vive nele e conhece suas necessidades. A participação da população é o que transforma um plano em algo vivo, que faz diferença na prática. Quando as pessoas se envolvem, o projeto passa a refletir os desejos, os sonhos e as prioridades de quem vai usufruir dos espaços e serviços. O olhar, a voz e a presença das moradoras e moradores são fundamentais para que a Nova Ipuca seja um projeto feito por e para todos”, complementa a analista de Programas do ONU-Habitat, Camila Barros
A etapa da leitura técnico-comunitária incentivou a participação da comunidade para diagnosticar diferentes aspectos da realidade local a partir de atividades como:
- Validação da Macroárea: lideranças comunitárias delimitaram a macroárea do projeto, entendendo quais equipamentos públicos existem dentro e fora do bairro e verificando espaços onde uma nova infraestrutura pode ser implementada na comunidade.
- Caminhadas de reconhecimento e pesquisa de campo: entre agosto e setembro, agentes de campo do ONU-Habitat e da Prefeitura de São Gonçalo percorreram todo o território da Ipuca para coletar dados sobre domicílios, infraestrutura, situação fundiária, acesso a serviços e equipamentos, bem como as principais demandas apontadas pelos moradores. A metodologia envolveu visitas domiciliares e diálogos com lideranças locais, fortalecendo o vínculo de confiança com a comunidade.
- Oficina Memória Viva: em oficina realizada em agosto, moradores compartilharam memórias, desafios e sonhos para o bairro onde vivem há décadas. Em um mural colaborativo, o grupo relatou acontecimentos marcantes e sonhos para o futuro da Ipuca, participando ativamente na definição de prioridades e na construção de soluções adaptadas às necessidades locais.
- Oficinas Cidade Mulher: duas oficinas realizadas no bairro Jardim Catarina coletaram a percepção de mais de 30 mulheres sobre a sua experiência urbana em áreas como mobilidade, infraestrutura e segurança. Baseada nas Auditorias de Segurança das Mulheres, metodologia adaptada do Programa Global Cidades Mais Seguras do ONU-Habitat, as oficinas promoveram rodas de conversa e cartografia coletiva, criando um espaço de confiança para as participantes compartilharem suas experiências em temas como mobilidade, segurança, infraestrutura e lazer, propondo melhorias concretas para seu território.
- Oficina “Através da Minha Janela”: em atividades realizadas nas unidades de educação pública do bairro, crianças e adolescentes foram convidados a desenhar o que veem da janela de sua casa e o que gostariam de ver no futuro, além de verbalizar seus desejos por meio de uma janela cenográfica. Os encontros trouxeram diversas contribuições sobre a infraestrutura urbana e elementos de lazer e natureza na comunidade.
- Atendimentos por demanda espontânea: realizadas no posto territorial, as atividades de escuta e registro comunitário individuais captaram de forma direta e personalizada as demandas, expectativas e sugestões dos moradores da Ipuca. Os registros foram sistematizados e categorizados para subsidiar a construção das propostas para o território.
As atividades foram orientadas pela escuta qualificada de quem mora na região e pela integração com dados técnicos e institucionais, apoiando a construção coletiva de perspectivas sobre o território. Necessidades de infraestrutura urbana, trabalho e renda, educação, apoio social, psicológico e jurídico são algumas das prioridades de intervenção apontadas. Potencialidades como economia popular, espaços coletivos, vínculos comunitários e a diversidade religiosa foram destacados como elementos que fortalecem a capacidade de resistência e organização social da Ipuca e de toda a macroárea.
Assim, a visão de futuro construída respeita a diversidade de vozes e perspectivas registradas no território, servindo como referência legítima para orientar políticas públicas e projetos de urbanização. Ao reunir de maneira articulada as prioridades comunitárias e a análise da rede de políticas públicas existentes, as atividades projetam caminhos possíveis de transformação a partir da legitimidade conferida pela participação social organizada.
Nova Ipuca
Por meio da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais da Prefeitura de São Gonçalo, o projeto Nova Ipuca foi desenvolvido e selecionado para receber recursos federais do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades. As ações serão apoiadas pelo ONU-Habitat, por meio da parceria Fortalece São Gonçalo, que vai fortalecer a escuta ativa e o envolvimento comunitário para avaliar, imaginar e projetar melhorias para a comunidade.
A iniciativa segue para as próximas etapas que contarão com oficinas participativas de Desenhos de Espaço Públicos, validação dos projetos técnicos pela comunidade e ações táticas, intervenções rápidas e eficientes que otimizam a aplicação dos recursos.
Contatos para a imprensa:
- Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
- David Morais, ONU-Habitat Brasil: david.moraisdasilva@un.org