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PNUMA: Adaptação climática pode custar US$ 310 bilhões por ano em 2035

29 outubro 2025

Necessidades de financiamento de adaptação dos países em desenvolvimento estimadas em mais de US$ 310 bilhões por ano até 2035.

A meta do Pacto Climático de Glasgow de dobrar o financiamento público internacional de adaptação para aproximadamente US$ 40 bilhões até 2025 não será alcançada com base nas tendências atuais.

O Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) nesta quarta (29), destaca progresso no planejamento e implementação de adaptação, mas desafios permanecem.

Lançado para informar as negociações na COP30 em Belém, o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025 conclui que, embora o planejamento e a implementação da adaptação estejam melhorando, as necessidades de financiamento da adaptação nos países em desenvolvimento até 2035 serão superiores a US$ 310 bilhões por ano – 12 vezes mais do que os atuais fluxos públicos internacionais de financiamento da adaptação. Foto: travessia da baia do Guajará, em Belém do Pará.
Legenda: Lançado para informar as negociações na COP30 em Belém, o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025 conclui que, embora o planejamento e a implementação da adaptação estejam melhorando, as necessidades de financiamento da adaptação nos países em desenvolvimento até 2035 serão superiores a US$ 310 bilhões por ano – 12 vezes mais do que os atuais fluxos públicos internacionais de financiamento da adaptação. Foto: travessia da baia do Guajará, em Belém do Pará.
Foto: © Universidade das Nações Unidas/Camila Lima.

Em meio ao aumento das temperaturas globais e à intensificação dos impactos climáticos, uma enorme lacuna no financiamento da adaptação para os países em desenvolvimento está colocando vidas, meios de subsistência e economias inteiras em risco, de acordo com o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025: Rodando na Reserva, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Lançado para informar as negociações na COP30 em Belém, o relatório conclui que, embora o planejamento e a implementação da adaptação estejam melhorando, as necessidades de financiamento da adaptação nos países em desenvolvimento até 2035 serão superiores a US$ 310 bilhões por ano 12 vezes mais do que os atuais fluxos públicos internacionais de financiamento da adaptação.

“Os impactos climáticos estão se acelerando. No entanto, o financiamento para adaptação não está acompanhando o ritmo, deixando as pessoas mais vulneráveis do mundo expostas ao aumento do nível do mar, tempestades mortais e calor escaldante”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem sobre o relatório. 

“A adaptação não é um custo – é uma tábua de salvação. Fechar a lacuna de adaptação é a forma como protegemos vidas, promovemos a justiça climática e construímos um mundo mais seguro e sustentável. Não percamos mais tempo.”

"Todas as pessoas neste planeta estão vivendo com os impactos das mudanças climáticas: incêndios florestais, ondas de calor, desertificação, inundações, aumento de custos e muito mais", disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. "À medida que as ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa continuam atrasadas, esses impactos só piorarão, prejudicando mais pessoas e causando danos econômicos significativos."

“Precisamos de um impulso global para aumentar o financiamento da adaptação – de fontes públicas e privadas – sem aumentar o fardo da dívida das nações vulneráveis. Mesmo em meio a orçamentos apertados e prioridades concorrentes, a realidade é simples: se não investirmos em adaptação agora, enfrentaremos custos crescentes a cada ano.”

Praça da República e seus corredores de mangueiras. A Praça da República é um dos símbolos da cidade de Belém, local onde acontecem grandes manifestações políticas e artísticas. Foto finalista da edição de 2024 do concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Legenda: Praça da República e seus corredores de mangueiras. A Praça da República é um dos símbolos da cidade de Belém, local onde acontecem grandes manifestações políticas e artísticas. Foto finalista da edição de 2024 do concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Raimundo Paccó.

Uma lacuna preocupante

O valor de US$ 310 bilhões necessários para financiar a adaptação nos países em desenvolvimento por ano até 2035 é baseado em custos modelados. Ao basear as estimativas em necessidades extrapoladas expressas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas e nos Planos Nacionais de Adaptação, esse número sobe para US$ 365 bilhões. Esses números são baseados em valores de 2023 e não são corrigidos pela inflação.

Os fluxos internacionais de financiamento público de adaptação para os países em desenvolvimento foram de US$ 26 bilhões em 2023: abaixo dos US$ 28 bilhões do ano anterior. Isso deixa uma lacuna de financiamento de adaptação de US$ 284-339 bilhões por ano – 12 a 14 vezes mais do que os fluxos atuais. A estimativa anterior da AGR era de US$ 194-366 bilhões para o ano de 2030.

Se as tendências atuais de financiamento não mudarem rapidamente, a meta do Pacto Climático de Glasgow de dobrar o financiamento público internacional de adaptação dos níveis de 2019 para aproximadamente US$ 40 bilhões até 2025 não será alcançada.

Planejamento e implementação em ascensão

Cerca de 172 países têm pelo menos uma política, estratégia ou plano nacional de adaptação em vigor; apenas quatro países não começaram a desenvolver um plano. No entanto, 36 dos 172 países possuem instrumentos desatualizados ou que não são atualizados há pelo menos uma década. Isso deve ser resolvido para minimizar a possibilidade de má adaptação.

Nos Relatórios Bienais de Transparência – apresentados no âmbito do Acordo de Paris para delinear o progresso no cumprimento das promessas climáticas – os países relataram mais de 1.600 ações de adaptação implementadas, principalmente em biodiversidade, agricultura, água e infraestrutura. No entanto, poucos países estão relatando resultados e impactos reais, que são necessários para avaliar sua eficácia e adequação.

Enquanto isso, o apoio a novos projetos no âmbito do Fundo de Adaptação, do Fundo Global para o Meio Ambiente e do Fundo Verde para o Clima cresceu para quase US$ 920 milhões em 2024. Este é um aumento de 86% em relação à média móvel de cinco anos de US$ 494 milhões entre 2019 e 2023. No entanto, isso pode ser apenas um pico, com restrições financeiras emergentes tornando o futuro incerto.

Financiamento público e privado para intensificar

A Nova Meta Quantificada Coletiva para o Financiamento Climático, acordada na COP29, exige que as nações desenvolvidas forneçam pelo menos US$ 300 bilhões para ação climática nos países em desenvolvimento por ano até 2035. Isso é insuficiente para fechar a lacuna financeira, por dois motivos.

Primeiro, se a taxa de inflação da última década for estendida até 2035, o financiamento de adaptação estimado necessário para os países em desenvolvimento passa de US$ 310-365 bilhões por ano a preços de 2023 para US$ 440-520 bilhões por ano. Em segundo lugar, a meta de US$ 300 bilhões é tanto para mitigação quanto para adaptação, o que significa que a adaptação receberia uma parcela menor.

O Roteiro de Baku a Belém para arrecadar US$ 1,3 trilhão até 2035 pode fazer uma enorme diferença – mas é preciso tomar cuidado para não aumentar as vulnerabilidades das nações em desenvolvimento. Doações e instrumentos concessionais e não geradores de dívida são essenciais para evitar o aumento do endividamento, o que tornaria mais difícil para os países vulneráveis investir na adaptação.

Para que o roteiro funcione, a comunidade internacional deve conter a lacuna de financiamento da adaptação por meio da mitigação e prevenção da má adaptação, aumentar o financiamento com a ajuda de novos provedores e instrumentos e envolver mais atores financeiros na integração da resiliência climática na tomada de decisões financeiras.

Embora o setor privado deva fazer mais, o relatório estima o potencial realista de investimento do setor privado nas prioridades nacionais de adaptação pública em US$ 50 bilhões por ano. Isso se compara aos fluxos privados atuais de cerca de US$ 5 bilhões por ano. Atingir US$ 50 bilhões exigiria ações políticas direcionadas e soluções financeiras combinadas, com financiamento público concessionário usado para reduzir o risco e aumentar o investimento privado.

Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e leia o relatório na íntegra na página do PNUMA (em inglês): https://www.unep.org/resources/adaptation-gap-report-2025 

NOTAS AOS EDITORES

O Relatório sobre a Lacuna de Adaptação utiliza um conjunto de modelos setoriais estabelecidos e revistos pelos pares para estimar os custos adicionais de adaptação para os países em desenvolvimento - os custos incrementais de adaptação para fazer face às alterações climáticas - expressando-os como custos anuais de adaptação não descontados. Mais detalhes sobre a modelagem usada estão disponíveis no relatório.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele promove liderança e incentiva a parceria no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.

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  • Unidade de Notícias e Mídia, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: unep-newsdesk@un.org   
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Renata Chamarelli

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