Agradeço ao presidente Lula, ao governo e ao povo do Brasil por sua liderança – aqui em Belém, no coração da Amazônia e centro da ação climática.
Legenda: O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na plenária de abertura da Cúpula do Clima de Belém, em 6 de novembro de 2025. Antecedendo a COP30, a Cúpula do Clima reúne lideranças mundiais para discutir os principais desafios e compromissos no enfrentamento da mudança do clima.
No entanto, elas continuam sob ataque implacável – tratadas como lucro de curto prazo, e não como valor de longo prazo.
No ano passado, o mundo perdeu o equivalente a 18 campos de futebol de floresta tropical primária – a cada minuto.
O Fundo Floresta Tropical para Sempre é um mecanismo ousado para tornar as florestas em pé mais valiosas do que as terras desmatadas – alinhando a conservação com a oportunidade e a solidariedade com a prosperidade compartilhada.
Excelências,
As florestas tropicais são vitais para a estabilidade climática.
Elas protegem a água e os solos, armazenam e removem bilhões de toneladas de carbono, regulam as chuvas, moldam os padrões climáticos em todos os continentes e sustentam milhões de pessoas.
Sem as florestas tropicais, não há caminho para limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius até o final do século.
Estamos perigosamente próximos de um ponto de inflexão que poderia levar esses ecossistemas a um ponto sem retorno.
Ultrapassar esse limite provocaria secas, incêndios e perda de biodiversidade em uma escala que a humanidade não poderia controlar.
Nos comprometemos a deter e reverter a perda florestal até 2030.
Agora precisamos cumprir nossa promessa.
Isso significa apoiar as nações florestais – não como um favor, mas como um dever compartilhado;
Reduzir as emissões decorrentes do desmatamento;
E preservar a imensa capacidade das florestas de armazenar carbono.
Ao recompensar os países por manterem as florestas em pé, aumentamos a resiliência.
Ao apoiar os povos indígenas e as comunidades florestais, promovemos a justiça climática e salvaguardamos culturas cujo conhecimento tem cuidado da natureza há milênios.
E ao mobilizar financiamento de longo prazo, previsível e acessível, fechamos uma das lacunas mais persistentes na ação climática global.
A justiça, a inclusão e a integridade devem estar em primeiro plano.
O financiamento deve chegar à base – àqueles que protegem as florestas com suas mãos, seus corações e seu patrimônio.
Ele mostra que os países em desenvolvimento – embora sofram os impactos mais graves da crise climática – estão liderando com soluções para todas as pessoas.
Da Amazônia à Bacia do Congo e ao Sudeste Asiático, as nações florestais provam que proteger a natureza pode impulsionar o crescimento, a estabilidade e a dignidade.
Agora, o mundo deve responder com ambição correspondente.
Governos, bancos de desenvolvimento e o setor privado devem unir forças para fechar a lacuna financeira, desbloquear investimentos para economias florestais sustentáveis e ampliar o monitoramento e a restauração.
Juntos e juntas, podemos garantir que as florestas tropicais permaneçam para sempre – como pilares vivos da estabilidade climática, biodiversidade, resiliência e paz.