No ano passado, 90% da nova capacidade energética veio de fontes renováveis;
O investimento global em energia limpa atingiu dois trilhões de dólares americanos – 800 bilhões a mais do que os combustíveis fósseis;
As energias renováveis são agora a fonte mais barata de eletricidade nova em quase todos os países.
Elas estão impulsionando a prosperidade e empoderando comunidades que há muito tempo viviam na escuridão.
Cada dólar investido em energias renováveis cria três vezes mais empregos do que um dólar investido em combustíveis fósseis – e os empregos em energia limpa agora superam os empregos em combustíveis fósseis em todo o mundo.
Legenda: Secretário-geral da ONU, António Guterres (à direita), participa de um debate sobre a transição energética em Belém, Brasil.
Mas precisamos avançar muito mais rápido – e garantir que todas as nações compartilhem os benefícios.
Na COP28, os países concordaram em fazer a transição dos combustíveis fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa; e triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030.
O mandato é claro – agora precisamos eliminar a lacuna de entrega.
E é aqui, Excelências, que estamos ficando perigosamente aquém.
Mesmo que os novos compromissos nacionais sejam totalmente implementados, o mundo ainda caminha para um aquecimento claramente superior a 2 graus. Isso significa mais inundações, mais calor, mais sofrimento – em todos os lugares.
Os cientistas nos dizem que ultrapassar 1,5 grau agora é inevitável – começando, no máximo, no início da década de 2030.
Mas o quanto e por quanto tempo essa ultrapassagem durará depende da velocidade e da escala de nossas ações hoje.
Para voltar a ficar abaixo de 1,5 graus até o final do século, as emissões globais devem cair quase pela metade até 2030, atingir zero líquido até 2050 e passar a ser negativas depois disso.
Então, o que devemos fazer?
Primeiro, proporcionar clareza e coerência:
Alinhar leis, políticas e incentivos com uma transição energética justa;
E eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis que distorcem os mercados e nos prendem ao passado.
Segundo, colocar as pessoas e a equidade no centro da transição;
Apoiar os trabalhadores e as comunidades cuja subsistência ainda depende do carvão, do petróleo e do gás;
Oferecer treinamento, proteção e novas oportunidades – especialmente para jovens e mulheres.
Terceiro, investir em redes, armazenamento e eficiência.
As energias renováveis estão crescendo, e a infraestrutura precisa acompanhar esse ritmo – rapidamente.
Quarto, atender a toda a nova demanda de eletricidade com energia limpa – incluindo a proveniente dos centros de dados que impulsionam a revolução da IA.
A tecnologia deve fazer parte da solução, não ser uma nova fonte de tensão.
E quinto, liberar financiamento em escala para os países em desenvolvimento.
Hoje, a África recebe 2% do investimento global em energia [limpa].
Precisamos de cooperação internacional para derrubar barreiras, reduzir o custo do capital e atrair investimentos privados.
Excelências,
Os caminhos para cada país podem parecer diferentes, mas o destino deve ser o mesmo:
Um mundo com emissões líquidas zero, seguido consistentemente por um mundo com emissões líquidas negativas — movido por energias renováveis.
Devemos apoiar os países em desenvolvimento a implementar seu compromisso de transição para longe dos combustíveis fósseis:
Por meio de uma cooperação mais forte, investimento e transferência de tecnologia — e calibrado para diferentes capacidades e dependências.
Vamos agir com rapidez e solidariedade.
Tornemos a equidade o motor da aceleração — e construamos economias limpas, inclusivas e resilientes.
Transformemos a necessidade climática em oportunidade de desenvolvimento — em todos os lugares.
A era dos combustíveis fósseis está chegando ao fim.
A energia limpa está em ascensão.
Vamos tornar a transição justa, rápida e definitiva.