WFP apela por ampliação de financiamento de risco de catástrofes para evitar fome
21 novembro 2025
O Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP) alerta que até mesmo um aumento de 1°C na temperatura global pode colocar mais 70 milhões de pessoas em insegurança alimentar.
O WFP reforça que agir antes dos desastres é essencial e que cada dólar investido em ações antecipadas evita prejuízos maiores. Em 2024, a organização enviou alertas, ofereceu assistência financeira e apoiou milhões de pessoas em vários países afetados por eventos climáticos.
Ao final da COP30, o WFP pede mais financiamento e ações concretas para proteger quem mais sofre com a crise climática.
Mesmo um aumento de 1°C na temperatura global poderia levar mais 70 milhões de pessoas à insegurança alimentar em 45 países onde atua, alertou o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP), nesta sexta-feira (21), no encerramento da COP30 na Amazônia.
As condições climáticas extremas estão exacerbando a crise global de fome, como visto nos recentes desastres do furacão Melissa no Caribe e do tufão Fung-Wong nas Filipinas. Tempestades, inundações e secas deslocam pessoas de suas casas, interrompem os sistemas agrícolas e rompem as cadeias de abastecimento. Uma grande retração no financiamento da assistência aumentou a ameaça, pois muitas comunidades frágeis ficarão sem os recursos necessários para se preparar, responder e se recuperar quando ocorrerem desastres climáticos.
“A falta de preparação é o que transforma um furacão em uma catástrofe de fome”, disse Richard Choularton, diretor de Clima e Resiliência do WFP.
“Esperar que uma tempestade chegue para agir é um erro. Provamos repetidamente que soluções precoces, eficazes e inovadoras podem salvar vidas e proteger meios de subsistência, e precisamos urgentemente de mais apoio para continuar esse trabalho vital.”
No ano passado, o WFP agiu antes de 16 eventos climáticos extremos — ciclones, inundações e secas — em 13 países. Mensagens de alerta precoce foram enviadas a quase 14 milhões de pessoas e 1,3 milhão de famílias receberam transferências de dinheiro para estocar alimentos e proteger seus meios de subsistência antes dos eventos climáticos extremos. Cada dólar investido em ações antecipadas economiza até sete dólares em perdas e acelera a recuperação.
O WFP também ajuda os países a garantir que os pagamentos do seguro contra riscos de desastres provocados por eventos climáticos extremos sejam usados para subsídios sociais para ajudar os mais vulneráveis. Em 2024, o WFP forneceu US$ 361 milhões em proteção financeira a mais de seis milhões de pessoas por meio de seus instrumentos de seguro contra desastres em 37 países da África, Ásia e Pacífico, Oriente Médio, América Latina e Caribe.
Capacitar as comunidades para resistir aos choques da fome é fundamental. É necessário que mais financiamento chegue às comunidades para fortalecer os sistemas alimentares locais, restaurar terras degradadas e equipar os pequenos agricultores para que possam construir resiliência.
À medida que a COP30 chega ao fim em Belém, o WFP elogia a Presidência brasileira por sua ousada diplomacia Mutirão e conclama todas as partes interessadas a transformar compromissos em ações — manter o limite de 1,5°C ao alcance, acelerar a agenda de adaptação e garantir financiamento climático para aqueles que mais precisam.
As ações antecipadas do WFP em resposta a eventos climáticos extremos em 2025 incluem:
• Nas Filipinas, o governo e o WFP distribuíram assistência financeira multifuncional a 157.000 pessoas antes da chegada do tufão Fung-Wong em novembro, para a compra de itens essenciais, como alimentos e medicamentos, materiais para reforçar as casas, evacuar com segurança ou garantir seus meios de subsistência.
• Em outubro, antes do furacão Melissa, o WFP trabalhou com governos e parceiros do Caribe para ajudar as comunidades a se prepararem para a forte tempestade. Mais de 3,5 milhões de mensagens de texto foram enviadas às pessoas no Haiti para ajudá-las a se preparar e permanecer em segurança. Foram pré-posicionados suprimentos alimentares para apoiar 275.000 pessoas por até 60 dias em Cuba. Na Jamaica, o WFP ajudou a possibilitar o acesso a liquidez financeira rápida para famílias vulneráveis afetadas por meio de sistemas nacionais de proteção social. O WFP está agora intensificando os esforços de socorro nas áreas mais atingidas para apoiar as autoridades locais.
• No Paquistão, as enchentes causadas pelas monções afetaram cerca de sete milhões de pessoas e causaram mais de 1.000 mortes entre junho e meados de setembro. O WFP apoiou a resposta nacional às enchentes com assistência alimentar e nutricional, alcançando diretamente 224.000 pessoas e fortalecendo a preparação e a resiliência dos sistemas nacionais para permitir o apoio aos mais necessitados.
• O WFP garantiu US$ 80 milhões em cobertura financeira por meio da ARC Replica e da Africa Catastrophic Layer, protegendo 2,5 milhões de pessoas de desastres relacionados ao clima em 11 países africanos (Burkina Faso, Madagascar, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, Somália, Sudão, Gâmbia, Zâmbia e Zimbábue).
• O WFP atende às necessidades das comunidades afetadas pela seca no Sahel por meio de um pacote abrangente de atividades integradas de resiliência, ajudando quatro milhões de pessoas em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger desde 2017. Esse pacote inclui assistência alimentar para a regeneração de solos, vegetação e recursos hídricos, apoio nutricional, alimentação escolar e fortalecimento da capacidade dos pequenos agricultores. O WFP pretende ampliar o programa para atingir cinco milhões de pessoas até 2027.
Notas para editores:
Fotos disponíveis para download aqui.
Mais informações (em inglês) sobre as Ações Antecipadas do WFP em 2025 aqui.
Acesse o relatório completo (em inglês) sobre o impacto do aumento da temperatura na segurança alimentar aqui.
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas é a maior organização humanitária do mundo, salvando vidas em situações de emergência e utilizando a assistência alimentar para construir um caminho para a paz, a estabilidade e a prosperidade para as pessoas que se recuperam de conflitos, desastres e do impacto das mudanças climáticas.
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