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Governo do RJ e ONU-Habitat fortalecem a resiliência comunitária em Petrópolis

25 novembro 2025

Oficinas práticas capacitam moradoras e moradores de 13 comunidades em prevenção, monitoramento e resposta a desastres.

Comunidades participam da construção coletiva do Protocolo de Resiliência Familiar, que identifica riscos, mostra rotas de fuga e organiza as comunidades de Petrópolis para lidar com as mudanças do clima.

As ações integram o Programa RJ Resiliente, parceria entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o ONU-Habitat.
 

Atividade prática para montagem de sensores caseiros de monitoramento climático do Protocolo de Resiliência Familiar, na comunidade da Posse, realizado em novembro de 2025.
Legenda: Atividade prática para montagem de sensores caseiros de monitoramento climático do Protocolo de Resiliência Familiar, na comunidade da Posse, realizado em novembro de 2025.
Foto: © Juliana Ribeiro/ONU-Habitat


No último sábado (15), na comunidade da Posse, no extremo norte de Petrópolis (RJ), o ECOS Petrópolis – iniciativa realizada no âmbito do RJ Resiliente, fruto da parceria entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) – deu início à fase de multiplicação de conhecimento nas comunidades. As ações buscam preparar moradores e moradoras das regiões com maior vulnerabilidade climática, com o objetivo de reduzir riscos e fortalecer a capacidade comunitária de resposta a eventos climáticos extremos.

A iniciativa, implementada por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), teve início em abril de 2025. O ECOS Petrópolis atua em 13 comunidades vulneráveis a desastres: Alemão, Caxambu, Cuiabá, Floresta, Morin, Neylor, Independência, Oficina, Posse, Quitandinha, Rio de Janeiro, Serra Velha, Thouzet e Vila Felipe. As atividades incluem ações de educação ambiental, prevenção de riscos, primeiros socorros e comunicação de emergência.

Capacitações reforçam o papel das comunidades na redução de riscos - A primeira fase das capacitações operacionais teve início em julho deste ano, e foi dedicada à formação técnica e operacional de agentes e gestores/as locais para atuar nessas comunidades. Agora, as ações avançam para a orientação direta de moradores e moradoras nas comunidades, ampliando o alcance dos conhecimentos e fortalecendo as capacidades coletivas de resposta.

O investimento em conhecimento comunitário é central para reduzir vulnerabilidades e ampliar a segurança dos territórios. Como destaca o Secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Chim Rossi, “os eventos climáticos extremos são uma realidade crescente. Preparar as comunidades, fortalecer a resposta local e ampliar a resiliência das famílias são caminhos indispensáveis para salvar vidas”.

Agentes comunitários no ciclo de capacitação operacional.
Legenda: Agentes comunitários no ciclo de capacitação operacional.
Foto: © Juliana Ribeiro/ONU-Habitat

   
Oficinas práticas e Protocolo de Resiliência Familiar - O primeiro encontro, realizado na comunidade Posse, foi planejado para garantir inclusão e acessibilidade, considerando as necessidades de pessoas com deficiência, crianças, adolescentes e idosos/as. A atividade teve como foco ampliar a proteção e fortalecer as capacidades familiares e comunitárias diante dos riscos climáticos. A composição das pessoas participantes incluiu 56% de mulheres e 44% de pessoas que se autodeclaram negras (pretas e pardas).

A Chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes, ressalta que as soluções para enfrentar e mitigar os efeitos das mudanças do clima são, essencialmente, coletivas. 

“Fortalecer a resiliência começa na comunidade. Em Petrópolis, grande parte da nossa equipe é formada por pessoas que vivem nesses territórios, porque elas possuem o conhecimento local, a vivência e a experiência, esse conhecimento é muito valioso. Nosso papel foi fortalecer essa capacidade, oferecendo formações e treinamentos para que essas lideranças possam replicar o conhecimento em suas respectivas comunidades.”

A agenda de oficinas segue até abril de 2026. Ao todo, serão realizados 26 encontros presenciais, totalizando 52 oficinas e mais de 50 horas de atividades. As ações incluem encontros orientadores, processos participativos e a produção de sensores caseiros de monitoramento climático.

Nessas oficinas, as pessoas participantes aprendem a montar sensores caseiros de baixo custo, como o pluviômetro, feito com garrafas PET, o anemômetro, produzido com potes de iogurte, e o infiltrômetro, construído com filtro de vela. Esses sensores integram a construção do Protocolo de Resiliência Familiar, instrumento que também reúne informações como rotas de evacuação, pontos seguros e orientações práticas que fortalecem a capacidade de resposta comunitária em situações de emergência.

O Protocolo de Resiliência familiar é essencial para orientar cada comunidade diante dos efeitos da mudança do clima. Ao combinar os conhecimentos dos moradores e moradoras com orientações metodológicas da equipe técnica, é possível construir documentos essenciais para ações preventivas.

Atividade prática para montagem de sensores de monitoramento climático do Protocolo de Resiliência Familiar, na comunidade da Posse, realizado em novembro de 2025.
Legenda: Atividade prática para montagem de sensores de monitoramento climático do Protocolo de Resiliência Familiar, na comunidade da Posse, realizado em novembro de 2025.
Foto: © Juliana Ribeiro/ONU-Habitat

Os encontros valorizam a construção coletiva, fortalecem o engajamento das redes locais e o sentimento de pertencimento, promovendo o compartilhamento de informações, práticas colaborativas e integração entre moradores/as, agentes e gestores comunitários. Dessa forma, todos e todas passam a compor uma estratégia articulada, contribuindo para a redução de danos e, sobretudo, para a preservação de vidas. 

Próximos passos - Entre os materiais previstos estão o mapa-base de riscos comunitários, os sensores e pontos de monitoramento, a ficha de percepção de risco, além do mapa de rotas seguras e do plano de evacuação de cada território participante. A continuidade do trabalho permitirá consolidar os materiais produzidos pelas comunidades, aprimorar estratégias locais e fortalecer redes de preparação e resposta às emergências.         

Além disso, as equipes técnicas e comunitárias seguirão monitorando os avanços, validando os instrumentos elaborados e ampliando o engajamento das lideranças locais, criando uma base sólida para que Petrópolis avance na construção de territórios mais seguros, resilientes e preparados para enfrentar os efeitos da mudança do clima.

Sobre o RJ Resiliente - A parceria do ONU-Habitat com o Governo do Estado do Rio de Janeiro integra o RJ Resiliente, programa da Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade para promover a resiliência urbana e climática nos municípios do Rio de Janeiro, fortalecendo as metas da Agenda 2030 e os princípios da Nova Agenda Urbana em todo o estado. Além disso, trabalha para mobilizar os municípios para construir um Rio de Janeiro mais inclusivo e sustentável.

Contato para imprensa:
Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
Livia Freire (livia.souza@un.org

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU-HABITAT
Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa