O Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino deste ano ocorre após dois anos de sofrimento terrível em Gaza – e o início de um cessar-fogo muito necessário.
Os sobreviventes estão de luto pela morte de dezenas de milhares de amigos e familiares – quase um terço deles crianças – e milhares mais ficaram feridos. A fome, as doenças e os traumas se espalham sem controle, enquanto escolas, casas e hospitais estão em ruínas.
A injustiça também continua na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, com operações militares israelenses, violência, expansão dos assentamentos, despejos, demolições e ameaças de anexação.
Ao mesmo tempo, centenas de trabalhadores humanitários foram mortos. A maioria era composta por funcionários palestinos da ONU, marcando a maior perda de pessoal na história da Organização. Mais jornalistas morreram do que em qualquer outro conflito desde a Segunda Guerra Mundial.
De muitas maneiras, essa tragédia testou as normas e leis que guiaram a comunidade internacional por gerações. O assassinato de tantos civis, o deslocamento repetido de toda uma população e a obstrução da ajuda humanitária nunca devem ser aceitáveis em nenhuma circunstância.
O recente cessar-fogo oferece um vislumbre de esperança. Agora é vital que todas as partes o respeitem plenamente e trabalhem de boa fé para encontrar soluções que restaurem e defendam o direito internacional. Isso inclui devolver os restos mortais dos reféns dos ataques de 7 de outubro, de forma rápida e digna, às famílias enlutadas em Israel.
A ajuda humanitária vital deve ser autorizada a entrar em Gaza em grande escala, e a comunidade internacional deve continuar a apoiar firmemente a UNRWA — um sustento insubstituível para milhões de palestinos, incluindo os refugiados palestinos.
Repito meu apelo pelo fim da ocupação ilegal do Território Palestino — conforme afirmado pela Corte Internacional de Justiça e pela Assembleia Geral — e por um progresso irreversível em direção a uma solução de dois Estados, em conformidade com o direito internacional e as resoluções pertinentes da ONU, com Israel e a Palestina vivendo lado a lado em paz e segurança dentro de suas fronteiras seguras e reconhecidas, com base nas linhas anteriores a 1967, com Jerusalém como capital de ambos os Estados.
Neste Dia Internacional de Solidariedade, vamos nos inspirar no próprio povo palestino, cuja resiliência e esperança são um testemunho do espírito humano. Vamos nos solidarizar com seus direitos à dignidade, justiça e autodeterminação — e trabalhar juntos para construir um futuro pacífico para todos.
Para saber mais, visite a página da data internacional e acompanhe a cobertura da ONU News em português: https://news.un.org/pt/focus/oriente-medio