Pós-desastre: UNOPS apoia a reconstrução da infraestrutura do SUS no Rio Grande do Sul
101 obras em 33 municípios estão sendo acompanhadas pelo UNOPS em parceria com o Ministério da Saúde
Em parceria com o Ministério da Saúde, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) vem apoiando municípios gaúchos na recuperação da infraestrutura de saúde. Ao todo, 101 obras em 33 municípios estão sendo acompanhadas pelo organismo da ONU, que oferece consultoria especializada, suporte técnico e orientação jurídica a gestores locais.
Hoje, ao ver a Unidade Básica de Saúde (UBS) Sarandi, em Porto Alegre, totalmente reformada, a enfermeira Cassiane Neves se emociona:
“Passamos um ano e cinco meses fazendo os atendimentos nos fundos do prédio, com horários restritos e sem a equipe completa. Foi muito difícil. Agora reabrimos para a comunidade. Daqui para frente, é atendimento pleno, tudo novo”, comemorou ela logo após a reabertura da unidade, em novembro. A UBS Sarandi atende, em média, cerca de 3 mil pessoas por mês.
As dificuldades enfrentadas durante a enchente ainda estão igualmente vivas para a enfermeira Mariana Leonardo de Freitas Mirandolli, responsável pela unidade de saúde Mario Quintana, também na capital gaúcha.
“Foi uma obra muito esperada por todos nós. Logo depois da enchente, durante dois meses, o atendimento foi feito em barracas improvisadas, nos abrigos e até em um CTG (Centro de Tradições Gaúchas). Precisamos sair das barracas porque o calor era insuportável. Voltamos a atender dentro da unidade mesmo sem luz”, relata.
Com forte vulnerabilidade social no entorno da unidade, a equipe da UBS Mario Quintana decidiu manter o atendimento no território, mesmo em condições críticas.
“Sair daqui não era uma opção. Seguimos o atendimento sem parar, Finalmente, é um sonho que conseguimos realizar, ao prestar uma melhor assistência para a comunidade. Agora temos salas com luz, portas e até ar-condicionado. Está sendo muito bom”, afirma Mariana.
Apoio técnico em municípios severamente atingidos
Uma das cidades mais impactadas pelas enchentes foi Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O município foi invadido pelos rios dos Sinos e Caí, exigindo evacuações emergenciais. No bairro Morretes, onde fica uma UBS, equipes de saúde precisaram ser transportadas por barco para dar continuidade ao atendimento.
Por meio do acordo de cooperação com o Ministério da Saúde e em articulação com a Prefeitura, o UNOPS apoiou na definição da área mais adequada para a construção de duas UBS e orientou o município no processo de desapropriação em um dos terrenos — um passo necessário para viabilizar as obras. “A equipe técnica ajudou no correto direcionamento jurídico, o que foi fundamental naquele momento”, destaca o secretário de Saúde de Nova Santa Rita, Bryan Freitas.
Segundo ele, a parceria contribuiu para solucionar entraves que pareciam sem solução:
“O Ministério da Saúde e o UNOPS foram fundamentais para esclarecer dúvidas técnicas e apontar possibilidades. Não contamos com um corpo técnico especializado, então o acompanhamento nos trouxe segurança e facilitou nossa gestão.”
Reconstrução de unidades com eficiência
Em Sapucaia do Sul, as unidades Colina Verde e Carioca registraram danos estruturais severos, que afetaram salas de atendimento, instalações elétricas e áreas administrativas, exigindo reformulação completa dos espaços. Segundo a secretária adjunta de Saúde do município, Ana Paula Macedo, o apoio técnico tem sido decisivo para garantir agilidade na recuperação.
“É uma oportunidade de atender melhor a comunidade e sanar as dificuldades geradas pela enchente. Podemos agora fazer a reforma e a ampliação das unidades Colina Verde e Carioca. A perspectiva é entregar essas estruturas em breve à população, que se sentirá valorizada e terá atendimento qualificado perto de casa”, avalia.
O maior desastre climático do RS e a resposta na saúde
Entre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o maior desastre climático de sua história. As enchentes atingiram 478 municípios; cerca de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas, 650 mil ficaram desalojadas, mais de 71 mil desabrigadas e 183 perderam a vida, segundo a Defesa Civil do Estado. Em Porto Alegre, o Rio Guaíba ultrapassou 5,35 metros em Porto Alegre, superando o recorde da enchente de 1941.
Na área da saúde, o impacto foi devastador: cerca de 3 mil estabelecimentos de saúde sofreram danos estruturais. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, ao menos 290 estruturas como hospitais e unidades do SUS foram atingidas. Apenas em Porto Alegre, 26 Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram impactadas; 14 delas precisaram ser fechadas, interrompendo os atendimentos à população em um momento crítico.
Diante dos impactos provocados pelo desastre climático no Rio Grande do Sul, o projeto entre UNOPS e Ministério da Saúde busca acelerar a reconstrução da infraestrutura de saúde com assistência técnica, incluindo diagnóstico de necessidades e orientação jurídica, desde o início da execução até a conclusão das obras. A atuação, em conjunto com os gestores municipais, vem fortalecendo a resiliência dos serviços de saúde, promovendo soluções sustentáveis e assegurando o uso eficiente dos recursos públicos.
Para saber mais, visite a página do UNOPS no Brasil: https://www.unops.org/brazil