12 Fevereiro 2026 - 18 Fevereiro 2026
Carnaval e direito à cidade: afeto, cultura e resiliência
Faça parte da campanha do ONU-Habitat para o Carnaval 2026!
Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
UN-HabitatObjetivos de Desenvolvimento Sustentável
Contato para informações
contato@onu.org.brSobre a campanha
A magia do carnaval chegou. Em diálogo com uma das maiores expressões culturais do Brasil, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lança sua campanha anual carnavalesca: “Carnaval e direito à cidade: afeto, cultura e resiliência”.
O carnaval ocupa as ruas, transforma a paisagem urbana e revela, de forma potente, como as cidades são vividas por corpos diversos. É festa, mas também é um momento para refletir sobre políticas públicas, cultura, trabalho, economia, direitos e afeto.
O direito à cidade e a Agenda 2030
O mandato do ONU-Habitat está diretamente alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11) da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que busca tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.
Dentro desse objetivo, a meta 11.7 estabelece que, até 2030, deve ser garantido o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, com atenção especial para mulheres, crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Garantir espaços públicos de qualidade é uma manifestação concreta do direito à cidade.
Por isso, pensar o carnaval passa por pensar o direito à cidade. A festa popular escancara desigualdades, mas também aponta caminhos: ruas ocupadas com alegria, diversidade, convivência e pertencimento mostram o potencial transformador dos espaços públicos quando são pensados para todas as pessoas.
Carnaval é coisa séria
Neste ano, marchinhas e músicas que atravessam gerações embalam a narrativa da campanha. Artistas, foliãs, foliões e todas as pessoas que constroem o carnaval no dia a dia sabem há muito tempo: carnaval é coisa séria.
Além de patrimônio cultural imaterial, o carnaval movimenta a economia local, fortalece cadeias produtivas criativas e amplia o acesso à cultura. É também um espaço de expressão política, de resistência e de reinvenção dos modos de estar na cidade.
O escritor, historiador e professor, Luiz Antonio Simas, em seu livro “O corpo encantado das ruas”, nos lembra da importância de valorizar os saberes e práticas das culturas populares que resistem aos padrões hegemônicos. Ao escrever sobre as ruas ocupadas por corpos que celebram, dançam e amam, Simas aponta para uma reinvenção dos afetos, em que a cidade deixa de ser apenas cenário e passa a ser experiência viva, compartilhada e encantada.
Clima, cuidado e resiliência urbana
O carnaval também acontece em um contexto de emergência climática. Marchinhas como “Allah-la-ô… mas que calor” atravessam décadas e hoje ganham novos sentidos, abrindo espaço para reflexões urgentes sobre temas como a resiliência climática.
Preparar os espaços públicos e nossas cidades para ondas de calor, chuvas intensas e outros eventos extremos é uma necessidade que salva vidas. Árvores, sombra, acesso à água, saneamento básico, mobilidade, segurança, moradia adequada e planejamento urbano inclusivo são medidas essenciais para proteger pessoas, animais e ecossistemas urbanos, especialmente em períodos de grande concentração populacional, como o carnaval.
Ao promover cidades que priorizam a vida, o bem-estar coletivo e o futuro comum, o ONU-Habitat atua com governos estaduais e municipais para fortalecer a resiliência urbana, colocando as pessoas no centro do planejamento. Isso inclui apoiar ações e iniciativas que integrem adaptação às mudanças do clima, redução de riscos e justiça social, com atenção especial às populações mais vulneráveis.
Corpo, autonomia e igualdade de gênero
A campanha também reforça uma mensagem fundamental: carnaval sem assédio é direito.
Esse compromisso dialoga diretamente com o ODS 5, que visa alcançar a igualdade de gênero e eliminar todas as formas de discriminação e violência contra mulheres e meninas, tanto em espaços públicos quanto privados.
Mulheres são livres, autônomas e devem ser respeitadas em todos os espaços da cidade, inclusive na festa. O direito à cidade passa, necessariamente, pelo direito ao próprio corpo.
Um carnaval mais consciente, coletivo e afetuoso
Ao levantar esses e outros temas, o ONU-Habitat convida a sociedade a imaginar e construir, junto com o poder público, movimentos culturais e comunidades locais, um carnaval mais consciente, seguro e afetuoso.
Porque cidades melhores se constroem também na hora da folia: com o cuidado coletivo, respeito às diferenças e com a ocupação dos espaços públicos esbajando alegria, dignidade e amor.
Faça a sua parte
- Respeite os corpos e os limites de cada pessoa: assédio é crime e o consentimento é essencial.
- Cuide dos espaços públicos: descarte corretamente o lixo, preserve áreas verdes e respeite a cidade que te acolhe.
- Hidrate-se e proteja-se do calor: busque sombra, use protetor solar e cuide de quem está ao seu redor.
- Valorize a cultura local: prestigie artistas, blocos e trabalhadoras e trabalhadores do carnaval.
- Compartilhe informação: converse sobre direito à cidade, igualdade de gênero e sustentabilidade com sua rede.
- Engaje-se: acompanhe as ações do ONU-Habitat e da ONU Brasil, participe e ajude a espalhar mensagens de respeito, cuidado e inclusão.
Fazer a sua parte e transforme a festa em um ato coletivo de cidadania! Siga @onuhabitatbrasil para saber mais.