Guterres: “Não há solução militar para esta crise”
14 abril 2026
Coletiva de imprensa com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sobre o conflito no Oriente Médio, em 14 de abril de 2026.
Senhoras e senhores da imprensa,
Muito obrigado pela presença de todos.
A justiça deve ser feita com imparcialidade.
Mas hoje, muitos estão optando por fechar os olhos à própria justiça.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (à esquerda) visita um abrigo na região de Dekwaneh, em Beirute, que acolhe pessoas deslocadas oriundas de áreas afetadas pelo atual conflito no sul do Líbano, em 14 de março de 2026. O secretário-geral da ONU apelou à comunidade internacional para que intensifique o apoio ao governo e ao povo do Líbano, alertando que o sul do país “corre o risco de se transformar em uma terra arrasada”.
As regras que regem o uso da força e a condução das hostilidades são ignoradas.
Civis estão expostos a danos intoleráveis.
As obrigações humanitárias são menosprezadas.
Até mesmo as proteções concedidas às Nações Unidas e ao nosso pessoal estão sendo violadas.
Este ataque generalizado ao direito internacional tem consequências:
A ilegalidade gera caos.
A ilegalidade alimenta o sofrimento.
A ilegalidade leva à destruição.
Este não é o momento de nos afastarmos do direito internacional.
É o momento de reafirmá-lo.
É por isso que, no final desta semana, irei a Haia para comemorar o octogésimo aniversário da Corte Internacional de Justiça.
A CIJ é o principal órgão judicial das Nações Unidas e um pilar da ordem jurídica internacional.
Ao longo de oito décadas, a Corte Internacional de Justiçal tem desempenhado esse papel com excelência.
Mas esta visita não se resume a comemorar um aniversário.
Trata-se de enviar uma mensagem clara:
Uma mensagem de que as Nações Unidas apoiam firmemente as instituições e os princípios destinados a proteger a paz, a justiça, a soberania e a dignidade humana.
Uma mensagem de que o direito internacional se aplica a todos os Estados, sem exceção, e que o respeito por suas regras não é opcional.
Uma mensagem de que, em um mundo que caminha para uma maior fragmentação e uma competição de poder mais acirrada, o direito internacional é indispensável.
Sem ele, a instabilidade se espalha, a desconfiança se aprofunda e os conflitos saem do controle.
Isso se aplica a todos os lugares – e se aplica com urgência ao conflito no Oriente Médio.
Não há solução militar para esta crise.
Os acordos de paz exigem um empenho constante e vontade política.
É preciso retomar negociações sérias.
O cessar-fogo deve ser preservado – e prorrogado, se necessário.
E os direitos e liberdades de navegação internacionais – inclusive no Estreito de Ormuz – devem ser respeitados por todas as partes.
É hora de moderação e responsabilidade.
É hora de diplomacia em vez de agravamento.
É hora de um compromisso renovado com o direito internacional.