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Projeto trinacional Raízes Agroecológicas avança no Brasil com corredores agroecológicos e metodologias participativas para fortalecer a conservação de sementes crioulas

22 maio 2026

Cerca de 2.600 famílias agricultoras de 15 municípios rurais do Semiárido de Sergipe e Bahia serão beneficiadas pela iniciativa trinacional financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA) com recursos da União Europeia. 

Plantio de corredor agroecológico na comunidade Dispensa, em Itabaianinha (SE), no âmbito do Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP).
Legenda: Plantio de corredor agroecológico na comunidade Dispensa, em Itabaianinha (SE), no âmbito do Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP).
Foto: © Saulo Coelho.

O Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) iniciou uma nova etapa de implementação no Brasil com ações voltadas à formação de corredores agroecológicos e diagnósticos participativos da agrobiodiversidade para o fortalecimento de sistemas comunitários de sementes em territórios rurais da Bahia e de Sergipe. 

A iniciativa integra ações na Argentina, Bolívia e Brasil para o fomento da agroecologia, conservação dos recursos genéticos locais e Melhoramento Genético Participativo descentralizado voltado à conservação e resgate de variedades locais. 

O projeto pretende alcançar 5 mil famílias agricultoras nos três países, sendo cerca de 2.600 no Brasil, distribuídas em 15 municípios dos estados de Sergipe e Bahia, com potencial de ampliação para novos ao longo da implementação. 

Dessa forma, o projeto também busca valorizar o trabalho ancestral de guardiãs e guardiões de sementes, articulando organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e comunidades rurais para promover a conservação da agrobiodiversidade, a autonomia produtiva e a construção coletiva de sistemas agroecológicos para dar respostas aos desafios das mudanças climáticas. 

Financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com recursos da União Europeia, em uma doação de 4 milhões de euros, o projeto é executado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com liderança técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

Em Sergipe, o projeto é implementado pelo Movimento Camponês Popular (MCP-SE) através da Associação de Camponesas e Camponeses do Estado de Sergipe (ACCESE). Na Bahia, a implementação ocorre por meio do consórcio formado por Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (ARCAS), Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), e Movimento dos Pequenos Agricultores/Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (MPA/CPC). 

Participantes da oficina de Corredores Agroecológicos e Diagnóstico da Agrobiodiversidade com participação de agricultores(as), técnicos(as) e instituições parceiras. Itabaianinha (SE).
Legenda: Participantes da oficina de Corredores Agroecológicos e Diagnóstico da Agrobiodiversidade com participação de agricultores(as), técnicos(as) e instituições parceiras. Itabaianinha (SE).
Foto: © Saulo Coelho.

Corredores agroecológicos e conservação participativa de sementes crioulas

Uma das principais estratégias do Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) é a implantação de corredores agroecológicos como espaços de aprendizagem, experimentação e multiplicação de sementes crioulas para o Melhoramento Genético Participativo descentralizado, metodologia desenvolvida pela Embrapa, que busca fortalecer variedades adaptadas às condições locais, ampliando a diversidade, a resiliência e a autonomia das comunidades rurais. 

Estão previstos, inicialmente, 26 corredores agroecológicos na Bahia e 18 em Sergipe. Os corredores organizam cultivos em faixas intercaladas, combinando espécies alimentares, como milho e feijão, com plantas de adubação verde, a exemplo de crotalária juncea, feijão-de-porco e feijão guandu, que promovem a fertilidade do solo e o manejo integral de pragas para a conservação ambiental. No marco do enfoque agroecológico, se utilizam também bioinsumos produzidos pelos agricultores. 

O processo é articulado aos diagnósticos participativos da agrobiodiversidade, ferramenta que identifica aspectos culturais, espécies existentes, variedades locais, práticas de manejo e prioridades definidas pelas próprias comunidades. 

Metodologias participativas e articulação territorial

Entre os dias 12 e 15 de maio, cerca de 50 participantes entre agricultores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, equipes técnicas e instituições públicas e estaduais da Bahia e Sergipe participaram de oficinas de aprendizagem sobre agrobiodiversidade e corredores agroecológicos nos municípios de Aracaju, Itabaianinha e Riachão do Dantas, em Sergipe. As formações foram conduzidas pela Embrapa em conjunto com as organizações sócias do projeto nos dois estados, promovendo o intercâmbio entre as equipes que implementam o projeto na Bahia e em Sergipe. 

De forma coletiva, dois corredores agroecológicos foram implementados nos municípios de Itabaianinha e Riachão do Dantas pelo terceiro ano consecutivo, considerando as atividades de pré-implementação do projeto. Eles funcionarão como polos irradiadores para processos contínuos de observação e seleção de materiais genéticos, permitindo que agricultoras e agricultores identifiquem variedades mais adaptadas às realidades locais e avancem na recuperação de sementes que vêm se perdendo ao longo do tempo. 

A programação também incluiu a visita à agroindústria comunitária de flocão de milho crioulo do Movimento Camponês Popular (MCP-SE), em Riachão do Dantas/SE, e à proposta da futura Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) crioulas apoiada pelo projeto. 

Participantes visitam a agroindústria comunitária de beneficiamento de flocão de milho crioulo do MCP-SE, em Riachão do Dantas (SE).
Legenda: Participantes visitam a agroindústria comunitária de beneficiamento de flocão de milho crioulo do MCP-SE, em Riachão do Dantas (SE).
Foto: © Saulo Coelho.

A agroindústria, em fase de finalização, integra produção, beneficiamento e agregação de valor ao milho crioulo, fortalecendo estratégias já existentes de comercialização por meio do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) e outros canais, como as feiras agroecológicas. 

Já a futura UBS ampliará o aproveitamento da produção, incluindo o uso para ração animal, e deve fortalecer a articulação entre campo, alimentação e sociedade. Nessa estrutura, o projeto contribui com a aquisição de maquinário e a construção do galpão de beneficiamento. 

A experiência evidencia o potencial de maquinarias adaptadas à agricultura familiar e reforça a valorização social, cultural e econômica das sementes crioulas. Do campo à mesa, demonstra como sistemas agroecológicos podem gerar renda, fortalecer territórios e ampliar o acesso a alimentos saudáveis. 

As oficinas também contaram com a participação de instituições parceiras estaduais da Bahia e de Sergipe, fortalecendo a articulação do Raízes Agroecológicas com projetos apoiados pelo FIDA em parceria com governos estaduais, e ampliando o potencial de integração e impacto entre políticas e ações de desenvolvimento rural sustentável pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) do Estado da Bahia, e pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) do Estado do Sergipe. 

Oficina de implantação de corredor agroecológico na comunidade Dispensa, em Itabaianinha (SE), no âmbito do Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP).
Legenda: Oficina de implantação de corredor agroecológico na comunidade Dispensa, em Itabaianinha (SE), no âmbito do Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP).
Foto: © Saulo Coelho.

Com mais de 40 anos de atuação no Brasil, o FIDA é um importante parceiro internacional no apoio à agricultura familiar, especialmente na região Nordeste. O Fundo já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas no país e, até 2030, prevê alcançar cerca de 1 milhão de pessoas adicionais por meio de novas iniciativas voltadas ao fortalecimento dos territórios rurais.

Para mais informações, visite a página do FIDA para o Brasil: https://www.ifad.org/es/w/paises/brasil 

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NOTAS A EDITORES

O FIDA é uma instituição financeira internacional e um organismo especializado das Nações Unidas, com sede em Roma, onde se encontra o mecanismo central das Nações Unidas para o setor de alimentação e agricultura. O Fundo investe nas populações rurais e, ao empoderar essas pessoas, contribui para a redução da pobreza, o aumento da segurança alimentar, a melhoria da nutrição e o fortalecimento de sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares em doações e empréstimos em condições concessionais para financiar projetos em países em desenvolvimento.

O escritório regional do FIDA para a América Latina e o Caribe opera na Cidade do Panamá, de onde o Fundo lidera a gestão de programas de desenvolvimento rural, financiamento e apoio às comunidades rurais da região.

Em nossa fototeca, é possível explorar e baixar uma ampla seleção de fotografias que retratam o trabalho do FIDA junto às comunidades rurais.

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Justina Tellechea: j.tellechea@ifad.org

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